A MCA inaugurou, na vila do Luau, última paragem do Corredor do Lobito, em Angola, o maior parque fotovoltaico de energia renovável off-grid de África. Com uma localização estratégica, o Corredor do Lobito apresenta o potencial para se tornar a primeira ligação de transporte transcontinental de África, sendo um importante eixo de desenvolvimento e integração regional que tem sido objeto de diversos investimentos europeus pelo seu posicionamento estratégico junto à fronteira com a República Democrática do Congo (DRC).
O Parque Fotovoltaico do Luau detém uma capacidade de produção de 31,85 MWp e baterias com capacidade para armazenar 75,26 MWh, para abastecer mais de 90 mil pessoas, evitando simultaneamente a emissão de 47 toneladas de CO2. Este é o segundo sistema autónomo (off-grid) do país com fonte solar e banco de baterias para fornecimento durante a noite, dispensando totalmente o consumo de qualquer combustível fóssil. A inauguração da infraestrutura contou com a presença do Presidente da República de Angola, João Lourenço e do Ministro da Energia e Águas (MINEA), João Baptista Borges.
Com a entrada em funcionamento, o Parque Fotovoltaico do Luau torna-se no maior parque off-grid do continente africano, superando o recorde anteriormente atingido no Cazombo. Recorde-se que o Parque Solar Fotovoltaico do Cazombo apresenta uma infraestrutura instalada pela MCA de 25,3 MWp de capacidade solar, 59,46 MWh de armazenamento em baterias, 40.320 módulos fotovoltaicos de 630 Wp.
Esta infraestrutura, orçada em mais de 87 milhões de euros e um total de 54.912 painéis solares instalados, gerou mais de 200 empregos locais e vai permitir uma poupança anual de cerca de 18 milhões de litros de combustível. O Parque fotovoltaico do Luau é o segundo a ser entregue no âmbito do Projeto de Eletrificação Rural de 60 comunas em Angola.
Num contexto em que a eletricidade desempenha um papel fundamental na promoção do desenvolvimento local, o Projeto de Eletrificação Rural surge como uma resposta estruturante, colocando a energia solar no centro da solução. Os parques fotovoltaicos isolados combinam produção solar e armazenamento, permitindo levar energia limpa e fiável às comunidades mais remotas, com benefícios diretos para a qualidade de vida, para a atividade económica, através da democratização dos serviços essenciais. Os primeiros resultados já são visíveis com a conclusão dos parques do Cazombo, em 2025, a que se junta agora o do Luau, numa jornada de expansão que se intensifica até 2027.
O Projeto de Eletrificação Rural, que prevê a implementação de 46 miniredes autónomas (suportadas em parques solares fotovoltaicos) e impacto estimado em mais de um milhão de pessoas, foi reconhecido na estratégia Global Gateway da União Europeia, que visa promover ligações sustentáveis, inclusivas e de elevada qualidade nos domínios da energia, do digital e das infraestruturas, contribuindo para o desenvolvimento económico e social dos países parceiros.
No âmbito da eletrificação rural, estes projetos procuram garantir o alcance a energia limpa, fiável e acessível a comunidades remotas, reforçando serviços essenciais como a saúde, a educação e a atividade económica local, enquanto apoiam a transição energética e a ação climática. Baseados em parcerias equilibradas e em elevados padrões ambientais, sociais e de governação, os projetos Global Gateway no setor da energia têm como objetivo gerar impacto duradouro nas populações, reduzir desigualdades territoriais e promover um crescimento mais sustentável e resiliente.
Projetado e construído pelo Grupo português MCA, o financiamento desta operação foi estruturado pelos britânicos do Standard Chartered Bank com o apoio da Agência de Exportação Alemã, Euler Hermes, que concedeu uma garantia de cerca de mil milhões de euros ressegurada pelas Agências de Exportação dos Estados Português e Coreano (Cosec e K Sure). A empresa pública angolana de produção de eletricidade (PRODEL Ep) é a entidade promotora.
A empresa portuguesa tem vindo a destacar-se no mercado angolano por desenvolver, com sucesso, projetos chave-na-mão que visam assegurar a utilização de infraestruturas básicas, nomeadamente abastecimento de água e instalações de produção de energia, e outras infraestruturas fundamentais, como estradas. Tudo isto complementado com um programa de responsabilidade social destinado a garantir a provisão de necessidades básicas e educação, em parceria com instituições locais.