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Agência para o Investimento e Comércio Externo de Portugal

CABEÇALHO

A Leonardo Hotels comprou na semana passada o antigo convento Corpus Christi na Baixa lisboeta para criar um hotel num investimento de 60 milhões. Os planos do grupo israelita passam pela expansão em Portugal com foco no Porto e no Algarve.

A Leonardo Hotels, divisão europeia do grupo israelita Fattal Hotel Group, estreou-se em Portugal com a aquisição, na semana passada, do convento Corpus Christi, localizado no coração da Baixa lisboeta, para ser reconvertido num hotel de quatro estrelas. Ao Negócios, Shay Raz, diretor-geral da Leonardo Hotels para Espanha e Portugal, indica que o grupo pretende expandir as operações no mercado nacional.

“Estamos em negociações para vários projetos em Portugal e o nosso plano é abrir novos hotéis no Porto e no Algarve”, refere o responsável. Também em estudo estão novas unidades na capital portuguesa, seguindo a estratégia do grupo de não contar apenas com um único estabelecimento nas cidades onde está presente. Shay Raz não se compromete com prazos para a concretização destes negócios, mas adianta que “ficaríamos muito satisfeitos se concluirmos brevemente algumas das negociações em curso”. A opção poderá não passar pela compra de hotéis, diz o responsável, explicando que “50% das nossas operações são hotéis arrendados, que apenas gerimos”.

O diretor do grupo hoteleiro assinala ainda que o programa Revive, em que o Estado concessiona por períodos longos património público degradado ou devoluto para ser explorado para fins turísticos, poderá apresentar boas oportunidades para a Leonardo Hotels. “Ainda não nos candidatámos a nenhum projeto, mas é um programa que estamos a analisar e que se enquadra na nossa linha de recuperar edifícios históricos e reconvertê-los em hotéis”, diz.

Estreia em Lisboa com investimento de 60 milhões

 

A entrada no mercado português representou um investimento de 60 milhões de euros do grupo israelita, revelou ao Negócios Shay Raz. “A aquisição do imóvel [à Optylon Krea, empresa de capitais franceses e turcos] foi feita por 40 milhões de euros e a reabilitação do edifício rondará os 20 milhões de euros.”

O responsável adianta também que a expectativa é que o novo hotel de 130 quartos, que será explorado sob a insígnia Leonardo Royal Hotels , seja inaugurado em 2022. “Atualmente estamos na fase de projeto, que deverá durar uns meses. E estimamos que as obras de reabilitação total do edifício demorem entre 18 e 20 meses”, detalha Shay Raz.

De carregador de malas a milionário

David Fattal, o fundador do grupo hoteleiro israelita, é um exemplo de um “self-made man”. Nascido em Israel em 1957, filho de refugiados iraquianos, David começou como empregado de mesa, carregador de malas e, mais tarde, rececionista em vários hotéis de Israel. Aos 27 anos, era já vice-gerente de um hotel na cidade israelita de Herzliya, nos arredores de Telavive. Quatro anos mais tarde, assumiu a gerência de um hotel de luxo em Eilat, cidade turística no Sul de Israel, junto ao mar Vermelho.

Em 1998, aos 41 anos, David Fattal fundou o seu próprio grupo hoteleiro que conta atualmente com 28 hotéis em Israel, sendo o maior operador neste país.

Em 2007 o grupo expandiu-se para a Europa com a abertura da primeira unidade no Velho Continente, em Berlim. No ano seguinte, David Fattal sofreu um revés: foi uma das vítimas do corretor Ido Samuel, que desviou milhões de euros de diversos investidores. O prejuízo para o fundador do grupo hoteleiro rondou os 800 mil euros.

Através de uma estratégia agressiva de aquisições, o grupo tornou-se, em 2009, o maior de Israel. Entretanto, também na Europa foi aumentando o portefólio até aos atuais cerca de 180 hotéis. Em 2018, o grupo entrou na bolsa israelita.

Já este ano a divisão europeia do grupo comprou, além do convento em Lisboa, um imóvel no centro de Liverpool, por 7,2 milhões de euros, para construir um hotel de 210 quartos. Também investiu 9,5 milhões na compra de um hotel em Bucareste e outros 17 milhões de euros na aquisição de um hotel em Budapeste.

Convento ligado a regicídio falhado

 

A primitiva Igreja do Corpus Christi começou a ser construída em 1648 por ordem da rainha D. Luísa de Gusmão como ação de graças pela tentativa de regicídio falhada em junho de 1647 contra D. João IV, durante a procissão do Corpo de Deus. O convento anexo foi edificado posteriormente, e entregue aos Carmelitas Descalços em 1661, tendo sido praticamente destruído no terramoto de 1755. A reconstrução acabou por integrar os edifícios na malha ordenada da Baixa Pombalina, e o novo convento, ocupando quase todo o quarteirão, foi parcialmente dividido em lojas e apartamentos para arrendar, destinadas a proporcionar rendimento aos frades. Delimitado pela Rua dos Fanqueiros, Rua dos Douradores, Rua da Vitória e Rua de São Nicolau, o edifício foi classificado em 2013 como Monumento de Interesse Público.

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