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AICEP
Agência para o Investimento e Comércio Externo de Portugal

CABEÇALHO

O CEO da Indico Capital Partners considera que a necessária resolução de problemas ambientais está a fazer emergir uma série de oportunidades de investimento em tecnologia e inovação. Uma grande oportunidade para Portugal, dada a sua grande exposição ao mar.

Portugal é um país oceânico com uma linha de costa de cerca de 2500 km e uma das maiores Zonas Económicas Exclusivas do mundo. O triângulo marítimo português, que inclui o território continental, a Madeira e os Açores, constitui 48% da totalidade das águas marinhas sob jurisdição dos Estados-membros da União Europeia em espaços adjacentes ao continente europeu. Para além disto, segundo a Estratégia Nacional para o Mar 2021-2030, a zona de domínio pode ser alargada, caso o processo de delimitação que está a decorrer junto das Nações Unidas chegue a bom porto, o que tornará Portugal ainda mais atlântico.

A par disto, acresce o momento atual propício ao investimento em novas soluções mais amigas do ambiente, o que pode ser uma grande oportunidade para países como Portugal. Neste sentido, Stephan Morais, CEO da Indico Capital Partners, considera que "Portugal pode ter um papel muito relevante a nível europeu", destacando que "se as nossas PME tiverem a ambição que demonstramos nas startups, podemos ter em Portugal empresas enormes à escala mundial. Nunca foi tão fácil ir do zero aos cem como hoje em dia".


A aposta será, portanto, na inovação, para aproveitar esta maré que conjuga situação geográfica com necessidade de adaptação devido às alterações climáticas. "Uma das grandes vantagens de Portugal é ter um mercado interno muito pequeno. Isso obriga a que as nossas empresas que têm ambição e que realmente são diferenciadoras à escala mundial procurem o mercado externo imediatamente. E, ao contrário de antigamente, hoje em dia, a forma de chegar aos clientes mundiais por causa da digitalização é muito mais fácil. Portanto, nunca foi tão bom na história mundial ser uma empresa num país pequeno, pois pode estar a concorrer em pé de igualdade com qualquer país grande. Por isso é que há sete unicórnios em Portugal, nunca antes isso aconteceu na história portuguesa", acrescenta o CEO.


Stephan Morais destaca também o papel dos fundos de investimento para permitir às empresas fazerem os investimentos necessários para tirarem proveito das oportunidades que a transição climática oferece: "Os fundos podem aqui ter dois papéis. O papel próprio dos fundos de investimento, que é a capitalização das empresas. As empresas não podem ir todas à banca, porque dívida já temos o suficiente e agora temos de equilibrar as empresas de forma a elas terem mais capital. Portanto, os fundos de capitalização injetam capital na empresa e aí nós tornamo-nos sócios. Aparte disso, o facto de sermos acionistas e não simplesmente fornecedores de dívida implica que somos parte do conselho de administração, influenciamos diretamente a gestão da empresa"


Neste sentido, o novo Indico Blue Fund, no valor de 50 milhões de euros, lançado pela sociedade de capital de risco portuguesa, visa "direcionar as empresas para que elas tomem decisões de gestão que sejam mais positivas para o ambiente e que não são necessariamente más para o negócio. Pelo contrário, começam a ser cada vez melhores, porque quanto mais nos aproximarmos da sustentabilidade mais mercado teremos, porque também é isso que os clientes finais cada vez mais querem", finaliza o investidor.

As empresas não podem ir todas à banca, porque dívida já temos o suficiente e agora temos de equilibrar as empresas de forma a elas terem mais capital.

Nunca foi tão bom na história mundial ser uma empresa num país pequeno, pois pode estar a concorrer em pé de igualdade com qualquer país grande.

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