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AICEP
Agência para o Investimento e Comércio Externo de Portugal

CABEÇALHO

Nasceu em Tigre, na Argentina, mas está há cerca de 20 anos a viver no nosso país e afirma-se como "português de coração". O chef Chakall ganhou o concurso para promover a gastronomia nacional no restaurante do pavilhão de Portugal na Expo Dubai 2020, que mantém esta designação apesar de já ter sido adiada há um ano devido à pandemia o calendário atual aponta agora para as datas entre 1 de outubro de 2021 e 31 de março de 2022.

O conceito de Chakall designa-se Al-Lusitano e se resultar poderá expandir-se do Dubai para outros países do Golfo Pérsico, da Península Arábica e mesmo para o Oriente mais longínquo. Em entrevista exclusiva ao Jornal Económico, o chef confidenciou que esta aposta representa um investimento de cerca de 400 mil euros. No pavilhão de Portugal na Expo Dubai, o restaurante terá cerca de sete portugueses que serão expatriados para o emirado, contando no total com cerca de 25 a 30 funcionários.


"Quero levar a comida portuguesa, que nós gostamos de comer, para o Dubai e para outros países do Golfo Pérsico. O meu sonho, se fosse eu, era ter dez cozinheiras do país", revela. Chakall avança que durante os seis meses da exposição estão programadas degustações de azeites e provas de vinho no restaurante português. No Dubai pode-se comercializar vinho, desde que se obtenha uma licença específica para o efeito, pormenor burocrático que parece já estar resolvido. O sócio de Chakall neste empreendimento, Pedro Rodrigues, da PLM, que venceu o referido concurso, anuncia "um porte- fólio de cerca de 120 referências de vinhos de quase todas as regiões do país que vão estar disponíveis" no restaurante do pavilhão nacional na Expo Dubai. Se no vinho ainda há esta abertura, já se sabe, naquelas regiões a carne de porco é interdita.


 

Então, o que irá oferecer o restaurante de Chakall aos milhões de visitantes que a organização da Expo Dubai aguarda, apesar da quebra exponencial em relação às primeiras estimativas em cenário pré-Covid? Bacalhau, em diversas formas, mas também outros tipos de carnes para além do suíno, como o cordeiro mirandês, a carne de vaca minhota ou enchidos de peru.

 

Algumas destas especialidades ainda estão a ser alvo de negociações, mas o objetivo é levar para o pavilhão nacional especialidades típicas da gastronomia portuguesa. Como o vinagre, o mel de cana, o café, as águas minerais, os vinhos da Madeira (licorosos) ou o bolo de Dona Amélia, original da ilha Terceira, nos Açores, e que Chakall considera a melhor sobremesa portuguesa. Sim, porque a intenção do chef é levar para o Dubai o melhor da gastronomia lusa para o restaurante do pavilhão português, de norte a sul do país, incluindo as ilhas da Madeira e dos Açores.


Neste esforço de representação conjunta - a primeira de Portugal desde a derradeira representação na Expo Xangai de 2010 -, Chakall anuncia a concretização de diversas parcerias com empresas portuguesas. Delta, Silampos, Cutipol, Quinta da Pacheca (azeites e vinagres), Curei e Kyna (cutelaria) foram alguns exemplos que o Jornal Económico conseguiu confirmar.


Segundo fonte da AICEP, cujo presidente, Luís Castro Henriques, acumula com o cargo de comissário da representação portuguesa na Expo Dubai desde há vários meses, esta tentativa de divulgar os produtos portugueses é uma tónica predominante, que se mistura com a pretensão de mostrar um país aberto ao mundo e que tem valências a descobrir naquela área do globo em segmentos como a cultura, a história ou o lazer. Um Portugal aberto ao Mundo - Chakall é um bom exemplo disso, tratando-se de um profissional oriundo do sul da América Latina radicado com sucesso em Portugal há cerca de duas décadas, mas também um Portugal inovador.


Luís Castro Henriques sintetizou esta dualidade no evento de apresentação do conceito Al-Lusitano, na passada terça-feira, dia 24 de agosto, no El Bulo Social Club, um dos pólos de restauração de Chakall, no Beato, em Lisboa. "Para esta presença de Portugal na Expo Dubai 2020 temos dois conceitos-chave. Um baseado no tema do pavilhão, 'Um Mundo no País', que vai demonstrar que Portugal está aberto ao Mundo e é um elo de ligação entre pessoas. Mas também um segundo tema, que eu considero que é uma tangência perfeita dos dois conceitos, ou seja, o da própria Expo Dubai, que é o 'Connecting Minds, Creating the Future', onde vamos explicar que o nosso principal fator de diferenciação é o talento. Portugal não é só um sítio com um povo muito talentoso, mas também um viveiro de talentos para quem vem de fora", defendeu o presidente da AICEP.


Além do restaurante, o pavilhão de Portugal, construído pela Casais, sob um projeto de arquitetura do gabinete de Miguel Saraiva, vai experimentar um balão de ensaio que, se tiver boa aceitação dos visitantes, poderá ser expandido para outros países do Golfo Pérsico e da Península Arábica. Trata-se da 'PT Concept Store', que já tem assegurada exposição e comercialização de produtos de 40 empresas portuguesas que se associaram a esta iniciativa. O espaço contará com materiais típicos de Portugal, como a cortiça, a calçada portuguesa ou a azulejaria, e será em forma de nau quinhentista, apesar de os pormenores finais só deverem ser desvendados nos próximos dias.


Há um território de oportunidades a vencer, mas também partes comuns que podem ser aproveitadas entre os povos e as nações de Portugal e os dos Emirados, com o Dubai à cabeça, como o gosto pelas artes equestres ou pela falcoaria, por exemplo. A exposição mundial realiza-se durante 182 dias e está previsto reunir 200 participantes, incluindo 191 países, como também organizações multilaterais, empresas e estabelecimentos de ensino.

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