A Argentina e o Brasil são produtores de petróleo e gás em expansão, além de possuírem reservas de lítio, grafite, manganês, níquel, bauxite e elementos de terras raras.
A União Europeia está a avançar com a aplicação provisória do acordo comercial com o Mercosul, assinado em fevereiro, que oferece benefícios imediatos aos exportadores, apesar dos obstáculos que ainda existem para a sua ratificação.
De acordo com uma análise recente realizada pela Crédito y Caución, o acordo oferece oportunidades para a Europa em termos de transição energética, pois facilitaria a diversificação fora da China. Segundo Greetje Frankena, diretora adjunta de Investigação Económica da Atradius Crédito y Caución, "a União Europeia tem uma necessidade urgente de fontes alternativas de matérias-primas críticas, especialmente para a transição energética, e os países do Mercosul estão bem posicionados para colmatar essa lacuna."
Neste sentido, destacam-se países como a Argentina, possuidora de grandes reservas de lítio, essencial para baterias, enquanto o Brasil é rico em grafite, manganês, níquel, bauxite e elementos de terras raras. Impostos de exportação mais baixos e regras de investimento mais claras poderão fortalecer significativamente as cadeias de abastecimento europeias.
A segurança energética é também um fator-chave. A União Europeia está a reduzir ativamente a sua dependência da Rússia e a expandir a cooperação com países como o Brasil e a Argentina, ambos produtores de petróleo e gás em expansão, e com potencial significativo para o hidrogénio verde. Isto converte o Mercosul num parceiro atrativo a longo prazo.
No entanto, persistem as controvérsias sobre os efeitos do acordo, especialmente por parte dos agricultores europeus preocupados com a concorrência dos produtores do Mercosul, que operam sob padrões ambientais e de bem-estar animal menos rigorosos. Para responder a estas preocupações, o acordo inclui quotas para produtos sensíveis como carne de vaca, aves, açúcar e certos produtos lácteos. As rigorosas regras de importação da União Europeia também continuarão a aplicar-se.
Espera-se que os benefícios macroeconómicos sejam modestos a curto prazo, pois a importância do acordo reside menos no seu impacto imediato no PIB e mais no seu sinal estratégico. Deve recordar-se que a perspetiva atual é que as tarifas sobre cerca de 91% dos produtos comercializados entre a União Europeia e o Mercosul sejam gradualmente eliminadas nos próximos 15 anos
Os exportadores industriais europeus, especialmente de maquinaria, veículos e produtos químicos, estão entre os prováveis beneficiários iniciais, dadas as elevadas tarifas do Mercosul que enfrentam atualmente. Em 2024, as exportações da União Europeia para o Mercosul foram dominadas por maquinaria (28,1%), produtos químicos e farmacêuticos (25%) e material de transporte (12,1%).
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Sustentabilidade
Mercosul parceiro-chave para a Europa em transição energética
Mercosul poderá tornar-se num parceiro-chave para a Europa em matéria de transição energética.
Crédito Y Caución/AICEP
25/03/2026