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CABEÇALHO

Durante este período de crise sanitária, "a banca desempenhou a sua função", afirmou António Ramalho, presidente executivo do Novo Banco, durante o debate digital "O Desígnio das Empresas Portuguesas", que se realizou durante a entrega dos Prémios Exportação & Internacionalização, uma iniciativa do Jornal de negócios e do Novo Banco, com a colaboração da Iberinform, que vai na 10ª edição.

Para António Ramalho, "algum do esforço que os contribuintes fizeram ao serviço da banca resultou, uma vez que os bancos estavam preparados para ser um dos principais fatores operacionais e reais de suporte à economia". Deu como exemplos a capacidade de resposta nas moratórias, nas linhas de crédito com garantia do Estado entre 70 e 90%, e até na gestão operacional dos lay-offs. "Foi este tripé que acabou por conseguir assegurar alguma serenidade num período particularmente difícil da pandemia."


Cerca de 60% das empresas exportadoras são clientes do Novo Banco, e António Ramalho considerou que o pós-pandemia traz riscos acrescidos e oportunidades diversas, como a "a globalização, porque, hoje em dia, os riscos recentes nas cadeias de valor, nomeadamente de fornecimentos, exigem uma maior cautela e uma maior proximidade das soluções da cadeia de valor". Frisou ainda uma segunda oportunidade que "é a necessidade de flexibilidades adicionais dentro desta cadeia de valor para timings e diversificação de mercados, que começam a encomendar hoje com menos amplitude, targets mais pequenos e especialização mais específica". Finalmente referiu que "novos riscos surgiram nesta pandemia, tanto de incerteza como de assimetria das sequelas destes riscos, mas portugueses têm convivido com as crises, isto não os assusta. Portugal é um país treinado em crises e em riscos".

As três lições da crise


Luís Palha da Silva, presidente da Pharol e membro do júri dos Prémios Exportação e Internacionalização, falou das lições que a crise que trouxe à luz. A primeira, que considerou "atávica na economia portuguesa em geral e em todos os setores, que é a elevada alavancagem dos diferentes balanços. Nas empresas, sem um balanço forte não é possível aspirar a ter uma sustentabilidade das exportações. Ninguém vai esperar por nós se não tivermos a capacidade de manter políticas de atração de mercado, de investimento em marcas, canais de distribuição. Fortes balanços, capitalização das empresas, é por isso bastante importante". Referiu ainda que "não sabemos qual é a dimensão dos recursos que virá para a capitalização das empresas, mas sabemos que haverá uma forte contribuição da União Europeia para esse desiderato".


Os outros aspetos têm a ver "alguma recentragem das empresas nos mercados mais próximos e que controlam de forma mais próxima", e com a necessidade de futuro mas que requer muito investimento que são "as marcas fortes".

Gestor global, Miguel Oliveira, CEO da Tech4Home, empresa eletrónica que cria, desenvolve e comercializa telecomandos e soluções de tecnologia avançada para as empresas de televisão paga mundiais, falou da experiência de exportação de 90% dos seus cerca de 40 milhões de euros de volume de negócios previstos para 2020.


Ainda não se falava da covid- -19 e já a Tech4Home se deparava com o encerramento das fábricas com que operava na China. Depois mercados fundamentais como os Estados Unidos, França e outros países europeus foram muito afetados, e houve quebras de encomendas.


Do lado positivo, "sentimos quebras de fornecimento que tiveram impacto, embora não tenham sido muito grandes, porque a China rapidamente conseguiu reativar as suas empresas", diz Miguel Oliveira. Por outro lado, tentaram colmatar as quebras de encomendas, com "novos mercados e novos clientes porque, apesar de a pandemia afetar todo o mundo, o certo é que os países foram afetados de forma diferente. Felizmente, o setor das telecomunicações, em que operamos, não foi dos mais afetados e este ano ainda vamos conseguir aumentar as exportações".

"Estamos hoje com o nível de exportações de 2011, mas recordemos que foi em 2011 que se iniciou os Prémios Exportação & Internacionalização, no qual 161 empresas foram premiadas, empresas que se dedicaram à exportação e a internacionalização que são as duas faces da mesma moeda, então as exportações passaram de menos de 30% para 44% do PIB em 2019", afirmou António Ramalho, presidente executivo do Novo Banco, durante a 10.a edição dos Prémios Exportação & Internacionalização, iniciativa do Jornal de Negócios e do Novo Banco, em parceria com a Iberinform Portugal.


Como membro do júri, Luís Palha da Silva, presidente da Pharol, salientou que o júri considerou que "olhar para 2019 sem levar em linha de conta a situação em que se vive atualmente não teria sentido". Por isso determinaram que a exportação tinha de ser sustentável, "e não podia ser um fogacho de um só ano". Assim, todas as empresas que receberam os prémios demonstraram ter não só um nível de balanço e de solidez financeira que permite pensar que "mesmo em momentos de maior aperto de tesouraria serão capazes de satisfazer as suas encomendas". O segundo aspeto foi ter em conta a dimensão e a diversificação dos mercados.


Para esta 10ª edição dos prémios, em que se premiaram 12 empresas, partiu-se de um universo de mais de 385 mil empresas, que apresentaram as suas demonstrações financeiras anuais de 2019 através do IES (Informação Empresarial Simplificada). Destas, mais de 57 mil registaram exportações e para a atribuição dos prémios foram avaliadas e analisadas 3.149, explicou António Monteiro, country manager da Iberinform.

"Em 2019 foi um ano particularmente bom para as exportações portuguesas. Foi um marco, um momento que queremos rapidamente recuperar. Em 2019 as exportações atingiram os 93,5 mil milhões de exportações de bens e serviços", analisou Eurico Brilhante Dias, secretário de Estado da Internacionalização.


A pandemia de covid-19, que se tornou global, alterou as dinâmicas do comércio internacional, com grande impacto nas atividades de turismo e viagens que diminuíram significativamente.


"O caminho da recuperação vai começar em 2021 e o objetivo é chegar a 2023 recuperando este padrão, que nos levou a ter 44% do peso das exportações no PIB", disse Eurico Brilhante Dias. Acrescentou que "50% era o nosso objetivo até meados da década, queremos chegar a esse objetivo em 2027, para terminaremos a década, em 2030, com 53% de peso das exportações no PIB".


A estratégia de recuperação do governo tem dois carris, como diz Eurico Brilhante Dias. O primeiro é o da conservação da capacidade instalada. Para isso o Governo utilizou instrumentos para ultrapassar esta fase, desde os seguros de crédito à exportação para mercados OCDE e fora da OCDE, as linhas de crédito, as moratórias, o lay-off simplificado ou o apoio à retoma.


"Se setembro de 2020 foi praticamente igual a setembro de 2019 na área de bens foi porque, em grande medida, houve uma mola produtiva que foi capaz de responder quando a procura regressou", assinalou Eurico Brilhante Dias.


O outro carril assenta nas medidas como a capacitação na área dos negócios internacionais, o reforço da digitalização, a promoção de diversificação de mercados, a diplomacia económica e na gestão das, como a diplomática, a consular, do ICEP, das câmaras de comércio, que se têm vindo a desenvolver.

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