O Primeiro-Ministro esteve esta sexta-feira no centro de acolhimento para pessoas deslocadas em Santarém, onde garantiu que o Governo mobilizou todos os meios para responder às cheias provocadas pelas depressões "Kristin" e "Leonardo", colocando a salvaguarda da vida humana como prioridade absoluta.
"Neste momento, temos todas as equipas de Proteção Civil mobilizadas para um acompanhamento permanente, em articulação com as forças de segurança, Forças Armadas e autarquias locais, para promover as evacuações que sejam consideradas necessárias", afirmou.
Reconhecendo os elevados prejuízos causados pelo mau tempo, Luís Montenegro sublinhou que "esta intempérie traz muitos prejuízos materiais e económicos, e esses têm de ter uma resposta do Governo. Nós temos vindo a comunicá-la, mas, ainda antes disso, há a vida das pessoas — isso é determinante".
Visita no terreno para garantir resposta preventiva
O Primeiro-Ministro explicou que decidiu deslocar-se ao terreno sem aviso prévio para acompanhar de perto as operações e assegurar a eficácia das medidas preventivas.
"Quis vir saber no terreno como é que a operação está a decorrer e ter a garantia de que não deixamos de tomar as medidas necessárias para salvaguardar a vida daqueles que estão nas zonas mais expostas, nomeadamente zonas ribeirinhas e áreas junto a cursos de água."
Luís Montenegro reconheceu ainda o impacto emocional das evacuações, sublinhando que "não é agradável — é muito incomodativo sair de casa e deixar tudo para trás — mas é mesmo por uma razão de salvaguarda da segurança das próprias pessoas".
Alojamento, apoio social e acompanhamento psicológico
Durante a visita, o Primeiro-Ministro destacou o papel essencial das autarquias e das entidades envolvidas na resposta.
"Queria agradecer a todas as entidades que têm colaborado e às câmaras municipais, porque sem elas não conseguiríamos ativar este modelo, que conjuga alojamento, alimentação, higiene e acompanhamento, procurando que seja o mais transitório possível para que as pessoas possam regressar a casa."
O Governo mantém uma avaliação permanente da situação, com especial atenção às populações em risco de isolamento.
"Estamos sobretudo a cuidar do bem-estar das pessoas mais expostas às zonas de inundação e cheias. Temos de chegar mais cedo junto delas para poder trazê-las para fora de perigo."
Apelo ao cumprimento das evacuações
Dirigindo-se às populações mais resistentes à evacuação, Luís Montenegro reforçou a necessidade de cumprir as indicações das autoridades.
"Teremos de usar todos os argumentos para sensibilizar as pessoas e garantir que compreendem que estamos a salvaguardar as suas vidas, o seu bem-estar e a sua segurança", alertou, acrescentando que "desta vez, a situação é mais grave".
O Primeiro-Ministro destacou ainda a mobilização de apoio especializado, com equipas da Segurança Social e da Saúde já no terreno para acompanhar situações mais traumáticas e ajudar na sensibilização para a adoção de medidas preventivas.
Apoios já no terreno para famílias, agricultores e empresas
Paralelamente à resposta de emergência, o Governo está a acelerar os apoios à recuperação. Estão já a ser processados pedidos de cerca de 450 cidadãos, 1 200 agricultores e 1 200 empresas, correspondentes a um montante que "ultrapassa os 350 a 400 milhões de euros".
Encontram-se também no terreno seis das 12 unidades móveis anunciadas, bem como 275 Espaços de Cidadão, preparados para apoiar no preenchimento de formulários e agilizar o acesso às medidas.
Todos os instrumentos financeiros mobilizados
O Governo estima que os prejuízos já ultrapassam os quatro mil milhões de euros e garante que serão utilizados todos os meios disponíveis para apoiar a recuperação.
"Estamos a usar todos os instrumentos financeiros para fazer face a um nível de prejuízos muito elevado", afirmou Luís Montenegro, detalhando que o esforço envolve recursos privados e públicos, incluindo seguros, apoios diretos às famílias, medidas para empresas, linhas de crédito, lay-off simplificado e fundos nacionais e europeus.
"Temos o Orçamento do Estado, uma reorganização dos fundos disponíveis — incluindo o PRR — e outros mecanismos aos quais nos estamos a candidatar", acrescentou.
Situação de calamidade prolongada
O Governo prolongou a situação de calamidade até 15 de fevereiro, abrangendo 68 concelhos, que beneficiam de medidas de apoio até 2,5 mil milhões de euros.
O Primeiro-Ministro sublinhou que a resposta está a ser conduzida em várias frentes — prevenção, gestão da emergência e recuperação — com o objetivo de acelerar o regresso à normalidade.
"Estamos a programar o que pode acontecer nos próximos dias, a gerir o que está a acontecer neste momento e a recuperar aquilo que aconteceu nos últimos dias", afirmou, reiterando o compromisso de apoiar os portugueses a "dar a volta por cima".