O conteúdo importado da formação bruta de capital fixo, ou seja, do investimento em máquinas, equipamentos, construção e outros ativos, chegou a 39,9% em 2025, segundo o Boletim Económico de outubro do Banco de Portugal. Na prática, por cada 100 euros investidos em Portugal no ano passado, cerca de 40 corresponderam a bens e serviços importados. Em 2015, a proporção era de 32,9%, a preços de 2021.
O indicador inclui as importações diretas e indiretas, isto é, o equipamento adquirido já pronto e os componentes estrangeiros incorporados em bens produzidos em Portugal.
O exemplo mais extremo é o investimento associado ao centro de dados de Sines, que o banco central estima ter um conteúdo importado próximo de 100%.
Máquinas e transporte lideram
Por tipo de bem, as importações representaram 78% nas máquinas e equipamentos (76,7% em 2015) e 80% no material de transporte (73,5% em 2015). Na construção, o peso foi de 23,9%, bem acima dos 15,8% de há dez anos.
O investimento é, a par das exportações (43,4%), a componente da procura com maior peso importado. O consumo privado fica nos 27,3% e o consumo público, com o valor mais baixo, em cerca de 13%.
No conjunto da procura final, o conteúdo importado subiu de 22,4% em 1999 para 32,4% em 2025, e atingiu 33,3% no primeiro semestre de 2026. O aumento verificou-se em todos os países da área do euro, cuja média ponderada passou de 21,7% para 31,7%.
Uma tendência de décadas
O Banco de Portugal nota que as últimas três décadas trouxeram um aumento generalizado dos conteúdos importados, mais acentuado a partir de 2013 e com destaque para o investimento. Entre 2013 e 2020, o conteúdo importado do investimento subiu cerca de 7 pontos percentuais, e cerca de 80% dessa subida resultou de maior intensidade importadora dentro de cada tipo de bem. Entre 2020 e 2025, passou de 35,3% para 39,9%.
O banco associa esta evolução à especialização vertical das economias, à participação nas cadeias de valor globais e à dependência tecnológica, em particular em produtos eletrónicos, que deverá ganhar importância com a transição digital.
Fonte: Banco de Portugal (Boletim Económico de outubro), via ECO
Boletim Económico de outubro do Banco de Portugal