“Portugal no mercado global: competitividade e futuro” é o tema do Fórum AICEP 2026, que decorre hoje, 30 de setembro, no Palácio da Bolsa, no Porto, dedicado aos desafios do comércio internacional, ao atual contexto geopolítico e ao papel de Portugal nos mercados globais e como destino de investimento.
A sessão da abertura contou com a presença do presidente da Câmara do Porto, Pedro Duarte, do presidente da Associação Comercial do Porto – Câmara de Comércio e Indústria, Nuno Botelho, do secretário de estado da Economia, João Rui Ferreira, e da presidente da AICEP, Madalena Oliveira e Silva.
João Rui Ferreira, secretário de estado da Economia, destacou na sessão de abertura que “Portugal tem cada vez mais capacidade tecnológica. O desafio é transformar essas capacidades em competitividade. Espero que este Fórum nos inspire para os desafios que estão pela frente”. No seu discurso, elogiou o serviço da AICEP, uma organização ágil, tecnologicamente preparada e orientada para o cliente, salientando que são as empresas que criam valor. “À AICEP cabe projetar esse valor no mundo.”
A presidente da AICEP, Madalena Oliveira e Silva, começou por dirigir-se aos empresários, a quem dedicou uma mensagem especial naquele que é o seu último dia na liderança da AICEP: “São as empresas que transformam talento em valor, conhecimento em inovação e ambição em presença internacional”. Afirmou ainda que “a internacionalização deixou de ser uma opção. É um imperativo. É uma oportunidade de crescimento. Permite às empresas ganhar escala, diversificar mercados, reduzir dependências e integrar cadeias globais de valor”.
Ao lembrar que o atual contexto é marcado pela concorrência crescente, pela instabilidade geopolítica, pela rápida evolução tecnológica e pela aceleração da transição energética, Madalena Oliveira e Silva salientou que estes fatores estão a redefinir cadeias de valor, padrões de investimento, modelos de negócio e rotas logísticas, mas considerou que este é, também, um momento de oportunidades.
“Portugal tem condições para continuar a afirmar-se como um destino de investimento de referência, estável, seguro e como um parceiro credível nos mercados internacionais. As empresas portuguesas competem com as melhores do mundo e demonstram, todos os dias, capacidade para se adaptar, inovar e vencer nos mercados mais exigentes”.
A geopolítica, geoeconomia e reconfiguração do comércio internacional foi o tema abordado no Fórum AICEP por Paulo Portas, ex-vice-primeiro-ministro e vice-presidente da Câmara de Comércio e Indústria Portuguesa. Sem deixar de referir os vários riscos geopolíticos, com grande impacto na economia mundial, Portas lembrou que o comércio internacional tem crescido, que os novos acordos comerciais trazem sinais positivos para a economia global e que Portugal “é hoje uma referência macroeconómica calma e estável”.
“Quando se diz, às vezes com demasiada facilidade, que o mundo da globalização acabou, é preciso olhar para os números com cuidado. O comércio internacional continua a aumentar. Podia crescer mais, se as barreiras fossem menores, mas continua a crescer. E a razão é muito simples: Quando deixamos de vender ou deixamos de comprar, ficamos mais pobres”, sublinhou Paulo Portas.
Na sua mensagem ao Fórum AICEP, o antigo vice-primeiro-ministro disse ainda que conheceu a AICEP e as respetivas delegações em quase todo o mundo, e deixou uma mensagem: “continuem, Portugal precisa de uma AICEP eficiente”.
No painel “Portugal nos mercados globais”, Rui Boavista Marques, delegado da AICEP na Alemanha, Luís Sequeira, delegado da AICEP no Canadá, e Carlos Moura, delegado da AICEP nos Estados Unidos, refletiram sobre o papel de Portugal no mundo.
Os sinais de recuperação da economia alemã e o reforço do investimento público em áreas como a defesa, a indústria e as infraestruturas estão a abrir novas perspetivas para as empresas portuguesas. Estas tendências estiveram em análise na intervenção de Rui Boavista Marques: "Em termos da relação bilateral, Portugal tem um superavit comercial com a Alemanha, e se olharmos para áreas tecnológicas é, muitas vezes, o primeiro mercado".
Carlos Moura abordou as tendências do mercado dos EUA, afirmando que a dimensão e a sofisticação do mercado norte-americano, a par do investimento na modernização industrial e das infraestruturas estão a criar oportunidades para as empresas portuguesas. Carlos Moura referiu que os EUA não são um mercado apenas, mas 50 estados com diferentes regulamentações que exigem diferentes análises. É assim um mercado complexo, mas repleto de oportunidades.
Por sua vez, Luís Sequeira refletiu sobre as mudanças em curso no Canadá, a diversificação das cadeias de fornecimento e o investimento em setores estratégicos: “O Canadá tem hoje uma posição muito proativa de abordar novos mercados e fornecedores".
Durante a manhã decorreram ainda dois painéis dedicados à Internacionalização e ao Investimento. No primeiro painel dedicado à Internacionalização, que contou com a participação de Carlos Gonçalves, presidente da Casa Mendes Gonçalves, Alexandra Araújo, CEO da LMA – Leandro Manuel Araújo e Pedro Castro, CEO da Aloft, debateram a internacionalização portuguesa, centrando-se na capacidade de aliar a tradição com a inovação.
A Engenharia sem Fronteiras foi o tema do painel dedicado ao Investimento, no qual intervieram Célio Albuquerque, vice-presidente da Synopsys, João Granjo Lopes, diretor-geral da Tridonic e Luís Gargaté, chief revenue officer da Critical Software.
Ana Casaca, futura presidente da AICEP, subiu ao palco para falar de ambição, escala e impacto de Portugal no mundo. Sublinhou que o tema deste Fórum traduz o momento que vivemos e que a ambição e a escala ganham sentido efetivo quando se traduzem em impacto, criando mais valor.
Manuel Castro Almeida, ministro da Economia e da Coesão Territorial, encerrou a sessão da manhã: "Uma economia como a portuguesa não pode viver fechada sobre si própria, temos de encontrar no mundo uma escala que o território, por si só, não poderia oferecer. Queremos uma economia em que as empresas produzam mais valor e em que o conhecimento não esteja separado daquilo que produzimos e vendemos. O que distingue hoje uma economia avançada é o conhecimento que coloca em cada produto, em cada serviço e em cada hora de trabalho".
Para Manuel Castro Almeida "a AICEP tem aqui o seu principal desafio: ajudar as empresas a internacionalizarem. O aumento das exportações será decisivo para o crescimento da economia portuguesa".
"A tarefa que temos diante de nós é transformar estabilidade em investimento, conhecimento em valor e presença no mundo em prosperidade dentro do país. É essa a nossa ambição", concluiu o ministro da Economia e da Coesão Territorial.
Assista aqui à sessão da manhã.
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Empresas portuguesas afirmam-se num mundo altamente competitivo
Fórum AICEP destaca Portugal no mercado global, numa reflexão sobre a competitividade e futuro.
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30/09/2026