A inovação tecnológica tem vindo a assumir um papel central na resposta aos desafios globais da sustentabilidade alimentar. No domínio dos recursos marinhos, esta necessidade é ainda mais evidente, exigindo soluções que conciliem produção, ética e preservação ambiental. É neste enquadramento que surge a operação CellBlue – Alimentos do Futuro através da Biotecnologia Azul Celular, promovida pela Cell4Food – Cellular Culture, SA e cofinanciada pelo COMPETE 2030.
A Cell4Food é uma empresa portuguesa de biotecnologia azul dedicada ao desenvolvimento de tecnologias de agricultura celular aplicadas a espécies marinhas. Vítor Verdelho, CEO da empresa, explica que a Cell4Food opera “segundo um modelo de negócio B2B, centrado na criação e licenciamento de plataformas tecnológicas e propriedade intelectual para a indústria agroalimentar, contribuindo para a transição para sistemas alimentares mais sustentáveis e resilientes”.
Uma visão estratégica para a biotecnologia azul
O projeto CellBlue nasce de uma ambição clara e estruturada. De acordo com Vítor Verdelho, o projeto surge “no contexto de uma visão estratégica clara: posicionar Portugal como um ator relevante na biotecnologia azul europeia, através do desenvolvimento de tecnologias de produção alimentar inovadoras, sustentáveis e alinhadas com a preservação dos ecossistemas marinhos”. Esta visão reflete a aposta na valorização do conhecimento científico nacional e na criação de soluções com impacto além-fronteiras.
O financiamento do projeto, assegurado no âmbito do COMPETE 2030, é descrito como um fator decisivo para a sua concretização. O CEO sublinha que este apoio surge através do Sistema de Incentivos à Investigação e Desenvolvimento Empresarial, “um instrumento fundamental para transformar conhecimento científico em inovação com impacto económico, ambiental e social”. Segundo Vítor Verdelho, este enquadramento permite “desenvolver tecnologia de fronteira com o tempo, a escala e o rigor necessários para a sua futura validação industrial”.
Produção celular de polvo: um avanço pioneiro
Um dos aspetos mais inovadores do CellBlue é o desenvolvimento da primeira tecnologia nacional para a produção de biomassa de polvo a partir de células. Como refere o testemunho, “no CellBlue, está a ser desenvolvida a primeira tecnologia nacional para a produção de biomassa de polvo a partir de células, especificamente da espécie Octopus vulgaris”. Este avanço representa um passo pioneiro para a aquacultura do futuro, ao introduzir novas formas de produção alimentar.
Este desenvolvimento permite, como explica Vítor Verdelho, “dissociar a produção alimentar da exploração direta dos recursos marinhos, reduzindo a pressão sobre os stocks naturais e criando oportunidades para cadeias de valor sustentáveis e de elevado valor acrescentado”. Trata-se de uma abordagem que alia inovação tecnológica à responsabilidade ambiental.
Compete2030