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Agência para o Investimento e Comércio Externo de Portugal

CABEÇALHO

Terão de ser criados mecanismos de controlo nos portos, garantindo que na República da Irlanda se pagam taxas europeias e na Irlanda do Norte taxas britânicas, levando assim a uma espécie de fronteira física entre as duas Irlandas no mar!

O Brexit e a City de Londres
No contexto do acesso ao mercado único europeu, os serviços financeiros são os mais ameaçados pelo Brexit, quer pela importância que a indústria financeira tem no Reino Unido (RU) muito superior à da indústria manufactureira quer porque perderiam o passaporte europeu que permite aos seus bancos venderem serviços e terem liberdade de estabelecimento nos países da União Europeia (UE), quer ainda porque a indústria manufactureira poderia reger-se pelas regras da Organização Mundial do Comércio e através delas continuar a exportar para o mercado único europeu.


 

Neste enquadramento, a questão candente é o futuro da City como a grande praça financeira da Europa Recorde-se que, apesar de o RU não estar no euro, Londres conseguiu afirmar-se como o grande centro financeiro da zona euro, graças à sua regulação "lighf', ao estilo anglo-saxónico no "doingbusiness", à flexibilidade do seu mercado de trabalho e emprego, à língua, ao "know-how" e à sua "pool" de financeiros e profissionais muito qualificados.


Uma saída sem acordo ("hard" Brexit) poria sérios problemas à indústria financeira londrina, designadamente: na continuidade dos contratos; no reconhecimento das "clearinghouses" do RU; na transferência de dados.

Será que, apesar do Brexit e graças a esse ecossistema existente em Londres, a City conseguirá mesmo com um acordo ("soft" Brexit) evitar a deslocalização do centro financeiro europeu para Frankfurt, coisa que os alemães tudo farão para conseguirem?

2. 0 acordo UE-RU ("soft" Brexit)
Estamos a tratar da saída do RU da UE, depois de durante sessenta anos se ter sistematicamente reforçado a unidade, a solidariedade e a integração europeias com a consecutiva adesão de novos membros, um dos quais foi precisamente o RU.

 

O Brexit põe em causa as complexas cadeias de abastecimento, as cadeias de valor internacionais e aestreitaparceriaque as empresas europeias e britânicas estabeleceram nas últimas décadas graças ao Mercado Único Europeu e aos acordos de comércio livre (FTA) concluídos pelaUE com o resto do mundo. Assim será preocupação natural dos empresários europeus que se mantenham tão estreitas quanto possível as relações com os empresários britânicos, ao mesmo tempo que se preserva a integridade do Mercado Único Europeu.


Para os meios empresariais britânicos, os serviços financeiros, como já referido, e a indústria automóvel, sector em que aliás se foi muito longe na construção de cadeias de valor internacionais, são dois dos sectores em que existe maior preocupação com o Brexit.


Os modelos económicos construídos foram sempre para estudar a integração de novos membros e não para a saída de um deles. Por isso não existe um modelo económico de referência que permita simular com algum realismo a saída, vai-se navegar em território desconhecido.


A questão política e economicamente mais sensível e difícil foi a relação futura sem fronteiras entre uma República da Irlanda, que fica no Mercado Único Europeu, e a lrlandado Norte, território sobre domínio britânico, e que sairá com o RU desse Mercado Único Europeu. Os acordos de Sexta-feira Santa tinham acabado com a guerra fratricida entre católicos e protestantes e estabelecido a ausência de fronteira entre as duas Mandas. Se não houvesse acordo, ter-se-ia de voltar a pôr uma fronteira entre as duas Mandas e isso levaria ao risco de se reacender o conflito e acabar com os acordos de Sexta-feira Santa
O acordo de Bóris Johnson é em tudo semelhante ao dasenhora May, excepto no famoso "backstop".


Agora o compromisso entre RU e aUE é o de alrlandado Norte ficar em União Aduaneira com o Reino Unido, sendo ao mesmo tempo uma porta de entrada no Mercado Único através da República da Irlanda Assim, a Irlanda do Norte, parase assegurar aintegridade do Mercado Único Europeu, terá de manter algumas regras europeias, como por exemplo no controlo de qualidade dos produtos. A má língua contra BJ diz então que formalmente a Irlanda do Norte estará no território aduaneiro do RU, mas na prática permanecerá na UE...


Depois para se evitar o contrabando através da Irlanda do Norte para a Irlanda e, portanto, para o Mercado Único Europeu, terão de ser criados mecanismos de controlo nos portos, garantindo que na República da Irlanda se pagam taxas europeias e na Irlanda do Norte taxas britânicas, levando assim a uma espécie de fronteira física entre as duas Mandas no mar!


Assim sendo, as empresas situadas na Irlanda do Norte terão de pagar aí apriori taxas europeias para receberem bens provenietes do Reino Unido, havendo assim uma descontinuidade fiscal entre o RU e a Irlanda do Norte... Depois duas hipótese se põem: caso os bens fiquem na Irlanda do Norte, as taxas serão devolvidas às empresas, e assim elas não pagarão a taxa europeia; caso os bens sejam expedidos da Irlanda do Norte e entrem na República da Irlanda, então as taxas não serão devolvidas, a UE arrecadará essas taxas, tratando essas empresas irlandesas do Norte como portas avançadas do Mercado Único Europeu.


Veremos como na prática vai funcionar tão imaginativo esquema...

3. 0 impacto do Brexit na economia portuguesa
ACIP - Confederação Empresarial encomendou à Ernest Young- Augusto Mateus & Associados um estudo sobre esta matéria
O estudo concluiu que no cenário mais optimista de "soft" Brexit, teremos um impacto negativo de 15% nas exportações portuguesas para o RU, levando a um impacto potencial entre 0,5% e 1% no PIB nacional, mais pessimista do que no estudo belga


Os sectores mais sensíveis com risco elevado nas exportações serão: produtos informáticos, electrónicos e ópticos, equipamentos eléctricos, veículos automóveis, reboques e semi-reboques.


Entre os que apresentam risco médio-alto estão os produtos alimentares, as bebidas, o tabaco, o ITV, o couro, o papel, os produtos farmacêuticos, os produtos metálicos, as máquinas e equipamentos e o mobiliário.


Entre os mais resilientes teremos a silvicultura, a aquicultura, a exploração florestal e a pesca

O Alto Minho, o Cavado, Vale do Ave e Tâmega e Sousa serão as regiões mais afectadas, atendendo à sua especialização produtiva.


Atendendo ao sector do turismo, as áreas mais afectadas serão naturalmente a Área Metropolitana de Lisboa, Algarve e Madeira


*Resumo do artigo com o mesmo nome escrito nas "Perspectivas Empresariais" do Fórum para a Competitividade

Artigo em conformidade com o antigo Acordo Ortográfico

O Alto Minho, o Cavado, Vale do Ave e Tâmega e Sousa serão as regiões mais afectadas, atendendo à sua especialização produtiva.

O acordo de Bóris Johnson é em tudo semelhante ao da senhora May, excepto no famoso "backstop".

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