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AICEP
Agência para o Investimento e Comércio Externo de Portugal

CABEÇALHO

A subida do preço dos bens energéticos deverá explicar o aumento do valor importado por Portugal vindo da Rússia. Já face à Ucrânia houve uma redução tanto das exportações como das importações.

A relação comercial entre Portugal e a Ucrânia, assim como com a Rússia, foi afetada pela invasão russa na Ucrânia iniciada a 24 de fevereiro. Desde logo, as empresas portuguesas baixaram as suas vendas de bens nacionais a estes dois mercados em março deste ano, o primeiro mês completo de guerra entre os dois países. Nas importações nacionais, há uma divergência: Portugal pagou mais para comprar à Rússia, o que poderá estar relacionado com a subida do preço da energia, mas menos à Ucrânia, o que deverá estar relacionado com a dificuldade de movimentar produtos no meio do conflito militar.

 

Os dados cedidos pelo Instituto Nacional de Estatística (INE) ao ECO mostram que Portugal importou 152,9 milhões de euros de produtos russos em março de 2022, acima dos 105,7 milhões de euros importados em março de 2019, antes da pandemia — este valor representa uma subida de 45% face ao valor pré-Covid-19. Mas a série estatística mostra que esta tendência ascendente vem já desde setembro, com a subida do preço da energia, agora reforçada pelos efeitos da guerra.

 

Acresce que estes dados não estão deflacionados, isto é, os números refletem não só o aumento da quantidade importada mas também a variação de preço. Ou seja, este aumento pode ter acontecido mesmo que a quantidade importada seja menor — não foi possível esclarecer este ponto com o gabinete de estatísticas.

 

Já a exportação de bens portugueses para a Rússia sofreu uma queda expressiva — algo que nem a pandemia tinha provocado — para os 3,3 milhões de euros, o que compara com 15 milhões de euros em março de 2019. Esta quebra abrupta das exportações para território russo poderá estar relacionada com as sanções acordadas ao nível da União Europeia contra a Rússia para isolar e punir o Kremlin pela invasão da Ucrânia.

 

Portugal importa mais da Rússia, mas exporta menos

 

Com a Ucrânia, a história é outra. Os números mostram que tanto as exportações como as importações baixaram significativamente. Portugal comprou apenas 9,15 milhões de euros de bens ucranianos, o que comparava com 36,7 milhões de euros em março de 2019. As empresas portuguesas exportaram apenas 413 mil euros para território ucraniano, o que compara com 1,95 milhões de euros em março de 2021.

 

Esta redução das trocas comerciais entre a Ucrânia e Portugal deverá ser explicada pela dificuldade de movimentar bens para fora de território ucraniano por causa do conflito armado contra as tropas russas, seja pelo Mar Negro (que é controlado pelas forças russas) seja por outras vias. Acresce que a Ucrânia precisa de certos recursos para sustentar a população e o exército durante a guerra.

 

Trocas comerciais entre Portugal e Ucrânia caem a pique por causa da guerra

 

É de notar que nem a Ucrânia nem a Rússia são dos principais parceiros comerciais de Portugal. A Rússia já chegou a ser um dos principais fornecedores da economia portuguesa, mas perdeu a posição no top 10 em 2020 por causa da redução do preço dos combustíveis minerais — atualmente verifica-se o contrário, mas continua fora do top. Portugal exporta principalmente produtos agrícolas, madeira e cortiça e produtos alimentares para a Rússia.

 

Já a Ucrânia foi o 68º cliente das exportações portuguesas de bens em 2020, com uma quota de 0,1% no total, ocupando a 35ª posição ao nível das importações (0,3%). A Ucrânia vende a Portugal principalmente produtos agrícolas, metais comuns e máquinas e aparelhos. Portugal vende principalmente máquinas e aparelhos, madeira e cortiça e produtos alimentares à Ucrânia.

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