Qualidade de vida, mão-de-obra qualificada, benefícios que atraem estrangeiros qualificados e a Fábrica de Unicórnios, que trouxe a Lisboa 17 startups valorizadas em mais de mil milhões, são apontados como fatores que tornaram o país num "centro tecnológico" da Europa.
Há turismo e consumo, sim, mas também políticas favoráveis às empresas, incentivos fiscais que atraem estrangeiros qualificados e até um mercado de trabalho que goza de uma mão-de-obra bastante qualificada. Mas há algo mais que merece destaque quando se procura as razões para Portugal ter tido, no segundo trimestre deste ano, o maior crescimento da zona euro, aumentando a sua riqueza em 0,8% relativamente aos primeiros três meses do ano e em 2,5% em termos homólogos: o papel das startups tecnológicas que se instalaram em Lisboa nos anos mais recentes.
O destaque é feito no jornal francês Le Figaro, que aponta o feito português na prestação económica e o brilharete nas contas públicas, numa altura em que a maioria da Europa se encontra em sofrimento económico e os fundos europeus dos planos de resiliência pós-covid estão a chegar ao fim. E um dos principais responsáveis por aquilo a que a publicação chama "um caso de sucesso económico" é a Fábrica de Unicórnios criada em Lisboa por Carlos Moedas.
"Com infraestruturas modernas, incentivos fiscais e uma mão-de-obra altamente qualificada, Portugal transformou-se num ator central do setor tecnológico europeu", escreve o jornal, apontando a transformação de um país atrasado para um que fez uma aposta séria na inovação e no desenvolvimento de um ecossistema empresarial dinâmico, com um homem à cabeça. "O antigo comissário europeu da Inovação, atual presidente da Câmara Municipal de Lisboa, Carlos Moedas, lançou em 2022 o polo de inovação chamado Fábrica de Unicórnios e conseguiu atrair já 17 startups internacionais avaliadas em mais de mil milhões de euros, que trocaram países cmo os Estados Unidos, o Brasil ou a Suécia or Lisboa", lê-se no Le Figaro.
As razões que atraem esta comunidade a Lisboa? O jornal aponta-as: "um ecossistema de grande qualidade, regimes fiscais vantajosos para imigrantes qualificados, créditos fiscais dedicados à investigação e desenvolvimento e, naturalmente, a excelente qualidade de vida proporcionada pela cidade".
O papel atribuído a Lisboa como um dos motores desta transformação económica é visto por Carlos Moedas como a concretização de uma ambição assumida. "Criámos a Fábrica de Unicórnios de Lisboa para atrair talento, empresas e investimento, apoiar quem quer criar e crescer a partir da nossa cidade e gerar emprego qualificado, e (...) com isso estamos também a contribuir para uma economia portuguesa mais competitiva, mais inovadora e mais preparada para o futuro", reage o presidente da Câmara de Lisboa numa publicação nas redes sociais.
"Lisboa mostrou que uma cidade pode ser muito mais do que beneficiária do crescimento de um país. Pode ser um dos seus motores. Foi este caminho que a levou a ser reconhecida como Capital Europeia da Inovação e é este caminho que queremos continuar", vinca.
Centro de dados e brilharete nas contas públicas
Sublinhando os excedentes orçamentais conseguidos desde 2022 — no ano passado, de 0,7% — e a queda da dívida pública para 87,5% do PIB graças à evolução maior da economia, mas também a redução das importações face às exportações, números que afastam o país dos tempos da bancarrota e do consequente resgate pedido por José Sócrates, o jornal aponta ainda o papel dos centros de dados numa transformação económica que vê como extraordinária.
Na liderança do mercado global, continuam os Estados Unidos, com cerca de 50 gigawatts (GW) de capacidade instalada, seguindo-se China, Japão, Reino Unido, Alemanha, Irlanda e Países Baixos, mas a mudança trazida pela instalação do data center Start Campus em Sines, ainda no governo de António Costa, foi determinante para pôr Portugal no mapa. Conforme relata o JE, "país é agora o décimo mercado de centros de dados que mais cresceram a nível mundial desde 2024, com uma expansão de 23% da capacidade instalada.
"Portugal afirma-se como um dos principais polos europeus de centros de dados, com mais de 2,6 gigawatts de capacidade em desenvolvimento", nota o Le Figaro, destacando ainda a evolução que esse potencial alarga à energia: "o país deverá tornar-se num dos mercados energéticos mais dinâmicos da Europa".
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Le Figaro destaca crescimento português impulsionado por tecnologia e unicórnios.
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17/08/2026
Imprensa Nacional