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AICEP
Agência para o Investimento e Comércio Externo de Portugal

CABEÇALHO

Projetos Expresso. Incentivar o empreendedorismo através da promoção do talento tecnológico, como nos prémios AIIA, é um dos passos fundamentais para que Portugal atraia mais investimento e se posicione como um país virado para a inovação.

Há pouco mais de uma semana, durante a Web Summit, Luís Valente, Paula Sampaio e Joana Paiva, cofundadores da ILoF, startup que nasceu no Instituto de Investigação e Inovação em Saúde (i3S) da Universidade do Porto, conseguiram uma ronda de financiamento de €2 milhões ao serem premiados pelo Wild Card — programa de aceleração que apoia projetos de resposta aos principais desafios da saúde — do EIT Health, para financiar o seu projeto que visa desenvolver uma nova geração de tratamentos personalizados para doenças neurodegenerativas através de tecnologias como o Big Data e a Inteligência Artificial (IA).

 

Esta semana voltaram a ser reconhecidos pela sua ideia inovadora ao vencer a 3ª Edição dos Altice International Innovation Awards (AIIA), na categoria Startup. Os três empreendedores juntam assim mais €50 mil para apoiar o projeto, a que somam ainda os 5 mil euros da distinção “Born from Knowledge”, atribuída pela Agência Nacional da Inovação (ANI). No palco do cineteatro Capitólio, em Lisboa, Joana Paiva explicou à plateia que assistia à entrega dos prémios AIIA que os investigadores da ILoF criaram um “sistema portátil” que serve de arquivo a “impressões digitais” de várias doenças neurodegenerativas e permite “testes rápidos e pouco invasivos” em doenças como o Parkinson ou tumores cerebrais. A startup está agora em conversações com várias empresas da indústria farmacêutica com o objetivo de comercializar a solução. A Ilof destacou-se entre 90 candidatos ao chamar a atenção do júri multidisciplinar, composto por representantes do meio empresarial, da academia e investidores. “Nesta edição tivemos projetos muito interessantes, muito profissionais e estruturados”, disse Alexandre Fonseca, presidente da Altice Portugal.

 

O outro vencedor da edição 2019, na categoria Academia, foi o projeto Neural Motor Behaviour in Extreme Driving, nascido no seio da Universidade do Minho pelas mãos de Inês Rito Lima. Durante vários meses, a investigadora avaliou o comportamento de um piloto profissional ao volante de um automóvel em condições extremas, com o objetivo de criar um algoritmo que reforce a segurança nos carros autónomos. “Esta é uma revolução em curso a que não podemos escapar”, disse ao receber o prémio de €25 mil, mostrando-se convicta de que a sua ideia poderá contribuir para um futuro mais seguro.

 

Portugal está mais empreendedor
Segundo Alcino Lavrador, diretor da Altice Labs, esta edição dos AIIA foi a mais participada de sempre, o que não será de admirar numa altura em que pode dizer-se que Lisboa é a capital Tech do momento. Grandes eventos como a Web Summit estão a chamar a atenção do país fora de portas e a ajudar a mudar a imagem que Portugal tem a nível internacional. O número de startups que nasce em terras lusas está a aumentar, depois de uma ligeira quebra verificada durante os anos da crise. Segundo a Startup Portugal, associação responsável pela criação e implementação da estratégia nacional para o empreendedorismo, as startups nacionais já representam 1,1% do Produto Interno Bruto (PIB), o que significa que as suas vendas e serviços chegaram, em 2018, aos €2,2 mil milhões.

 

O investimento nestes novos projetos, muitos deles saídos diretamente das universidades, também está a aumentar. Só a Portugal Ventures, empresa pública de capital de risco, apostou em 14 startups durante o primeiro semestre deste ano, num investimento global de €9 milhões (alguns em parceria com outros investidores), nas mais diversas áreas, desde as mais tecnológicas às mais tradicionais. Contudo, o investimento nacional ainda é pouco representativo no universo das startups. De acordo com os dados do relatório Portugal Startup Outlook 2019, que faz um retrato do sector das startups tecnológicas nacionais, grande parte do financiamento chega dos Estados Unidos da América (67%). Esta aposta revela a confiança dos investidores do outro lado do Atlântico, que acreditam que o país desempenhará um papel muito importante no panorama empreendedor europeu.

 

Convicção partilhada por Pedro Siza Vieira, ministro da Economia e da transição digital, que, durante a cerimónia de entrega dos Altice Awards, revelou que, segundo o European Scorecard, realizado pela União Europeia, Portugal foi o país que mais cresceu em inovação. “As regiões norte, centro e Lisboa foram nomeadas zonas de inovação fortes, destacando-se do resto do país, que é considerado moderado.” O ministro da Economia disse ainda que, no que se refere à despesa em I&D em percentagem do PIB, Portugal revela um nível de inovação elevado. Um caminho que deve continuar a ser trilhado, pois “só se pode crescer em rentabilidade se se investir em inovação”.

 

Três perguntas a: Ana Costa Freitas, Reitora da Universidade de Évora

Qual o papel da academia no mundo da inovação?
É enorme. Há imensa inovação na academia, mas o que falta muitas vezes é o modelo de negócio. Todas as universidades têm gabinetes de transferência de tecnologia, fazem-se semanas de inovação e do empreendedorismo, e muitas outras iniciativas que promovem e dinamizam a inovação. No entanto, é pena haver ainda muita inovação que não é transferida. O papel da academia é também ao nível da formação dos alunos. É preciso prepará-los para esta nova modalidade, para esta nova fase da vida, a vida real, o que por vezes é difícil para os professores que, de forma geral, vêm de outra realidade, de outro tempo. Há imensos miúdos com imaginação e capacidade de criar o seu próprio negócio. E é este mindset que têm que ter já na universidade, mais do que competências técnicas, que isso já têm.

 

O financiamento é uma dificuldade?
Esse é um problema grande. Falta financiamento para a inovação pedagógica. Temos financiamento para investigação, que roda nos seus próprios carris, temos muitas ligações europeias e há muito desenvolvimento. Mas falta inovação pedagógica dentro das universidades. O mundo mudou e ainda temos os mesmos laboratórios, os mesmos métodos de ensino. Devia haver para os bons projetos uma linha de investigação, financiamento competitivo, o que faz muita falta porque estamos num ponto de viragem grande. Se não atrairmos os alunos com uma boa oferta pedagógica vamos perder talentos que irão, por conta própria, criar os seus negócios.

 

Quais os grandes desafios para os próximos anos?
São os dados. A quantidade de dados que estamos a recolher é inimaginável. É preciso retirar informação útil e garantir que se retira essa informação sem esquecer a privacidade. Há informação nossa, que circula por aí, e que não sabemos onde está nem como será utilizada. Como os tratamos e com que confidencialidade é um grande desafio.

Os vencedores de 2019

 

Prémio Startup
ILoF
Inteligência Artificial e Big Data são as tecnologias que sustentam o projeto da ILoF, empresa que venceu na categoria Startup e recebeu também a distinção ‘Born from Knowledge’, atribuída pela ANI. A ideia visa acelerar o estudo e os ensaios clínicos em doenças como Parkinson ou Alzheimer.

 

Prémio Academia
Neural Motor Behaviour in Extreme Driving
É este o nome do projeto que venceu na categoria Academia. O objetivo é estudar a atividade cerebral durante a condução em condições extremas para melhorar a segurança na condução autónoma.

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