Uma síntese dos dados da Altares Dun & Bradstreet France, publicados a 14 de outubro, revela que, no terceiro trimestre, foram instaurados mais de 14.300 processos de insolvência (+5% face ao terceiro trimestre de 2024), com o verão de 2025 a terminar com um recorde histórico, e um setembro particularmente difícil (+6%). Além das PME e das microempresas, que são responsáveis pela maioria das insolvências, as organizações historicamente mais bem protegidas — as maiores e mais antigas — também estão agora sob pressão. O único sinal positivo mais saliente será que um terço dos processos são agora processos de recuperação judicial ou de salvaguarda, ajudando a manter mais empregos entre os 52 mil ameaçados no terceiro trimestre.
Em detalhe, as falências de empresas aumentaram 5,2% em termos homólogos no terceiro trimestre, com um setembro particularmente mau. Assim foram registadas 14.371 falências de julho a setembro, de acordo com o estudo trimestral publicado pelo grupo de especialistas em dados empresariais, que o descreve como "um recorde de verão", com quase metade das falências, 6.800, registadas só em setembro, um volume que não se via há dezasseis anos.
Um volume tão elevado de falências durante o período de “regresso às aulas” não se via desde 2009, um ano de severa recessão. "Setembro diminuiu as esperanças de uma recuperação", comenta Thierry Millon, diretor de estudos da Altares, referindo que "a economia francesa está mergulhada numa névoa espessa". Thierry Millon observa que, desde o início do ano, 50.700 empresas faliram, ou seja, mais 1.600 do que no final de setembro de 2024.
Entre os dados com pior desempenho, as microempresas com mais de 5 colaboradores são as que estão sob maior pressão, com um aumento de 9% de insolvências este verão em comparação com o verão anterior, assim como as PME com 10 a 19 colaboradores (+13%). A Altares observa ainda que "só 46 empresas insolventes, com mais de 100 funcionários, estão a ameaçar cerca de 10.000 empregos", sendo que as insolvências aumentaram 17% na indústria transformadora e 9% nos serviços às empresas.
Em termos sectoriais, a construção (+2%) e o comércio a retalho (+2%) demonstram uma relativa resiliência. Entre os setores mais afetados estão a indústria transformadora, incluindo têxteis, automóvel, materiais de construção, vestuário, remodelação (obras de interiores de casas) e os serviços às pessoas. As duas famosas marcas de vestuário Comptoir des Cotonniers e Princesse Tam Tam, que apresentaram um pedido de recuperação judicial no início de julho, juntaram-se à longa lista de marcas em crise no setor francês de pronto-a-vestir.
Do ponto de vista regional, as insolvências aumentaram na Auvergne-Rhône-Alpes (+13,5%), Nouvelle-Aquitaine (+11,7%), Pays de la Loire (+14,8%), Córsega (+14,3%) e, especialmente, Centre-Val de Loire (+33,2%), embora tenham diminuído na Bretanha (-9,7%), PACA (-3,8%) e Grand-Est (-0,4%).
O Barómetro Económico Odoxa, elaborado para a AGIPI, BFM Business e Challenges, publicado a 2 de outubro, mostrou que 84% dos franceses estão céticos quanto ao futuro económico do país. Em consequência, a taxa de poupança das famílias nunca foi tão elevada (aproximando-se de uns históricos 19% do total do rendimento), denotando apreensão relativamente ao futuro, mas implicando igualmente uma queda da procura e uma estagnação do consumo, o que leva as empresas a produzir menos e, num efeito bola de neve, a crescentes dificuldades que levam à falência.
Com o consumo em queda, o investimento empresarial está paralisado, aguardando um ambiente económico e político mais estável. "Dois dos motores económicos estão paralisados e algumas das empresas mais fracas podem não sobreviver", resume José Bardaji, Diretor de Investigação e Previsão do Grupo BPCE.
Apesar da conjuntura global sombria, alguns sinais positivos podem ser vislumbrados. As participações de recuperações ou revitalizações estão a aumentar, representando agora 30% dos processos, em comparação com menos de um quarto em 2021-2022. As recuperações aumentaram 10,7% em termos homólogos, enquanto as liquidações judiciais diretas abrandaram para +2,8%. A recuperação — bem como os procedimentos de salvaguarda, um procedimento menos utilizado (331 casos no terceiro trimestre) — oferece às empresas um alívio para recuperarem ou serem vendidas.
Também nos primeiros oito meses de 2025, o número de falências continuou, de facto, a aumentar, mas apenas 3% em comparação com 2024. A título de comparação, o aumento foi de 21% entre 2023 e 2024, e até 38% entre 2023 e 2022, de acordo com o observatório BPCE. Por outro lado, os prazos de pagamento entre empresas diminuíram ligeiramente, depois de atingirem o pico de 14,2 dias em junho, caíram agora para menos de 14 dias.
Para Thierry Millon (Altares): "Este último trimestre, se não inverter a tendência, pode pelo menos estancar a hemorragia e abrir caminho para a melhoria esperada para 2026".
Voltar
Macroeconomia
Tendências & Oportunidades - Falências em França
Uma síntese dos dados da Altares Dun & Bradstreet France.
AICEP França
29/10/2025