O Primeiro-Ministro, Luís Montenegro, anunciou hoje a criação de um Plano de Recuperação e Resiliência exclusivamente português, que apelidou de PTRR, para responder às consequências do mau tempo e reforçar a resiliência das infraestruturas críticas, bem como o aumento da linha de crédito à tesouraria para mil milhões de euros.
O anúncio foi feito em Alcácer do Sal, no distrito de Setúbal, durante uma visita às zonas afetadas pelas cheias, após reunião do Conselho de Ministros.
Plano de Recuperação e Resiliência exclusivamente português
O Primeiro-Ministro afirmou que já foram dadas orientações aos ministérios para avançar com "um grande plano de recuperação e resiliência para Portugal", após "uma reflexão muito aprofundada no Conselho de Ministros".
Luís Montenegro assegurou que "ninguém vai ser esquecido" e sublinhou que haverá "uma resposta nacional para um problema que afetou todo o território", através de um plano "exclusivamente português".
O plano incluirá uma intervenção estrutural nas infraestruturas essenciais — "infraestruturas básicas, rodoviárias, ferroviárias, de energia, de água e de serviços públicos" — tendo o Primeiro-Ministro salientado que "temos pela frente um desafio enorme" para recuperar e reforçar a resistência a futuros fenómenos.
Luís Montenegro destacou ainda o "contacto permanente" com o Presidente da República, Marcelo Rebelo de Sousa, explicando que "fomo-nos revezando" nas visitas aos territórios afetados para garantir presença no maior número possível de comunidades.
Linha de crédito reforçada para mil milhões de euros
O Primeiro-Ministro anunciou também o reforço da linha de crédito à tesouraria para empresas afetadas pelo mau tempo.
Segundo explicou, já existem "cerca de 3 500 candidaturas", no valor de 700 milhões de euros, tendo o Conselho de Ministros decidido "subir de 500 para 1 000 milhões de euros o volume global". Trata-se de "um empréstimo que dá um período de carência".
Luís Montenegro afirmou ainda que os apoios estão a chegar a pessoas e empresas "com uma rapidez muito grande" e reconheceu que essa perceção pode não ser imediata para quem está a enfrentar dificuldades. "Sei que dizer isto pode parecer um bocadinho difícil de compreender a quem está na dificuldade, mas estamos a fazer o esforço máximo que é possível", assegurou.
O Chefe do Governo reiterou a responsabilidade das seguradoras e apelou às autarquias para que acompanhem "as vistorias rapidamente", de modo a permitir a disponibilização célere dos apoios às habitações e aos comércios.
Reconhecendo as dificuldades sentidas por cidadãos e empresários, assegurou que "estamos a fazer o esforço máximo que é possível".
Vigilância e resposta no terreno
Referindo-se à situação em Alcácer do Sal, Luís Montenegro alertou que se trata de "uma terra particularmente exposta" e admitiu que "ainda vamos ter algumas horas difíceis pela frente".
Considerou ainda que "Alcácer tem sido um bom exemplo" de articulação entre entidades públicas e privadas, tendo sido possível "salvaguardar as vidas das pessoas" e assegurar a normalidade possível.