O Instituto Português da Qualidade (IPQ) apresentou o estudo «Mapeamento e Desenho do Ecossistema da Qualidade», desenvolvido pela EY-Parthenon, que propõe uma política da qualidade integrada e orientada para resultados, com o objetivo de reforçar a competitividade, a inovação e a confiança na economia e na sociedade.
O trabalho foi apresentado durante a 10.ª reunião do Fórum da Qualidade e identifica quatro objetivos estratégicos: reforçar a competitividade, a adoção, a articulação e a literacia em Qualidade. O estudo aponta 2035 como horizonte para consolidar um ecossistema integrado, assente em seis eixos de intervenção: transição digital; articulação estratégica e cooperação institucional; capacitação e desenvolvimento de competências; promoção da literacia em Qualidade; monitorização e supervisão; e criação de uma Política Nacional da Qualidade robusta, com uma governação clara.
Maria João Graça, vogal do Conselho Diretivo do IPQ, destacou a importância de uma cultura da Qualidade nas empresas e na economia, sublinhando a necessidade de fundamentar as decisões em dados científicos. «Com este estudo ficamos a ter um conhecimento exaustivo do ecossistema, para tomar as melhores decisões», afirmou.
Desenvolvido no âmbito do projeto «Qualidade Lisboa 2030», o estudo identifica uma estrutura da Qualidade institucionalmente consolidada e tecnicamente robusta, mas considera necessário reforçar a articulação e a cooperação entre os diferentes intervenientes. Assinala também assimetrias entre setores e organizações e a necessidade de promover o reconhecimento do valor da Qualidade.
Etelvina Nabais, diretora do Departamento de Assuntos Europeus e Sistema Português da Qualidade do IPQ, apresentou as iniciativas já desenvolvidas no âmbito do projeto «Qualidade Lisboa 2030», que visa contribuir para o reforço da competitividade das pequenas e médias empresas da Grande Lisboa e da Península de Setúbal. Entre as metas definidas está o reconhecimento da utilidade da informação, das metodologias ou das ferramentas disponibilizadas por mais de 65% das PME que as utilizaram.
Qualidade como facilitadora da transformação digital
A transformação digital é identificada como uma mudança estrutural no domínio da Qualidade, representando simultaneamente um desafio e uma oportunidade. O estudo salienta a necessidade de reforçar as competências digitais dos profissionais e de adaptar normas, metodologias e ferramentas tradicionais aos novos produtos e processos digitais.
A cibersegurança e a confiança digital são também apontadas como dimensões essenciais da Qualidade, a par da harmonização com os referenciais internacionais e do reforço da coordenação entre os diferentes subsistemas da infraestrutura nacional da Qualidade.
A inteligência artificial, a Internet das Coisas, a robótica, a análise de dados, a computação em nuvem e a impressão 3D são algumas das tecnologias que estão a transformar o setor. Neste contexto, a Qualidade assume um papel facilitador e impulsionador da transformação digital na sociedade.
O estudo proporciona uma visão integrada dos intervenientes, funções e interligações do Ecossistema da Qualidade em Portugal. Baseado num levantamento de informação e nos contributos das principais entidades do Sistema Português da Qualidade, constitui uma referência para reforçar a articulação entre os diferentes atores e orientar o desenvolvimento futuro do setor.
Consulte o estudo «Mapeamento e Desenho do Ecossistema da Qualidade» no microsite do projeto Qualidade Lisboa 2030.