A portuguesa Colep Consumer Products vai apostar nos Estados Unidos da América. Fundada em Vale de Cambra há 61 anos, a empresa olha para o mercado norte-americano como um dos mais importantes para o crescimento do negócio, segundo o CEO da empresa, Pierfranco Accardo, em conversa com o Jornal Económico.
Atualmente, a presença nos EUA é feita através do México, onde a Colep Consumer Products tem uma fábrica desde 2013. Mas os próximos meses vão trazer novidades. “Estamos a considerar uma mudança para os EUA, em termos de produção. Para servir um mercado que é cada vez mais importante para a nossa empresa e também para nos colocar em segurança, em termos geopolíticos”, explica o responsável da empresa.
Para a faturação de 345 milhões de euros conseguida em 2025, o italiano Pierfranco Accardo, CEO da empresa portuguesa, aponta dois fatores, a aceleração da nova unidade de beauty vibe que cria produtos prontos para os clientes e a internacionalização, especialmente para os Estados Unidos da América. Para este ano diz que as perspetivas são idênticas ao anterior, mas com a possibilidade de um “ligeiro crescimento”.
Contudo, Accardo sublinha que 2026 é um ano “difícil, por várias razões”, principalmente geopolíticas e em especial no mercado norte-americano, diz. Isto apesar das tarifas da Administração Trump não estarem a afetar a empresa portuguesa, uma vez que o México continua abrangido pelo acordo com os Estados Unidos. “É um acordo que está a ser questionado constantemente e como a renovação está para breve, coloca muitos dos nossos clientes à espera do que vai acontecer”.
A importância cada vez maior do mercado norte-americano é justificada pelo nível de consumo de produtos de beleza, “o nível de consumo de um norte-americano típico é duas vezes e meia o do europeu”. O comércio eletrónico é também diferente da Europa. “Cerca de 25% dos produtos de beleza são distribuídos através do comércio eletrónico nos EUA, o mesmo valor na Europa ronda os 8%”, acrescenta.
A produção farmacêutica começa a ser uma das novas apostas da Colep, o que já levou à conversão de parte da fábrica em Vale de Cambra. “Estamos a criar uma capacidade muito específica em aerossol, e isto é muito importante porque o mercado farmacêutico tem valor acrescentado”, diz Pierfranco Accardo, que acredita “firmemente” que esta área irá representar uma “enorme fonte de crescimento para o futuro próximo”.
Na conversa com o JE, o CEO revela que o mercado tem criado uma nova tendência de consumo que está a esbater as fronteiras entre os produtos de beleza e de bem-estar. “Estão a misturar-se e queremos estar no centro disso, por isso vejo essa parte do negócio a crescer e vejo uma nova fábrica e novos negócios a arrancar”, revela o CEO.
O Jornal Económico
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Colep “Estamos a considerar uma mudança da produção para os EUA"
Empresa portuguesa está a afinar a estratégia para começar a produzir no mercado norte-americano
O Jornal Económico
21/08/2026
Imprensa Nacional