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AICEP
Agência para o Investimento e Comércio Externo de Portugal

CABEÇALHO

Exportações: Além das verbas do Compete 2030, a Agência para o Investimento e Comércio Externo de Portugal conta com um orçamento próprio de quatro milhões de euros para a realização de 150 ações em mais de 40 mercados.

Os apoios à internacionalização das empresas vão duplicar em 2024. Aprovados estão já projetos no valor de 29 milhões de euros, contabilizando já a quota-parte das empresas no investimento, mas está já a decorrer novo aviso, com candidaturas até 31 de janeiro, que prevê apoios de 18 milhões. Somando a comparticipação individual das empresas, serão mais 36 milhões de euros que servirão para apoiar a diversificação de mercados internacionais que, somados aos 29 milhões já aprovados, fazem subir para 65 milhões os apoios totais, no âmbito do Compete 2030, mais do dobro comparativamente aos 31 milhões aplicados este ano no mesmo fim. O aumento da base exportadora e a maior procura das empresas por apoios à internacionalização explicam este crescimento, diz a Agência para o Investimento e Comércio Externo (AICEP), com uma "maior aposta no apoio à promoção das exportações".

 

Os dados foram ontem apresentados por Filipe Santos Costa, presidente da AICEP, na 11Automotive Industry Week, certame organizado pela Associação de Fabricantes para a Indústria Automóvel. Um espaço onde destacou a aposta nacional na transição energética e digital, mas também na educação e qualificação e na logística, que permitem que o país conte hoje com um ecossistema bem sucedido ao nível da mobilidade automóvel.

 

E mesmo as questões referentes à falta de mão-de-obra têm de ser vistas pelo lado positivo. "Temos que ficar felizes por sermos vítimas do nosso próprio sucesso", diz este responsável, classificando o setor automóvel como o "motor do crescimento nacional".

 

Em causa está, lembra, uma fileira com mais de 1300 empresas exportadoras, que fizeram chegar os seus produtos a 182 países em todo o mundo, contribuindo com 14 365 milhões de euros para as exportações nacionais em 2022, o que representou um crescimento homólogo de 14%. Este ano, nos dados acumulados até setembro, os 12 milhões de euros exportados pela indústria correspondem, sublinhou, a "um novo recorde", que só não se repetirá no final do ano devido à paragem inesperada a que a Autoeuropa foi forçada, em setembro, por falta de um componente que lhe chega da Eslovénia e estava em falta. Uma paragem que, "felizmente, não foi tão gravosa como inicialmente se pensava", defende Filipe Santos Costa, mas que serviu "para nos recordarmos da necessidade de proximidade e que não podemos estar apenas dependentes de importações extracomunitárias", frisou.

 

Sobre os apoios à internacionalização das empresas, no âmbito dos projetos conjuntos, com as associações setoriais e não só, em que a AICEP é cofinanciadora, em média na ordem dos 50%, este responsável explicou que estão já aprovados, para 2024, projetos no valor de 29 milhões de euros, contabilizando já a quota parte das empresas no investimento.
A maior fatia corresponde a projetos das indústrias têxteis, vestuário e calçado (36,8%) e da madeira, cortiça e mobiliário (22,1%). As ações dos materiais de construção correspondem a 14,3% do investimento e o agroalimentar a 13,5%. A metalurgia e metalomecânica pesam 8,1% neste total.

 

Em termos geográficos, a Alemanha absorve 30,2% do investimento, seguindo-se Itália (17,5%), EUA (13,6%), França (12,9%), Reino Unido (5,4%) e Espanha (4,5%), entre outros.

 

Entretanto, foi já aberto novo aviso, no âmbito do Compete 2030, para a promoção externa com apoios de 18 milhões de euros, cujas candidaturas terão de ser apresentadas até 31 de janeiro. Somando a comparticipação das empresas, serão mais 36 milhões de euros que servirão para apoiar a diversificação de mercados internacionais, o que, somado aos 29 milhões de projetos já aprovados, totaliza 65 milhões de euros, mais do dobro do montante investido em 2023, que se ficou pelos 31 milhões de euros totais.

 

Há ainda a ter em conta o envelope próprio de quatro milhões de euros da AICEP, em 2024, com o qual vai realizar 150 ações em mais de 40 mercados, entre missões empresariais ao estrangeiro, campanhas setoriais e a organização de visitas de investidores a Portugal. França, EUA, China, Japão e Espanha são os cinco principais mercados a abordar. Em termos setoriais, destaque para os moldes, metalurgia e metalomecânica, agroindústria, fileira-casa e indústria da saúde, entre outros.

 

Sobre o trabalho da agência na captação de investimento estrangeiro, este responsável lembrou alguns dos mais recentes projetos anunciados para o setor, com reforços de investimentos já existentes, mas não só. Filipe Santos Costa acredita que Portugal tem "muitas competências" que podem atrair para o país a fabricação de veículos elétricos, designadamente através da possibilidade de ter toda a fileira do lítio no país, com "muitos investimentos nacionais e estrangeiros" previstos nesta área, seja ao nível da mineração, refinação, produção de baterias e até na reciclagem de lítio em fim de vida, explicou.

 

Falou ainda sobre a aposta na atração de investimento na área dos semicondutores, com o trabalho de identificação de potenciais alvos, mas também com o estudo de localizações, assumindo que "não é fácil" encontrar 30, 40 ou 50 hectares de solo industrial no país. Dificuldades que terão de ser ultrapassadas, porque o objetivo é mesmo trazer para Portugal a produção de semicondutores. Firmado foi já um memorando de entendimento com o grupo sul-coreano SK , o terceiro maior produtor mundial desta área, mas estão a ser abordados potenciais investidores no Japão, Alemanha, EUA e Taiwan.

 

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