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AICEP
Agência para o Investimento e Comércio Externo de Portugal

CABEÇALHO

Indústria deverá fechar o ano com vendas ao exterior na ordem dos 6,2 mil milhões de euros, à semelhança de 2019. Sem a covid-19, o negócio teria crescido, pelo menos, 3%.

Pandemia rouba 3% ao agroalimentar
A indústria agroalimentar deverá fechar o ano com exportações na ordem dos 6,2 mil milhões de euros, à semelhança do ano passado. Sem a covid-19, as vendas teriam aumentado, pelo menos, 3%.


Não foi um ano perdido, ao contrário do que aconteceu noutros setores. Para a indústria agroalimentar, 2020 foi uma prova de "resiliência" passada com distinção. No final do ano, o valor das exportações deverá rondar os 6,26 mil milhões de euros, segundo as previsões de Amândio Santos, presidente da PortugalFoods. O montante é equivalente ao registado em 2019. 0 resultado é positivo, dado o contexto, mas podia ter sido melhor. A pandemia terá travado um crescimento das exportações de, pelo menos, 3%, estima o responsável.


"Nos últimos 10 anos crescemos acima de 5% anualmente e em 2020 o objetivo era semelhante, pelo que é indiscutível que as exportações foram afetadas", refere Amândio Santos. De janeiro a setembro, entre produtos frescos e transformados, o setor registou vendas ao estrangeiro de 4,5 mil milhões de euros, mais 1,62% face ao ano anterior. Depois de uma quebra entre abril e junho, o terceiro trimestre "já foi muito interessante", mas os meses finais de 2020 deverão ser mais desafiantes.

 

"O último trimestre é sempre muito importante, mas este ano, por causa das restrições, o Natal não será o mesmo", disse em conversa com o Negócios antes da época natalícia, para a qual antecipava uma quebra Para 2021, a associação que promove a internacionalização dos produtos nacionais parte com otimismo. "Se tivéssemos regredido, iríamos à procura de compensar as perdas. Assim, vamos focados em recuperar a trajetória de crescimento interrompida". A ambição para o próximo ano passa por uma sub ida de 3% nas vendas para fora.


No balanço do ano que agora termina, Amândio Santos destaca o bom desempenho dos pequenos frutos, que "depois de um arranque de ano difícil conseguiram recuperar". Pela positiva, o responsável ressalva ainda a venda de conservas, arroz, massa e carnes, "que estão afazer um caminho interessante, nomeadamente para a Ásia, o que mostra que Portugal, apesar de ser deficitário, tem condições para ter presença lá fora".


Já as fileiras mais afetadas pelo efeito do vírus foram o azeite, o vinho e as bebidas, "muito penalizadas pelo encerramento dos restaurantes e hotéis", tal como o setor dos queijos e enchidos. No geral, "as empresas que tinham pouca vocação exportadora e estavam muito alicerçadas no mercado interno e no canal horeca, sofreram mais". Por outro lado, as empresas com presença no grande consumo "resistiram melhor e muitas até viram as suas necessidades de mão-de-obra reforçadas", diz o presidente da PortugalFoods, que garante que "não é o agroalimentar que tem feito aumentar o desemprego".


No que toca aos mercados que ajudaram o barco das exportações a não afundar, Amândio Santos destaca os Estados Unidos e o Canadá, mas também os países bálticos e o norte da Europa, que "começam a dar sinais interessantes". Mas é "na Ásia, no geral", que o responsável defende que deve estar o foco das empresas. O motivo? "Vai recuperar muito mais rapidamente da crise que a Europa".


Entre as geografias que mais preocupam a PortugalFoods estão o Brasil, onde "o problema da desvalorização do real está a ter um impacto muito negativo", e Angola, que "está a ser uma dor de cabeça para as empresas".


Amândio Santos não duvida que a crise pandémica vai deixar marcas na internacionalização das empresas, que vai passar a ser um híbrido entre relações presenciais e digitais. Nos últimos meses, o responsável assistiu a um "notável empenho" no setor em "criar valor através da inovação e da sustentabilidade".


Por um lado, porque mais empresas "perceberam que não podem depender de poucos mercados nem de poucos clientes". Por outro, porque "a pandemia trouxe a preocupação com o que é local". Uma tendência que, para Amândio Santos, pode ser benéfica para os produtores nacionais. "Portugal não tem produtos massificados, tem produtos que se posicionam com algum nível de sofisticação e inovação, associada à tradição. São vistos como premium", resume. Num mundo pós -pandemia, conclui, são esses que vão vingar.

Nos últimos 10 anos crescemos acima de 5% e em 2020 o objetivo era semelhante. As exportações foram afetadas.
Amândio Santos
Presidente da Portugal Foods

Nos próximos meses o foco das empresas deve estar na Ásia, que vai recuperar muito mais rapidamente da crise do que a Europa.
Amândio Santos
Presidente da PortugalFoods

PortugalFoods investe em 2021
A PortugalFoods foi criada em 2008 para promover produtos, marcas e empresas das várias fileiras do setor agroalimentar nacional. A associação é liderada desde 2012 por Amândio Santos, que é também administrador do grupo Primor. Entre 2018 e 2020, a associação geriu um conjunto de projetos de promoção externa no valor de seis milhões de euros, mas cerca de dois milhões não chegaram a ser executados devido à pandemia. A entidade já colocou em marcha um plano para 2021, com projetos avaliados em dois milhões de euros. Entre as iniciativas constam workshops sobre marketplaces digitais, desafios logísticos e literacia financeira. Será ainda criado um catálogo coletivo da oferta portuguesa para a promoção digital nos mercados externos. O plano inclui ainda o regresso às ações presenciais, como feiras e missões de importadores a Portugal.

Amândio Santos, presidente da Portugal Foods e do Portuguese AgroFood Cluster, é também administrador do grupo Primor.

Mega feira virtual quer atrair mais de 50 países e 80 empresas
A PortugalFoods previa investir seis milhões de euros em promoção externa, mas a pandemia deixou dois milhões por executar. Primeira cimeira digital acontece em janeiro.


Ir para fora cá dentro, podia ser o lema da PortugalFoods em 2020. Com todas as feiras internacionais canceladas ou adiadas devido à pandemia, a promoção internacional das empresas foi remetida para eventos à distância. A organização liderada por Amândio Santos previa investir seis milhões de euros em projetos de promoção externa entre 2018 e 2020, mas acabou por gastar apenas quatro milhões.


Em 2021, a entidade espera voltar com as empresas ao terreno, mas a aposta no digital veio para ficar. De 20 a 23 de janeiro, o Portuguese Agrofood Cluster, que reúne a PortugalFoods, o Inovcluster, o Agrocluster e a Portugal Fresh, vai organizar a primeira grande cimeira digital destinada a promover as exportações nacionais.


Com a ajuda da AICEP e de uma consultora internacional, estão a ser abordados vários mercados de interesse, divididos em três segmentos. Há os clientes "consolidados", como Espanha, França, Reino Unido e Brasil, cuja presença deverá ser garantida Seguem-se os "mercados com potencial", como os Estados Unidos e Japão, nos quais haverá um "foco grande". E, por fim, um segmento de novos mercados, como índia, Chile, México, Colômbia, "onde temos pouca tradição e uma presença pouco relevante, mas que começam a estar na agenda do agroalimentar", destaca ao Negócios Amândio Santos.


No total, é esperada a presença de possíveis compradores de cerca de 50 países. Já o número de empresas em exposição deverá rondar as sete ou oito dezenas. "Não queremos muitas empresas, privilegiamos as que já têm vocação e alicerces nos mercados externos. Vai ser preciso fazer a estrutura da oferta digital, o portefólio e a ficha técnica dos produtos. Isto exige algum suporte e maturidade".


A montra final deverá incluir empresas de conservas, azeite, carne, padaria, pastelaria, e refeições prontas, além das frutas e legumes. "Queremos estimular o contacto dos compradores internacionais com a realidade do país, até porque para alguns será a primeira vez".


O cortejo à distância não assusta Amândio Santos, que até vê vantagens no modelo. "Nas feiras presenciais somos muitas vezes abordados numa lógica de passagem, os decisores escolhem quem visitam. Desta forma há mais proatividade, podemos convencer os compradores a vir conhecer-nos e preparar, desde logo, a sua visita a Portugal".

4 Promoção
Entre 2018 e 2020, a PortugalFoods investiu cerca de quatro milhões de euros em projetos de promoção externa.

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