NewDetail

AICEP
Agência para o Investimento e Comércio Externo de Portugal

CABEÇALHO

No ultimo mês, tive a oportunidade de moderar um debate sobre a Marca Portugal, com participantes bem conhecidos e de diferentes áreas de atuação: Sónia Vieira (ViniPortugal, João Dias (AICEP), Carlos Coelho (Ivity Brand Corp) e Joah Santos (NYLON).

Não obstante os oradores serem de áreas distintas e com percursos bem diferentes, rapidamente o debate chegou a um denominador comum: a percepção do valor da Marca Portugal.

 

Pois é… a percepção. Vale a pena refletir sobre esta palavra. Percepção ou perceção é, em psicologia, neurociência e ciências cognitivas, a função cerebral que atribui significado a estímulos sensoriais, a partir de histórico de vivências passadas. Através da percepção, um indivíduo organiza e interpreta as suas impressões sensoriais para atribuir significado ao seu meio.

Atente-se nestas três ideias:

  1. “histórico de vivências passadas”: uma marca faz-se de um histórico, de um conjunto de vivências, de experiências… este histórico tem de ter uma narrativa, consistência, autenticidade. A narrativa da nossa marca, nos últimos anos, já teve tantas histórias diferentes, tantos logotipos, tantos slogans… na realidade qual é a nossa narrativa?
  2. “organiza e interpreta”: o mercado, os receptores da nossa marca País, organiza e interpreta as suas impressões. Pergunto: o que facilita a organização e uma boa interpretação de uma forma geral?

Como é que cerca de 11 milhões de pessoas, os emissores da Marca Portugal, conseguem comunicar de forma clara, atuar de forma consistente e transmitir um posicionamento único, forte e diferenciador? Difícil…

  1. “atribuir significado”: qual o significado que o mercado atribui à nossa marca? Qual o nosso ou os nossos factores diferenciadores e únicos? O que nos faz sermos tão especiais e ao mesmo tempo incapazes de captar valor junto dos mercados? Será o nosso significado sermos baratos???

No debate, esta questão do significado “barato” foi discutida. Ideia relacionada com a nossa dificuldade de nos valorizarmos. De sermos capazes de extrair valor. De deixarmos de ser um País onde o vinho é excelente e barato, onde os recursos humanos são qualificados e baratos, onde os hotéis são maravilhosos e baratos, onde se vive com muita qualidade de vida e barato. Na verdade, se somos baratos, depois não conseguiremos reter o talento. Se somos baratos, não conseguiremos diferenciar-nos pelo serviço. Se somos baratos, seremos uma comodity e não um produto premium.

 

Portugal é um país pequeno. Com recursos limitados. Nunca teremos volume… pelo que temos de ter valor e sermos capazes de “cobrar” e de extrair esse valor.

 

Temos de ser corajosos e afirmar a marca Portugal como uma marca única no contexto internacional. Temos de ser orgulhosos de sermos Portugal. Temos de deixar de ter qualidade intrínseca para termos qualidade percebida. Temos que ser consistentes e autênticos. Temos de ter o nosso grito!

 

E, por último, não posso deixar de partilhar o que ouvimos de um participante austríaco nesta conferência da Portugal Foods- Dare2Care: “Sabem porque é que Portugal para mim é único? Porque vocês são um país de “Great people”! Algo que não encontro em mais lado nenhum e eu viajo muito!”

 

Como “Great People” que somos, não obstante um caminho árduo, temos tudo para afirmarmos a Marca Portugal.

Partilhar