O 'premier' do Ontário, Doug Ford, defendeu esta terça-feira o reforço das relações comerciais com Portugal, que classificou como "parceiro comercial vital", num contexto em que os Estados Unidos estão a "virar-se para dentro". As declarações foram feitas num encontro com empresários da comunidade luso-canadiana, em Toronto, organizado pela Câmara de Comércio e Indústria Portugal-Canadá e que reuniu cerca de 170 pessoas.
Segundo Ford, o comércio bilateral entre o Ontário e Portugal ultrapassou 1,1 mil milhões de dólares canadianos em 2025 (cerca de 682 milhões de euros), existindo "enormes oportunidades" para aumentar esse valor e criar emprego nos dois territórios. O governante garantiu que Portugal encontrará no Governo do Ontário "um forte aliado" neste objetivo.
O chefe do Governo provincial identificou a indústria aeroespacial, a indústria transformadora avançada e as ciências da vida como setores onde a cooperação pode ser aprofundada, e recordou os contactos do ministro do Desenvolvimento Económico, Criação de Emprego e Comércio, Vic Fedeli, com representantes portugueses. A aproximação enquadra-se na estratégia da província para diversificar mercados, numa altura de tensões comerciais com os Estados Unidos, principal parceiro económico do Canadá. Ford voltou a criticar o protecionismo e defendeu o comércio livre como instrumento de crescimento.
Oportunidades e preocupações
O embaixador de Portugal no Canadá defendeu que há margem para elevar a relação económica com o Ontário "a um novo nível", destacando áreas em que crescem os investimentos e a cooperação: mineração, aeroespacial e defesa, tecnologias e 'software', indústria farmacêutica e ciências da vida, energias renováveis e agroindústria.
Vítor Severino, tesoureiro da Câmara de Comércio e Indústria Portugal-Canadá, disse à Lusa que a escassez de mão de obra e a incerteza económica estão entre as principais preocupações das empresas luso-canadianas no Ontário. Apontou a tecnologia e o aumento do investimento em defesa, no Canadá e na Europa, como oportunidades ainda por explorar. A câmara pretende aproximar os empresários dos decisores políticos e criar condições para contactos diretos entre empresas. "Não abrimos as portas. Juntamos as pessoas para que possam abrir as portas umas às outras", resumiu.
Fonte: Sapo Notícias