O setor da construção e do imobiliário tem registado um crescimento sustentado, apesar dos desafios que enfrenta, como a escassez de mão de obra qualificada, o aumento dos custos de financiamento e a volatilidade dos preços das matérias-primas, considera Manuel Reis Campos. Para o presidente da CPCI, Confederação Portuguesa da Construção e do Imobiliário, resolver a crise da habitação implica uma atuação coordenada nas áreas fiscal, administrativa e territorial. A internacionalização das empresas portuguesas de construção, por outro lado, tem sido impulsionada por parcerias estratégicas e pela aposta na qualidade e especialização dos serviços.
Como tem evoluído, nos últimos anos, o setor da construção e do imobiliário em Portugal, e qual tem sido o seu papel no desenvolvimento da economia portuguesa?
Nos últimos anos, o setor da construção e do imobiliário tem-se afirmado como um dos motores da economia portuguesa, apresentando ritmos de crescimento sistematicamente superiores ao do PIB. Em 2024, enquanto a economia nacional registou um crescimento de 1,7 por cento, o Valor Bruto da Produção (VBP) da construção cresceu cerca de 3 por cento, o que reflete a resiliência e a importância estratégica deste setor. Apesar dos desafios significativos que enfrenta – como a escassez de mão de obra qualificada, o aumento dos custos de financiamento e a volatilidade dos preços das matérias-primas – o setor manteve uma trajetória de crescimento sustentado.
Este desempenho contribuiu de forma decisiva para o investimento e para o emprego, tendo um papel estruturante no desenvolvimento do território e na resposta a desafios como a crise da habitação, a descarbonização do edificado e a modernização das infraestruturas. Para 2025, perspetiva-se a continuação desta dinâmica, sustentada pela retoma do investimento público e privado, pela progressiva redução das taxas de juro e pelo reforço da execução dos fundos europeus.
A CPCI – Confederação Portuguesa da Construção e do Imobiliário agrega diversas associações do setor. O que levou à sua criação e quais as principais vantagens de congregar a fileira da construção?
A CPCI nasceu da necessidade de unir e representar, de forma coesa e eficaz, toda a fileira da construção e do imobiliário. Integrando praticamente todas as associações do setor, a sua criação veio reforçar a capacidade de influência junto dos decisores públicos, assumindo-se como interlocutor estratégico no CES – Conselho Económico e Social, no CNCP – Conselho Nacional das Confederações Patronais, no IMPIC - Instituto dos Mercados Públicos, do Imobiliário e da Construção, na ACP – Autoridade para as Condições do Trabalho, no IHRU - Instituto da Habitação e da Reabilitação Urbana e noutras plataformas de diálogo institucional. A sua ação tem sido determinante para afirmar a relevância económica e social da construção e do imobiliário, contribuindo de forma decisiva para o crescimento económico, a criação de emprego e a melhoria da qualidade de vida das populações.
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