Portugal associou-se à segunda fase da Iniciativa Campeões Tecnológicos Europeus (ETCI 2.0), uma aliança pan-europeia de investimento que visa mobilizar até 80 mil milhões de euros para transformar mais de 1.500 empresas tecnológicas em fase de expans (‘scale-ups’) em líderes mundiais, anunciou em comunicado o Banco Europeu de Investimento (BEI).
O lançamento oficial desta segunda fase da iniciativa emblemática decorreu em Bruxelas, à margem da reunião do Conselho de ministros das Finanças da União Europeia (Ecofin), juntando o Grupo Banco Europeu de Investimento (BEI), os governos de 27 Estados-membros e os principais investidores institucionais e gestores de ativos privados.
Presente no encontro, o Ministro de Estado e das Finanças de Portugal, Joaquim Miranda Sarmento, sublinhou a importância do projeto para a economia nacional e europeia.
“Portugal apoia a ETCI 2.0 enquanto iniciativa prática para aprofundar os mercados de capitais europeus, mobilizar investimento privado e ajudar as empresas inovadoras a ganharem escala e a competirem nos mercados internacionais”, afirmou o governante português, citado em comunicado.
A ETCI 2.0 tem como meta angariar até 15 mil milhões de euros em capital próprio — cerca de quatro vezes mais do que o fundo inicial lançado em 2023 —, prevendo-se que este montante venha a alavancar um investimento total de até 80 mil milhões de euros destinado ao ecossistema tecnológico europeu.
A dimensão final do fundo será determinada no segundo semestre de 2026, após o fecho do primeiro período de subscrição (‘first closing’). O Grupo BEI já se comprometeu a injetar até 1,25 mil milhões de euros nesta nova fase.
A Presidente do Grupo BEI, Nadia Calviño, destacou que esta parceria “tem tudo a ver com escala e rapidez, proporcionando aos pioneiros europeus o capital de que necessitam para crescer”.
Para Calviño, este é “um passo decisivo para colmatar o défice de financiamento das empresas em fase de expansão, garantindo que as ideias, as tecnologias e as empresas inovadoras nascidas na Europa possam permanecer e prosperar na Europa”.
Nesta segunda vaga, a ETCI alhará o seu âmbito: além de apoiar megafundos europeus, passará a financiar, pela primeira vez, fundos de crescimento de média dimensão (superiores a 300 milhões de euros). Será ainda criada uma plataforma digital pan-europeia de investimento para mapear as oportunidades de mercado e atrair mais investidores privados de longo prazo.
Entre os investidores institucionais e privados que já se comprometeram com a iniciativa contam-se o Danske Bank (Dinamarca), a AltamarCAM, o Banco Santander e o BBVA (Espanha), bem como as sociedades italianas Azimut Holding, Green Arrow Capital e Fondazione Compagnia di San Paolo, estando previstas novas adesões em breve.
O mecanismo funcionará em paralelo e de forma articulada com iniciativas nacionais já existentes, como a francesa “Tibi” ou a alemã “WIN”, com o objetivo de criar um mercado de capitais e de investimento mais federado e eficiente na União Europeia.
Na sua primeira fase, a ETCI apoiou 15 megafundos e fomentou o desenvolvimento de 12 “unicórnios” — empresas tecnológicas avaliadas em mais de mil milhões de euros — com sede no espaço comunitário.
Esta iniciativa integra-se no programa alargado TechEU do Grupo BEI, que prevê mobilizar 250 mil milhões de euros em investimentos em inovação e tecnologias disruptivas entre 2025 e 2027.