OFórum para a Competitividade estima que a economia portuguesa tenha crescido 1,9% em 2025 e acelere para 2,0% a 2,3% este ano, beneficiando das condições conjunturais “genericamente favoráveis” e do estímulo final do PRR.
“Em termos conjunturais, o ano de 2026 até se apresenta um pouco mais favorável para Portugal do que 2025, o problema são os riscos”, lê-se numa nota de conjuntura divulgada esta terça-feira. De acordo com as estimativas do Fórum para a Competitividade, no quarto trimestre de 2025 o Produto Interno Bruto (PIB) terá subido entre 0,5% e 0,7% em cadeia, o correspondente a uma variação homóloga entre 1,7% e 1,9%, traduzindo-se numa variação anual de 1,9%.
Segundo detalha, a desaceleração homóloga face aos 2,4% do terceiro trimestre “prende-se sobretudo com o excecional crescimento em cadeia do quarto trimestre de 2024, que foi de 1,2%”. Já em 2026 o PIB “deverá crescer entre 2,0% e 2,3%, já que as condições conjunturais da economia portuguesa são genericamente favoráveis, devendo beneficiar também do estímulo da reta final do PRR [Plano de Recuperação e Resiliência]”.
“As condições conjunturais da economia portuguesa são genericamente favoráveis. O PIB está próximo do seu potencial, devendo crescer em linha com este. A taxa de desemprego está no intervalo da taxa natural de desemprego (entre 6% e 7%) e aí deve permanecer”, concretiza o Fórum.
Quanto ao emprego, “tem vindo a registar elevados níveis de crescimento (da ordem dos 3%) porventura excessivos, na medida em que dificultam o aumento do nível de capital por trabalhador”, apontando como “provável algum abrandamento do crescimento do emprego, em linha com as alterações na legislação da imigração”.
Antecipando que se mantenha em 2026 o “ligeiro excedente” das contas externas e a tendência de “redução sucessiva da dívida externa”, o Fórum para a Competitividade acredita que este ano “talvez se consiga um novo ‘superavit’ orçamental, apesar dos estímulos associados à finalização do PRR”.
Já em termos estruturais o Fórum considera que “as coisas não estão risonhas” para a economia portuguesa, apontando como “problemas principais” o facto de o potencial de crescimento do PIB continuar “demasiado baixo, em torno de 2%”, e a produtividade manter “níveis de crescimento demasiado baixos”.
“Relacionado com isso, o peso do investimento no PIB continua abaixo da média histórica e do necessário para impulsionar o capital por trabalhador e, por essa, via a produtividade e os salários”, continuando a aguardar-se “as anunciadas reformas estruturais e os seus resultados”. Em 2026, o consumo “deverá continuar suportado por um apreciável crescimento do emprego, por um aumento dos salários reais, mas já sem alívio fiscal e sem redução adicional das taxas de juro”.
Já o investimento “tem condições para uma forte aceleração, beneficiando do PRR e se as prometidas alterações ao licenciamento se concretizarem, nomeadamente a preferência pelo deferimento tácito, sendo essencial o esclarecimento do IVA na construção”.
As exportações “têm tido um comportamento modesto e serão necessárias reformas para a melhoria da competitividade, para conseguirmos melhores resultados, através de um aumento das quotas de mercado, sobretudo naqueles onde a nossa posição é ainda muito baixa”, considera.
Em termos conjunturais, o Fórum considera que 2026 tem “uma curiosa combinação”: “Por um lado, o cenário central é unanimemente considerado benigno, com a generalidade das economias a crescer em linha com a tendência; por outro, apresenta um nível de riscos elevado e com fortes potenciais disruptivos: Venezuela, Ucrânia, Gronelândia, França, IA, entre muitos outros”, refere.
O Fórum faz ainda um paralelismo entre a greve geral de dezembro e o “apagão” em termos de impacto no PIB, prevendo que o protesto tenha penalizado o crescimento da economia em menos de 0,1%. “A greve geral de 11 de dezembro tem algumas similitudes com o apagão, cujo impacto inicialmente estimado seria entre 0,1% e 0,2% do PIB. No entanto, o PIB do segundo trimestre aumentou 0,7%, bastante mais do que o esperado, pelo que é improvável que o impacto do apagão tenha sido superior a 0,1%”, explica.
Quanto ao impacto da greve geral – que, contrariamente ao “apagão”, não foi “uma surpresa” e teve “um impacto muito superior no setor público do que no setor privado” –, estima que, “no cômputo geral, […] terá sido inferior a 0,1% do PIB, porque o setor público tem um peso reduzido na economia e no setor privado a adesão terá sido baixa e há margem para compensar a atividade noutros dias”.