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AICEP
Agência para o Investimento e Comércio Externo de Portugal

CABEÇALHO

O acordo, assinado entre a CIP e a Confédération Générale des Entreprises du Maroc (CGEM), estabelece "uma ambiciosa agenda de objetivos que visa impulsionar a indústria dos dois países".

A profundar as relações económicas entre Portugal e Marrocos e estreitar as relações entre as diferentes entidades privadas empresariais foram os pressupostos que estiveram na base da criação do Conselho Económico Portugal-Marrocos. O acordo, assinado entre a CIP e a Con- fédération Générale des Entreprises du Maroc (CGEM), estabelece "uma ambiciosa agenda de objetivos que visa impulsionar a indústria dos dois países".


O acordo materializou-se por ocasião da visita do Secretário de Estado da Internacionalização de Portugal, Eurico Brilhante Dias, a Marrocos e por iniciativa da CIP, que coordenou a visita de uma missão empresarial a Rabat, capital do país, e a Casablanca, na qual igualmente participaram várias associações setoriais, representantes da metalomecânica, do digital, do têxtil ou do automóvel. "Num momento-chave para a transformação industrial dos dois países, o Conselho Económico Portugal-Marrocos juntará os representantes dos setores meta- lomecânico, digital, têxtil, automóvel, aeronáutica, saúde e energia", sublinhou a CIP em comunicado de imprensa.


O acordo foi assinado pelo líder da delegação portuguesa, Armindo Monteiro, Vice-Presidente da CIP, que foi acompanhado por Rafael Campos Pereira, em representação da AIMMAP, Manuel Grilo, em representação do CENFIM, Pedro Ramalho e Adão Ferreira, em representação da AFIA, e Miguel Pedrosa Rodrigues, em representação da ATP.


Na sua intervenção durante a sessão que se seguiu à assinatura do acordo, na qual intervieram representantes portugueses e marroquinos, Rafael Campos Pereira falou na proximidade entre Portugal e Marrocos, quer geográfica quer histórica, com as relações entre os dois países a registarem um crescimento aprofundado nos últimos 30 anos. "Mas ainda existe um grande potencial inexplorado. Um vínculo mais estreito entre os dois países pode igualmente ser benéfico para as relações entre a Europa e a África", mencionou. Rafael Campos Pereira descreveu a indústria metalúrgica e metalomecânica portuguesa como um setor poderoso em Portugal, sendo a primeira força exportadora do país e em crescimento contínuo. "74% das nossas exportações vão para países da União Europeia, mas as exportações para terceiros países representam uma parte cada vez mais importante. O mercado de Marrocos viu a sua quota de mercado aumentar 45%, sendo agora o nosso 10° destino. Esse aprofundamento das relações comerciais é recíproco. Entre 2010 e 2020, as exportações de Marrocos para Portugal aumentaram mais de 400%", disse na sua intervenção.


O executivo abordou ainda as vantagens de os dois países se aproximarem e intensificarem o comércio, principalmente de peças técnicas e tecnologias de produção, necessárias para os diversos setores da economia marroquina. "Mas podemos e devemos ir além do comércio", disse Rafael Campos Pereira. "Devemos também trabalhar nessa cooperação em outras áreas, como a formação profissional. O setor da metalurgia tem tomado medidas muito importantes no quadro da transição digital e energética - um esforço que deve ser continuado - e uma mão-de-obra qualificada é fundamental para apoiar este desenvolvimento, bem como para assegurar a diferenciação dos nossos produtos".


Embora a indústria metalúrgica portuguesa continue "a demonstrar força e a atingir números recordes em 2021", Rafael Campos Pereira salientou com preocupação a falta de mão- -de-obra qualificada, que representa um desafio a curto e médio prazo. "Criámos o CENFIM e seria muito interessante trabalharmos em conjunto, com Marrocos, para desenvolver as competências necessárias e úteis a estes setores, muito expostos à concorrência global".


Além da assinatura da constituição do Conselho Económico Portugal-Marrocos, a CIP reuniu-se com o Ministério da Indústria de Marrocos e participou no Fórum Empresarial - focado no setor da energia, o assunto que marca a agenda mundial - e que foi organizado pela Embaixada de Portugal e pela AICEP.

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