A inteligência artificial (IA) veio para ficar, estando a ser amplamente adotada pelo mundo. Contudo, um estudo da Bain refere que os portugueses estão a adotar mais ferramentas de IA generativa do que a média europeia.
O estudo comparou cinco dos principais ecossistemas digitais, tendo concluído que Portugal se destaca na adoção de IA generativa, com 62% dos utilizadores a afirmarem que utiliza estas ferramentas regularmente, num valor superior à média europeia, que está nos 52%.
A utilização destas ferramentas para uso pessoal tem aumentado na Europa nos últimos dois anos, com cerca de 68% dos inquiridos a afirmarem que já utilizaram ou utilizam atualmente estas ferramentas. Em Portugal, a percentagem disparou nos últimos quatro anos, chegando aos 62%.
João Valadares, partner da Bain &Company, afirma que “este estudo mostra que Portugal é um mercado recetivo às ferramentas de Gen AI, com níveis de confiança e adoção superiores à média europeia. Os dados mostram a versatilidade de usos que estas ferramentas têm no dia-a-dia dos portugueses e como, gradualmente, começam a substituir métodos tradicionais de pesquisa, alterando os comportamentos de consumo e de acesso à informação”.
Estas ferramentas são maioritariamente adotadas pela geração Z e pelos Millennials, o que contrasta com a geração Boomer e Silent Generation, que registam uma maior percentagem de desconfiança ao conteúdo produzido por estas ferramentas.
Portugal destaca-se como o maior país com maior percentagem de confiança, com 54%.
Cerca de 32% da média dos inquiridos europeus revelam que nunca utilizaram estas ferramentas, maioritariamente devido a preocupações quanto à privacidade dos dados.
Já entre os motivos que levam os europeus a adotarem estas tecnologias no âmbito pessoal estão a procura de novas aprendizagens, a procura por eficiência e apoio ao desenvolvimento de conteúdos criativos.
O estudo conclui que estas tecnologias são mais utilizadas como recurso a pesquisa de informação, de explicação de conceitos complexos e escrita.
A IA generativa também está a mudar os hábitos de pesquisa dos utilizadores, com seis em cada dez pessoas a não clicarem em nenhum site quando a informação que procuram surge em resumos gerados por esta ferramenta. Esta é uma tendência que tem impacto direto para marcas, media e empresas de e-commerce, uma vez que reduz o tráfego direto.
Cerca de 18% dos utilizadores revelam substituir os motores de pesquisa por ferramentas de IA generativa na maioria das vezes ou quase sempre. Já em Portugal, 38% afirmam utilizar os motores de pesquisa com maior frequência do que ferramentas de AI generativa, o que indica uma transição mais gradual neste mercado.
A utilização destas ferramentas está a consolidar-se, especialmente no que diz respeito à sua credibilidade como fonte de pesquisa. O estudo salienta que os países ibéricos destacam-se neste contexto, apresentando uma margem de confiança 10 pontos percentuais acima da média de outros mercados.
Leah Johns, practice director & leader do Global Consumer Lab da Bain & Company, afirma que “estamos a entrar numa nova fase da transformação digital que desafia a forma como os consumidores pesquisam e descobrem informação online. Se antes as marcas competiam para aparecer no topo dos resultados de pesquisa, agora procuram relevância dentro das ferramentas de Gen AI, que fornecem informação aos utilizadores de forma rápida, concisa e personalizada”.
Jornal Económico