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Agência para o Investimento e Comércio Externo de Portugal

CABEÇALHO

Os intermediários financeiros espanhóis têm assumido as rédeas da produção de “research” para cotadas nacionais, procurando responder a um crescente interesse por parte de investidores espanhóis no mercado nacional devido à situação económica do país.

A atividade de "research" em Portugal tem sofrido mais baixos do que altos nos últimos anos. Mas a saída de importantes intermediários financeiros de Portugal está a ser compensada pela chegada de bancos de investimento espanhóis. À exceção do Caixa BI são três as entidades que garantem a maior cobertura de cotadas em Portugal, todas elas espanholas.

Os intermediários financeiros espanhóis têm vindo a aumentar a sua aposta na cobertura do mercado de ações em Portugal. Entidades como o JB Capital Markets e o Bankinter seguem agora um maior número de empresas cotadas na bolsa.

No caso do JB Capital Markets são 17 as empresas acompanhadas – 14 no PSI-20 e três fora (Novabase, Vista Alegre e Merlin).

Já o Bankinter mantém, para já, o acompanhamento de cinco títulos, mas garante que vai passar a seguir mais 10 empresas nos próximos meses. O banco assegura que, no final do primeiro semestre, acompanhará cerca de 98% do PSI-20 em valor de mercado, uma aposta que tem como objetivo ajudar a dinamizar a negociação de títulos, mas também responder a um crescente interesse de investidores estrangeiros, sobretudo espanhóis, em Portugal.

"Prevemos um aumento da procura por ações portuguesas por parte de investidores internacionais, atraídos pelos preços relativamente mais baixos (PSI-20 em 2019 ficou na cauda da Europa) e pelos elevados dividendos pagos pelas principais cotadas nacionais, numa altura em que se vive uma autêntica ‘caça ao dividendo’ nos mercados, perante o baixo nível de taxas de juro", afirma João Pisco, analista do Bankinter Portugal, ao Negócios.

O JB Capital Markets, que se registou recentemente enquanto membro autorizado a operar no mercado português, além de acompanhar um grande número de cotadas no mercado nacional, garante ainda a cobertura da Ramada e da Novabase, ambas sem qualquer outro banco de investimento.

Além destas duas entidades com forte presença em Portugal há ainda um terceiro elemento que fala "espanhol": o CaixaBank/BPI. Controlado pelo espanhol CaixaBank, após a conclusão da aquisição do BPI, continua, a par do CaixaBI, a ser o mais ativo na produção de "research" e no número de empresas nacionais cotadas que acompanha. Seguem ambos 16 cotadas do PSI-20 e mais três no índice geral.

O CaixaBank/BPI acompanha ainda a Cofina e a Impresa, ambas com a cobertura sob revisão neste momento, e a Merlin, que recentemente fez o seu "dual listing" na bolsa portuguesa. Já o CaixaBI, além das duas empresas de media, segue a Sonae Indústria.

Menos "research" nacional


Esta aposta de intermediários espanhóis na avaliação de empresas portuguesas vem, assim, preencher uma lacuna que foi aberta com a saída de entidades como o Haitong. A antiga unidade de investimento do BES largou a cobertura de títulos ibéricos no final de setembro. Mas não foi a única instituição a deixar de seguir ou a reduzir a cobertura da bolsa portuguesa.

Várias entidades nacionais desinvestiram das suas unidade de "research", como é o caso do BCP, enquanto outras divisões de investimento foram afetadas por crises no setor. É o caso do Banif IB, que, antes da resolução do banco, acompanhava várias cotadas da praça nacional. O banco BiG mantém ainda alguma atividade de "research", mas são poucas as empresas analisadas: REN, Navigator e Galp Energia. Das 18 cotadas do PSI-20, a Pharol e a Ramada são as que têm menor acompanhamento pela parte de analistas.

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