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CABEÇALHO

Um estudo publicado pelo BCE mostra que a IA até está a criar postos de trabalho, sobretudo de jovens altamente qualificados, mas pode exercer uma pressão negativa nos salários.

O avanço rápido da Inteligência Artificial (IA) tem gerado uma forte apreensão sobre o impacto no mercado de trabalho ao nível do emprego, pois a tecnologia pode substituir muitas funções hoje desempenhadas pelo homem. No entanto um estudo publicado pelo BCE mostra uma realidade diferente. A automação possibilitada pela IA na Europa está associada ao aumento do emprego.

 

A IA está a criar empregos especialmente para trabalhadores jovens e altamente qualificados, mas pode reduzir os salários, de acordo com um estudo publicado pelo Banco Central Europeu (BCE) nesta terça-feira intitulado New Technologies and jobs in Europe.

 

“Examinamos a ligação entre a evolução do mercado de trabalho e as novas tecnologias, como a inteligência artificial (IA) e o software, em 16 países europeus durante o período 2011-2019. Utilizando dados para profissões ao nível de 3 dígitos na Europa, descobrimos que, em média, as percentagens de emprego aumentaram em profissões mais expostas à IA. Este é particularmente o caso das profissões com uma proporção relativamente mais elevada de trabalhadores mais jovens e qualificados”, refere o paper assinado por Stefania Albanesi, António Dias da Silva, Juan F. Jimeno, Ana Lamo e Alena Wabitsch.

 

“Estes dados estão em consonância com a teoria da Skill Biased Technological Change (SBTC). Embora exista heterogeneidade entre os países, apenas um número muito reduzido de países apresenta um declínio nas percentagens de emprego das profissões mais expostas à automatização baseada na IA”, acrescentam os autores.

 

“A heterogeneidade dos países para este resultado parece estar relacionado com o ritmo da difusão da tecnologia e da educação, mas também com o nível de regulamentação do mercado de produtos (concorrência) e com as leis de proteção do emprego”, refere o estudo.

 

“Em contraste com as conclusões relativas ao emprego, encontramos poucas provas de uma relação entre os salários e a potencial exposição às novas tecnologias”, concluem os autores.

 

O estudo, que analisou dados de 16 países europeus, descobriu que a participação no emprego dos setores expostos à Inteligência Artificial aumentou. Os empregos de baixa e média qualificação não foram afetados e os cargos altamente qualificados foram os que receberam o maior impulso.

 

No entanto, o estudo também revela “impactos que vão de neutros a ligeiramente negativos” sobre os rendimentos (salários) e disse que isso poderia aumentar.

 

A Skill Biased Technological Change (SBTC) e a Routinização são as principais teorias que explicam os efeitos da tecnologia no mercado de trabalho, revela o estudo.

 

Por fim, o paper conclui que “os resultados sobre a associação positiva entre a automatização baseada na IA e o emprego devem ser tomados com cautela”, pois “estas tecnologias estão ainda na sua fase inicial”.

 

“Embora no período da nossa análise a associação seja positiva, estes resultados podem não ser extrapolados para o futuro, especialmente se o caminho seguido pelas tecnologias de IA se centrar na automatização de tarefas e e conduzir à criação de poucas tarefas novas”, admitem os autores.

 

Em Jornal Económico

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