Para reconhecermos algumas marcas portuguesas, basta uma cor, um nome, um sabor ou até uma música para a memória fazer o resto.
É essa espécie mais difícil de medir — a capacidade de uma marca permanecer na cabeça das pessoas — que a OnStrategy procurou identificar com o novo indicador Marcas Portuguesas Memoráveis. O primeiro ranking coloca a Delta no topo das marcas portuguesas mais memoráveis entre os cidadãos dos 18 aos 75 anos, seguida pela Sagres e pela Olá. O top 10 inclui ainda Caixa Geral de Depósitos, TAP, CTT, EDP, Galp, Continente e Super Bock.
O resultado diz alguma coisa sobre publicidade, mas diz talvez ainda mais sobre tempo.
A batalha já não é apenas pela atenção
Num momento em que as marcas disputam consumidores através de centenas de estímulos diários, a vantagem competitiva pode estar menos na capacidade de aparecer e mais na capacidade de permanecer.
Os dados de consumo ajudam a perceber a dimensão desse fenómeno. O Brand Footprint 2026, da Worldpanel by Numerator, mostra que as 50 marcas mais escolhidas chegam a 99,7% dos lares portugueses e aparecem em 38% dos cabazes de grande consumo. O mesmo estudo revela que oito das dez marcas mais escolhidas pelos portugueses são nacionais. Há, portanto, uma espécie de paradoxo.
O consumidor está mais racional, compara preços, procura alternativas e enfrenta uma pressão crescente sobre o orçamento. Mas continua a escolher, repetidamente, marcas que conhece.
A Delta lidera agora uma lista que diz muito sobre aquilo que Portugal ainda reconhece como seu. Mas o ranking deixa também uma pergunta para as próximas décadas: quantas das marcas que hoje fazem parte da memória dos portugueses conseguirão fazer parte da memória dos seus filhos?
Uma marca pode sobreviver durante cem anos. O mais difícil é conseguir que alguém, cem anos depois, ainda saiba exactamente o que sentiu quando ouviu o seu nome.
O conteúdo deste artigo do Sapo Notícias debruça-se sobre o ranking da OnStrategy que mostra como marcas como Delta, Sagres, Olá e CTT construíram uma forte presença na memória dos portugueses, embora com diferenças entre gerações. O desafio passa por preservar esse legado sem perder relevância junto dos consumidores mais jovens.