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AICEP
Agência para o Investimento e Comércio Externo de Portugal

CABEÇALHO

Os dados preliminares de um estudo da Católica Porto Business School indiciam que as novas empresas terão uma produtividade, valor acrescentado e orientação para mercados externos acima da média, criarão mais empregos e crescerão mais.

Um estudo empírico do (novo) empreendedorismo, dos seus promotores, dos seus sucessos, dificuldades e fracassos foi a forma como a Católica Porto Business School participou no ciclo de homenagem a Alfredo da Silva, por ocasião dos 150 anos do seu nascimento. Como ele, mulheres e homens perscrutaram oportunidades, estudaram hipóteses, ousaram enfrentar o medo atávico, ambicionaram mudar, e melhorar, o País.

 

Para o efeito, usámos (o autor, mais Paulo Osswald e Leonor Sopas) informação coligida no âmbito da disciplina de História e Iniciativas Empresariais, da licenciatura em Gestão. Para além de uma análise convencional (idade, género, qualificação e especialização dos fundadores, modelo de negócio das empresas, maior ou menor orientação para os mercados externos), a diferença do contributo que nos propusemos dar resulta do acompanhamento que tentámos fazer do percurso da empresa e dos seus fundadores. Tipicamente, sabe-se se a empresa subsistiu ou desapareceu, mas pouco mais. É essa lacuna que almejámos suprir.

 

As conclusões a que, por ora, se chegou são, e não são, semelhantes às de outros estudos. Os fundadores pertencem, na sua grande maioria, aos escalões etários até aos 40 anos. As mulheres estão sub-representadas, por comparação com a importância que, apesar de tudo, já assumem nos órgãos de decisão das empresas, mas superam o que outros estudos, mesmo internacionais, identificaram.

 

Na nossa amostra, as qualificações dos promotores são muito superiores à média, dominando as especialidades tecnológicas e de gestão, o que se traduz em especializações produtivas e modelos de negócio mais sofisticados, assim como numa vocação para a internacionalização incomparavelmente acima da média do total das empresas.

 

Há, ainda, uma orientação maioritária para modelos “business to business” que podem significar uma capacidade de ligar investigação, realizada em instituições do sistema científico e tecnológico, e inovação empresarial, ao arrepio do preconceito sobre a separação desses dois mundos. Os dados preliminares indiciam que estas empresas terão uma produtividade, valor acrescentado e orientação para mercados externos acima da média, criarão mais empregos e crescerão mais.

 

As empresas por nós estudadas, no seu conjunto, estão, contudo, longe dos mitos que se constroem sobre o mundo do empreendedorismo e das startup. Como alguém dizia, da mesma forma que nem todos precisam de criar uma empresa para serem felizes, nem todas as empresas precisam de conquistar o mundo! É certo que há muitas que têm projetos inovadores.

 

Contudo, há outras tantas que se propõem desenvolver negócios e adotar modelos de negócio bastante convencionais. Dir-se-ia que, mesmo sem reivindicar representatividade, o nosso mix estará mais próximo do universo das empresas criadas em que, como é natural, predominam atividades mais convencionais, ao fim e ao cabo, aquelas para que os promotores têm competências.

 

Para aqueles que apostam no papel das novas empresas, na renovação do tecido empresarial e no impulso ao crescimento, os nossos resultados são, ainda assim, boas notícias.

 

Embora seja necessário não entrar em euforia: é certo que são diferentes, mas só quando forem em número suficiente e/ou suficientemente grandes, poderão fazer a diferença e, mesmo assim, só se não caírem (cairmos) no vício da insularidade. O seu papel no desenvolvimento económico dependerá da capacidade de as imbricar no nosso tecido socioeconómico, desde a educação e investigação até aos fornecedores, criando aí âncoras e parceiros ou, na linguagem atual, gerando um ecossistema ao mesmo tempo estável e dinâmico. Disso depende o seu impacto global, o seu efeito multiplicador.

 

Neste contexto, não deixa de ser admirável a visão que transparece dos empreendimentos e investimentos de Alfredo da Silva: via (não poucas vezes lá fora) e fazia (do que Portugal precisa, a CUF faz). Educava e desenvolvia competências para novas atividades que davam tessitura ao que de outro modo seriam labores desgarrados e, em fazendo-o, potenciava o crescimento e o desenvolvimento. Um caso que merece estudo.

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