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Rede de coworks aumenta para 15 o número de espaços sob gestão, em cinco cidades. Até 2025, quer atingir 50.000 metros quadrados sob gestão.

Guimarães, Gaia e dois novos coworks em Lisboa, na zona do Oriente e em Alvalade, são os novos espaços que a rede Sítio planeia abrir até março do próximo ano. Até 2025, a rede de coworks vai investir até cinco milhões de euros no seu processo de expansão, avança ao ECO Miguel Ricardo, general manager da rede Sitio.

 

“A nossa ambição é atingir uma capilaridade no país, para apoiar a democratização deste tipo de espaços de trabalho ao máximo de localizações. Aliás, por isso criámos um novo modelo do negócio, o coworkplace management, para cumprir este desígnio ao lado de parceiros e proprietários que podem ver nos seus metros quadrados inutilizados um “novo sitio” a crescer, com a marca SITIO”, afirma Miguel Ricardo, general manager da rede Sitio.

 

“As cidades e localizações na mira do Sitio serão sempre locais alinhados com novos ecossistemas a nascer, como há a norte, a emergir no sul e em regiões como Aveiro, Setúbal e agora Guimarães”, refere o responsável quando questionado sobre possíveis novas localizações da rede.

 

Esta semana abre no Minho Innovation & Technology Hub, em Guimarães, o novo espaço da rede na região Norte. Com cerca de 1.200 metros, capacidade para 202 postos de trabalho e um Sitio Café, a unidade está instalada num espaço dedicado a negócios, tecnologia, que pretende atrair gabinetes de engenharia e arquitetura, mas também a criação de startups e scaleups, tirando partido da proximidade à Universidade do Minho.

 

E ainda a Norte, com abertura prevista o primeiro trimestre de 2024, irá surgir o Sitio Gaia, frente ao El Corte Inglés, com capacidade para 360 desks em 2.400 metros quadrados.

 

Em Lisboa, a rede inaugura o primeiro exemplo de uma nova área de negócio – o coworkplace management – na “Cidade Bi4All”, com a Sitio a ficar responsável pela gestão dos 4.400 metros quadrados da tecnológica que, em 2021, investiu oito milhões de euros nas novas instalações (com um total de 7.000 metros quadrados), na zona Oriente.

 

Em Alvalade, no primeiro semestre de 2024 a rede conta aumentar a área do atual cowork em cerca de 2.200 metros quadrados, para acolher um “vertical estratégico e exclusivo”, com capacidade para 270 postos de trabalho.

 

Expansão com regresso ao escritório

 

Com este movimento de expansão, a rede aumenta para 15 o número de unidades de coworks em cinco cidades – Lisboa, Porto, Setúbal e Guimarães –, adiciona à atual rede mais 5.000 metros quadrados, para 26.000 metros quadrados, e mais 650 postos de trabalho, para 2.650, a capacidade da rede.

 

No início do ano, o plano era, até 2025, atingir os 50.000 metros quadros. Mantém-se? “O plano foi revisto e foram tomadas decisões estratégicas de reestruturação da rede, encerrando unidades mais pequenas que não permitiam, pela sua reduzida dimensão, oferecer o serviço que pretendemos”, admite Miguel Ricardo. “Com as aberturas já planeadas atingiremos os 26.000 metros quadrados no primeiro semestre de 2024, mantendo o objetivo de continuar a abrir novos espaços”, diz.

 

A expansão surge ainda num momento em que o Governo se prepara para retirar benefícios fiscais aos residentes não habituais – que também se aplicava aos nómadas digitais – e trabalhadores internacionais já se queixam do aumento do custo de vida e da dificuldade da habitação. Miguel Ricardo admite um impacto q.b. na operação.

 

“O perfil das nossas comunidades e o nosso posicionamento no mercado está muito mais direcionado para empresas do que para nómadas digitais. Contudo, seremos sempre uma porta aberta e temos espaços e estações de trabalho pensados, tanto para nómadas digitais, como para profissionais, freelancers e outros congéneres que procuram espaços colaborativos para desenvolver os seus negócios e fazer parte de uma comunidade, em vez de trabalhar de forma mais isolada”, começa por referir o general manager da rede Sitio.

 

“Temos várias empresas internacionais que escolheram Portugal para desenvolver o seu negócio e aqui sim, poderá ter algum impacto”, admite. “Portugal tem vivido alguma instabilidade legislativa e, a par do que assistimos no mundo, em nada contribui para a confiança das empresas. Nesse caso, impacto atingirá a todas as fileiras de uma forma geral. Mas no que respeita à tipologia do nosso negócio, o sentimento e resultados que temos – daí a nossa aposta na expansão –, permite-nos afirmar que estamos numa fase de democratização dos espaços de cowork, em que várias empresas, de maior ou menor perfil corporativo, procuram este tipo de ambiente e vêm uma oportunidade de contacto com comunidades inovadoras. No final do dia, continuamos a ser um país espetacular para viver, apesar do aumento do custo de vida e dificuldades de habitação”, refere.

 

O cada vez maior movimento de regresso ao escritório não deixa preocupado o responsável da rede de coworks, com as taxas de ocupação “acima dos 85% na maioria das localizações”.

 

“Esse é claramente um dos nossos objetivos, ajudar as empresas a juntar os seus colaboradores no escritório, mas por iniciativa dos próprios colaboradores e não por obrigação. Num mercado de trabalho cada vez mais global as empresas portuguesas têm grandes dificuldades em competir no componente salário, com empresas internacionais. Será muito mais fácil captar e manter talento fazendo com que os colaboradores se sintam felizes e parte de uma equipa e comunidade que se interliga”, considera o gestor.

 

“Estamos a apostar em atividades que tragam pensamento, criatividade, diálogo e eventos – sejam eles específicos para a empresa ou abertos à comunidade. Isto, aliado à localização conveniente e boa energia dos espaços e um profundo acolhimento e envolvimento com as comunidades, quase como se fossemos uma extensão dos RH das empresas que acolhemos. E mais planos estamos a desenhar, de futuro, ao nível de serviços que, embora ainda não nos vamos comprometer, acreditamos que serão catalisadores de vontade de ingressar ao local de trabalho”, refere ainda.

 

Em ECO

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