A UE e a índia finalizaram terça-feira "o maior de todos os acordos comerciais", como descreveu Bruxelas, que irá eliminar progressivamente direitos aduaneiros a exportadores europeus, incluindo em setores estratégicos para Portugal, como o agroalimentar ou o automóvel. Apesar do enorme mercado que se abre para a UE, o impacto nacional deve ser limitado, ainda que ramos como o azeite e vinhos tenham margem para crescer consideravelmente.
Ao JE, Rafael Alves da Rocha, diretor executivo da CIP - Confederação Empresarial de Portugal, fala num "passo histórico nas relações económicas entre a UE e um parceiro estratégico de dimensão global", sobretudo no atual contexto internacional.
"A CIP vê com grande satisfação os resultados alcançados nesta cimeira. Já sabemos que o contexto internacional é marcado por crescentes tensões geopolíticas e por sinais de retração no comércio global. Após o voto no Parlamento Europeu a semana passada, que atrasa novamente o acordo com o Mercosul, é importante que a UE demonstre que continua comprometida com uma agenda de abertura, cooperação e parcerias estratégicas", afirma, pedindo "responsabilidade política" nos "processos formais de ratificação e implementação".
Portugal exporta sobretudo papel e pasta de papel, cujas vendas chegaram a 54 mil milhões de euros em 2024 - valor entretanto já pulverizado até novembro de 2025, com 56,7 mil milhões -, produtos químicos, e maquinaria e equipamentos. Em sentido inverso, os produtos têxteis, químicos e petrolíferos dominam os mais de mil milhões de euros importados da índia em 2024, com 2025 a registar um montante global de 950,8 milhões até novembro.
Além destes setores, a CIP vê oportunidades relevantes para o agroalimentar (com azeite e vinho à cabeça), automóvel e serviços, com reduções de tarifas significativas nos dois primeiros. No segmento automóvel, as taxas aduaneiras cairão de 110% para 10%, sendo que os componentes terão tarifa zero daqui a cinco a dez anos; no agroalimentar, o azeite passa de 45% para 0% ao fim de cinco anos, enquanto o vinho verá uma redução inicial de 150% para 75% e, numa fase seguinte, até 20%.
Para Jorge Henriques, presidente da Federação das Indústrias Portuguesas Agroalimentares (FIPA), saúda este acordo "extremamente importante" que cria "sérias oportunidades", sobretudo para produtos emblemáticos como o azeite e vinho. Ainda assim, será uma oportunidade que requer a "conjugação de vários esforços", nomeadamente da diplomacia económica.
Também José Neves, líder da Associação de Fabricantes para a Indústria Automóvel (AFIA), elogiou o acordo, lembrando que a base exportadora para a índia era bastante baixa - tanto o agroalimentar, como os automóveis e componentes exportaram menos de um milhão de euros para a índia em 2024 - e esta nova pauta aduaneira cria "uma importante oportunidade [...] quer por via direta, quer indireta". Ainda assim, "estas questões demoram tempo", pelo que os próximos três anos serão determinantes, frisa.
A UE e a índia chegaram recentemente a acordo após 18 anos de avanços e recuos, sendo expectável que este elimine 4 mil milhões de euros em tarifas para os exportadores europeus para a índia, que assim conseguem maior acesso à economia dos G20 que mais cresce a nível global.
Com trocas de 180 mil milhões de euros em 2024, a índia era já o nono maior parceiro comercial da UE, representando 2,4% do seu comércio internacional. Em sentido inverso, a Europa é o principal destino das exportações indianas. Com o acordo, as exportações para aquele país devem duplicar até 2032. Para Portugal, a XTB estima um impacto limitado que deverá oscilar entre 0,03% e 0,1% do PIB.
Ao JE, Rafael Alves da Rocha, diretor executivo da CIP - Confederação Empresarial de Portugal, fala num "passo histórico nas relações económicas entre a UE e um parceiro estratégico de dimensão global", sobretudo no atual contexto internacional.
"A CIP vê com grande satisfação os resultados alcançados nesta cimeira. Já sabemos que o contexto internacional é marcado por crescentes tensões geopolíticas e por sinais de retração no comércio global. Após o voto no Parlamento Europeu a semana passada, que atrasa novamente o acordo com o Mercosul, é importante que a UE demonstre que continua comprometida com uma agenda de abertura, cooperação e parcerias estratégicas", afirma, pedindo "responsabilidade política" nos "processos formais de ratificação e implementação".
Portugal exporta sobretudo papel e pasta de papel, cujas vendas chegaram a 54 mil milhões de euros em 2024 - valor entretanto já pulverizado até novembro de 2025, com 56,7 mil milhões -, produtos químicos, e maquinaria e equipamentos. Em sentido inverso, os produtos têxteis, químicos e petrolíferos dominam os mais de mil milhões de euros importados da índia em 2024, com 2025 a registar um montante global de 950,8 milhões até novembro.
Além destes setores, a CIP vê oportunidades relevantes para o agroalimentar (com azeite e vinho à cabeça), automóvel e serviços, com reduções de tarifas significativas nos dois primeiros. No segmento automóvel, as taxas aduaneiras cairão de 110% para 10%, sendo que os componentes terão tarifa zero daqui a cinco a dez anos; no agroalimentar, o azeite passa de 45% para 0% ao fim de cinco anos, enquanto o vinho verá uma redução inicial de 150% para 75% e, numa fase seguinte, até 20%.
Para Jorge Henriques, presidente da Federação das Indústrias Portuguesas Agroalimentares (FIPA), saúda este acordo "extremamente importante" que cria "sérias oportunidades", sobretudo para produtos emblemáticos como o azeite e vinho. Ainda assim, será uma oportunidade que requer a "conjugação de vários esforços", nomeadamente da diplomacia económica.
Também José Neves, líder da Associação de Fabricantes para a Indústria Automóvel (AFIA), elogiou o acordo, lembrando que a base exportadora para a índia era bastante baixa - tanto o agroalimentar, como os automóveis e componentes exportaram menos de um milhão de euros para a índia em 2024 - e esta nova pauta aduaneira cria "uma importante oportunidade [...] quer por via direta, quer indireta". Ainda assim, "estas questões demoram tempo", pelo que os próximos três anos serão determinantes, frisa.
A UE e a índia chegaram recentemente a acordo após 18 anos de avanços e recuos, sendo expectável que este elimine 4 mil milhões de euros em tarifas para os exportadores europeus para a índia, que assim conseguem maior acesso à economia dos G20 que mais cresce a nível global.
Com trocas de 180 mil milhões de euros em 2024, a índia era já o nono maior parceiro comercial da UE, representando 2,4% do seu comércio internacional. Em sentido inverso, a Europa é o principal destino das exportações indianas. Com o acordo, as exportações para aquele país devem duplicar até 2032. Para Portugal, a XTB estima um impacto limitado que deverá oscilar entre 0,03% e 0,1% do PIB.