Acordo pode ser uma oportunidade, APICCAPS.
“Tendo em conta o cenário alternativo de não acordo, que desencadearia uma agudização incontornável de realizações e contra retaliações, com consequências desastrosas para a economia europeia, é com relativo alívio que acolhemos este desfecho. Até porque ‘quando se espera um furacão, fica-se feliz com uma simples tempestade'”. A expressão é do diretor-geral da CIP, Rafael Alves Rocha. Para a Confederação Empresarial de Portugal (CIP) trata-se de um “relativo alívio” o acordo comercial entre a União Europeia (UE) e os Estados Unidos da América (EUA), mas avisou que o preço a pagar é elevado para ambas as partes.
Historicamente, o calçado português exportado para os Estados Unidos estava sujeito a tarifas na ordem dos 8% a 9% no caso do calçado de couro, e até 38% para determinados modelos fabricados com materiais sintéticos ou têxteis. O acordo agora anunciado pela Comissão Europeia substitui esse quadro por uma tarifa única de 15%, aplicável à generalidade dos bens exportados para os EUA.
“Neste momento, muitos dos detalhes do acordo ainda não estão totalmente definidos ou sequer tornados públicos. Ainda assim, a redução da incerteza no contexto internacional é, em si, uma notícia positiva para as empresas e para o setor como um todo”, considera Luís Onofre.
No caso do setor do calçado, esta medida traduz-se num acréscimo de apenas 5 pontos percentuais face à taxa média anterior, o que pode ser encarado como uma evolução favorável, sobretudo tendo em conta a instabilidade e imprevisibilidade dos últimos meses.
O Presidente da APICCAPS recordar, no entanto, que “é aguardar pela definição final dos termos do acordo e pela divulgação das condições tarifárias que serão aplicadas a outros grandes produtores mundiais, como China, Vietname, Índia e Brasil”. “Importa sublinhar que a aplicação de tarifas significativamente elevadas a alguns destes países poderá originar um desvio de fluxos comerciais para o mercado da União Europeia, fenómeno que deverá ser cuidadosamente monitorizado”, recordou Luis Onofre.
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Comércio
Acordo com os EUA pode ser uma oportunidade para o calçado.
Acordo com os EUA pode ser uma oportunidade para o calçado
APICCAPS/AICEP
01/08/2025