O ministro da Economia recorda que no âmbito do PTRR vão ser criadas seis novas áreas empresariais para tornar o país mais atrativos ao investimento. "Solução não é ampliar Sines", defende.
Sines vai ter um crescimento significativo da capacidade de acolher contentores quando estiver operacional o terminal Vasco da Gama. Na calha para a região estão já mais de 20 mil milhões de euros, que se espera venham a produzir pelo menos 7.000 empregos adicionais numa zona que já está praticamente em pleno emprego. Hugo Amaral/ECO Oministro da Economia e da Coesão Territorial reconheceu que “Sines já não tem capacidade para acolher grandes empresas”.
Manuel Castro Almeida diz que não é possível continuar a empurrar grandes investidores para Sines e que a resposta passa pela criação de seis novas áreas de acolhimento empresarial no âmbito do Plano de Transformação, Recuperação e Resiliência (PTRR). “Hoje só temos uma grande área industrial que é Sines. Sempre que há investimento direto estrangeiro, pensamos: onde é que podemos colocar esta empresa? E a resposta é: Sines. Não podemos continuar a mandar tudo para Sines, até porque Sines já não tem capacidade para acolher grandes empresas. A solução não é ampliar Sines, mas sim criar outras” áreas de acolhimento empresarial “mais pequenas”, explicou Castro Almeida, à margem da apresentação da estratégia Norte 2040, em Santa Maria da Feira, nesta sexta-feira.
Na região Norte, o objetivo é ter duas grandes e médias áreas de acolhimento empresarial, “com áreas compreendidas entre os três e os oito quilómetros quadrados. São coisas relevantes, uma no litoral e outra no interior, porque tem de haver um crescimento homogéneo em toda a região”, explicou o responsável. Manuel Castro Almeida, ministro da Economia e da Coesão Territorial, entende que, num contexto de grandes investimentos, a capacidade de Sines para acolher grandes empresas está esgotada. A solução apresentada pelo governante é diversificar a geografia de implantação de projetos de maior dimensão Sublinhando que será necessário fazer escolhas no próximo quadro comunitário, Castro Almeida disse que depois de tantas infraestruturas já feitas com financiamento de quadros anteriores – “e bem”, teve o cuidado de sublinhar – “foi onde Portugal mudou, ao nível das infraestruturas: estradas, água, saneamento, esgotos, a fibra ótica, as escolas, centros de saúde, equipamentos desportivos e culturais, está quase tudo feito. O que falta agora é melhorar o rendimento dos portugueses”, explicou. “Vamos ter de orientar agora os recursos para a produtividade, isso passa pela aposta na inovação, ou seja, ligar universidades, centros tecnológicos e de inovação, com as empresas, tal como aconteceu com as agendas mobilizadoras”.
A construção de parques empresariais é uma das apostas do PTRR, “para poder ordenar melhor a indústria e garantir que nas zonas de menor densidade”, de maior “exposição a incêndios, haja uma melhor ocupação do territorial”, já tinha explicado Castro Almeida numa conferência de apresentação do Plano nacional. Castro Almeida explicou que o preconizado são seis áreas médias ou grandes de três a oito quilómetros quadrados, para além de muitas outras de âmbito municipal. O objetivo é criar condições para que em cada município haja terrenos infraestruturados para acolhimento de empresas. “Vamos ter uma linha de crédito para financiar municípios.
Para os parques de média e grande dimensão será a Global Parques [da AICEP] que gere a construção: serão dois a Norte, no litoral e interior; dois no centro, no litoral e interior; uma em Lisboa e um no Alentejo no interior, porque no litoral já existe Sines.” O “objetivo é ordenar melhor a instalação industrial”, explicou, acrescentando que a lei vai ser alterada “em breve” para facilitar a escolha de áreas de acolhimento empresarial. “Com as CCDR [Comissões de Coordenação e Desenvolvimento Regional], estamos a preparar uma solução alternativa para mudar a lei e tornar mais fácil e ágil o processo de decisão”, revelou.
Voltar
Internacionalização
Sines já não tem capacidade para acolher grandes empresas
Governo quer nova rota para investimentos.
Jornal Económico
01/06/2026
Imprensa Nacional