Portugal quer reforçar a presença no mercado canadiano da mobilidade elétrica, apostando na exportação de tecnologia, atração de investimento e estabelecimento de parcerias num setor em rápida transformação, disse à Lusa o líder do cluster automóvel Mobinov.
"O caminho do futuro já não é a mobilidade elétrica, é o caminho do presente", afirmou Miguel Araújo, diretor-geral da Mobinov - Associação do Cluster Automóvel e da Mobilidade, na quinta-feira, em declarações à margem da EV & Charging Expo 2026, que decorreu em Toronto.
A AICEP Portugal Global participou pela primeira vez neste evento, considerado um dos principais encontros da América do Norte dedicados à eletrificação de frotas e infraestruturas de carregamento, reunindo mais de uma centena de expositores e milhares de profissionais do setor.
A presença portuguesa concretizou-se através de um stand institucional, com o objetivo de promover o ecossistema nacional de mobilidade elétrica e identificar oportunidades de cooperação e investimento.
Segundo o diretor-geral da Mobinov, Portugal dispõe de uma indústria automóvel "madura, diversificada e consistente", com competências tanto ao nível da produção de veículos como de componentes, o que permite ao país posicionar-se na linha da frente da transição energética.
O dirigente destacou ainda a existência de um ecossistema integrado, que envolve empresas de diferentes dimensões, centros de investigação, universidades e entidades públicas e está orientado para o desenvolvimento de soluções de mobilidade sustentável.
Entre os projetos apresentados encontra-se uma agenda mobilizadora para a descarbonização das cidades, que agrega múltiplos parceiros e já deu origem a soluções como veículos de micromobilidade elétrica e sistemas de carregamento para transportes pesados.
Questionado sobre o posicionamento nacional, Miguel Araújo considerou que Portugal apresenta níveis de adoção de veículos elétricos superiores a alguns países europeus, embora reconheça diferenças face a mercados mais avançados.
O dirigente admitiu, contudo, que persistem desafios ao nível das políticas públicas e da adoção por parte dos consumidores, sublinhando a necessidade de acelerar o processo de transição.
Também em declarações à Lusa, Luís Sequeira, delegado da AICEP - Agência para o Investimento e Comércio Externo de Portugal no Canadá, sublinhou que a participação na feira se insere numa estratégia de diversificação das exportações portuguesas.
"O objetivo é reforçar o apoio a setores de maior valor acrescentado, como a mobilidade sustentável, e estabelecer contactos com atores empresariais chave, canadianos e internacionais", explicou.
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