Enquanto o modelo sul-africano mostra as suas limitações, o Reino posiciona-se como uma plataforma estratégica para a indústria automóvel em África.
O grupo alemão Volkswagen planeia reorientar parte da sua capacidade industrial para África, e Marrocos surge como uma opção particularmente credível. Esta reflexão surge num contexto em que a indústria sul-africana tem dificuldade em atingir os seus objetivos, confrontada com volumes limitados, uma procura interna em queda e a transição energética para os veículos elétricos que tem dificuldade em impor-se.
No Volkswagen Indaba, no início de fevereiro, Martina Biene, diretora-geral do Volkswagen Group Africa, fez uma constatação clara: a produção sul-africana está estagnada em 610.000 veículos por ano, longe da meta de um milhão estabelecida pelo plano nacional. Esse nível limita a massa crítica necessária para sustentar os investimentos industriais e a competitividade dos fornecedores locais.
A queda na procura interna acentua a vulnerabilidade: a quota de veículos produzidos localmente caiu para cerca de um terço, enquanto em meados da década de 2000 ultrapassava os 50%. As importações dominam agora o mercado, reduzindo a eficácia dos incentivos e enfraquecendo a base industrial nacional.
A isto acresce uma forte dependência dos mercados europeus, que absorvem cerca de 76% das exportações sul-africanas da Volkswagen. A aceleração da transição para veículos elétricos, combinada com uma preparação insuficiente da fábrica sul-africana, expõe o modelo centrado nos motores térmicos a riscos crescentes, já visíveis com as primeiras penalizações relacionadas com as emissões de CO₂.
Neste contexto, Marrocos destaca-se como uma alternativa estratégica. O reino oferece estabilidade energética, proximidade logística com a Europa e um ecossistema automóvel estruturado, já orientado para a exportação e capaz de integrar as novas cadeias de valor relacionadas com a mobilidade elétrica.
Esta possível reorientação da Volkswagen destaca uma reestruturação industrial em África, onde o desempenho dos volumes, a transição energética e a estratégia de exportação estão a redefinir os centros automóveis. Para Marrocos, é uma oportunidade de reforçar a sua posição face aos outros países africanos e de se impor como um interveniente incontornável para os fabricantes internacionais.