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BPI vende 200 milhões de euros em ativos tóxicos por preço não revelado. Comprador é empresa com sede em Nova Iorque, gerida por um ex-quadro do Goldman Sachs.

Um conjunto de créditos e imóveis que pertenciam ao BPI, avaliado em 200 milhões de euros, foi vendido a uma empresa americana, a Tilden Park Capital Management. Não se sabe qual o preço da compra nem tão pouco se ele reflete mais ou menos-valias para a instituição financeira sob o comando de Pablo Forero.

 

“O Banco BPI concretizou hoje a venda de uma carteira de créditos não produtivos (non performing loans) e ativos imobiliários a fundos e sociedades geridos pela entidade norte-americana Tilden Park Capital Management LP, após a conclusão de um processo de venda competitivo”, indica um comunicado enviado pelo banco às redações esta quarta-feira, 20 de novembro.

 

Esta gestora tem sede em Nova Iorque e é liderada por Josh Birnbaum, antigo quadro do Goldman Sachs e foi escolhida num processo que contou com entre sete a oito interessados, conforme anunciado pelo próprio banco em julho.

 

Em causa estão ativos com um valor bruto de 200 milhões de euros, ou seja, sem o reconhecimento de eventuais perdas antecipadas que o banco já tenha feito (imparidades). O valor líquido – após essas imparidades – não é divulgado. O da venda também não.

 

O que se sabe é que esses 200 milhões de euros em ativos dizem respeito a 1.800 contratos de crédito (não especificado de que tipo de empréstimos se trata, se consumo, se habitação, se a empresas) e 120 imóveis.

 

“Com esta operação o Banco BPI alcançará, no final do ano, um nível de ativos não produtivos (non performing assets) inferior a 3,5 %, o mais baixo do sector financeiro português”, conclui o comunicado enviado às redações.

 

No final de setembro, o rácio de exposições não produtivas (crédito malparado e imóveis) estava em 3,2%, sendo que o malparado representa 3,8% do crédito total.

 

A venda em bloco de créditos tem sido a forma encontrada pelos bancos para aliviarem os seus rácios de ativos não produtivos de forma mais acelerada. Contudo, tem sido sempre reduzida a informação dada pelas instituições financeiras em relação a estas operações – e a Deco já veio dizer que, quando se trata da venda de créditos a particulares, as famílias ficam desprotegidas, já que estas empresas não estão sob supervisão.

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