Eduardo Souto de Moura recebeu a medalha de ouro da União Internacional dos Arquitetos, a mais importante distinção atribuída a um arquiteto pelos seus pares, numa cerimónia realizada a 30 de junho na Sagrada Família, em Barcelona. O Presidente da República, António José Seguro, esteve presente e destacou o papel decisivo de Souto de Moura, “um mestre que sempre abordou a arquitetura como um problema global”.
A homenagem a Souto de Moura foi realizada durante o Congresso Mundial dos Arquitetos, que de 28 de junho a 2 de julho levou à Catalunha alguns dos principais nomes da arquitetura mundial. No âmbito desta distinção, foi também realizada a 1 de julho, no Disseny Hub de Barcelona, uma conferência de celebração promovida pela AICEP, a Ordem dos Arquitetos e a Casa da Arquitetura.
Madalena Oliveira e Silva, presidente da AICEP, destacou a singularidade e o contributo para a internacionalização da arquitetura portuguesa da obra de Souto de Moura. “Esta é uma oportunidade estratégica para reforçar o reconhecimento da arquitetura nacional, da sua criatividade e inovação”, adiantou. Ao considerar a arquitetura portuguesa um excelente cartão de visita de Portugal, a presidente da AICEP sublinhou a “inspiração do legado dos arquitetos portugueses, que nos orgulham”.
Também Avelino Oliveira, presidente da Ordem dos Arquitetos portugueses, sublinhou “a honra que representa para a arquitetura portuguesa” a entrega da medalha de ouro da UIA a Souto de Moura. Ao apresentar a marca Portuguese Architectute, Avelino Oliveira salientou que a arquitetura é um modo de fazer, uma herança, e que as tecnologias estão em crescimento galopante. “Cedo os arquitetos portugueses perceberam que inovação e tradição não eram contraditórios nem se excluíam”.
Nuno Sampaio, diretor-executivo da Casa da Arquitetura, considerou a arquitetura portuguesa um ativo estratégico do saber, do conhecimento e da economia. Sublinhou a necessidade de reabilitar e de construir mais. “Acredito que a arquitetura portuguesa tem o reconhecimento para ajudar a enfrentar esse desafio global”.
A conferência prosseguiu com um debate sobre os desafios da arquitetura, com a participação de Souto de Moura e dos arquitetos portugueses Nuno Grande, Manuel Aires Mateus e Inês Lobo, moderado pelo arquiteto alemão Wilfried Wang. Ao encerrar a sessão, a Secretária de Estado da Habitação, Patrícia Gonçalves Costa, reiterou a capacidade de a arquitetura portuguesa se afirmar no mundo e sublinhou que a questão da habitação é urgente. “Precisamos de escala para conseguir resolver este problema e, como diz o arquiteto Souto de Moura, organizar o caos”.
A obra de Souto de Moura tem sido distinguida com os mais prestigiados prémios da arquitetura, entre os quais o Leão de Ouro da Bienal de Veneza (2018) ou o Pritzker, considerado o Nobel da Arquitetura, em 2011, para além do Prémio da X Bienal Iberoamericana de Arquitetura e Urbanismo (2016), o Prémio Wolf de Artes, de Israel, em 2013, ou o Prémio Pessoa, em 1998.
A medalha de ouro da UIA, que agora se junta aos prémios conquistados por Eduardo Souto de Moura, foi criada em 1984 para distinguir realizações excecionais no campo da arquitetura e tem sido atribuída a figuras de relevo da arquitetura internacional, entre as quais o arquiteto Álvaro Siza, em 2011.
O júri da UIA sublinhou “a inteligência, moderação e sentido de responsabilidade para com a sociedade” que caracteriza a obra de Eduardo Souto de Moura. Entre os seus principais projetos encontram-se a Casa das Histórias Paula Rego, em Cascais, o Estádio Municipal de Braga, o Centro de Arte Contemporânea Graça Morais, em Bragança, e os interiores dos Armazéns do Chiado, em Lisboa.
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Internacionalização
Arquiteto Eduardo Souto de Moura homenageado em Barcelona
Arquiteto Eduardo Souto de Moura recebe medalha de ouro da União Internacional dos Arquitetos.
AICEP
02/07/2026