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AICEP
Agência para o Investimento e Comércio Externo de Portugal

CABEÇALHO

"Queremos transformar Viana do Castelo como um zona neutra em carbono até 2027 e, para isso, estamos alinhados com as empresas", afirma José Maria Costa, presidente da Câmara de Viana do Castelo.

Viana do Castelo e o Alto Minho "têm desempenhado um papel na criação de um verdadeiro cluster automóvel, o que se deve, em primeiro lugar, ao talento existente, à qualidade da mão-de -obra, à capacidade de refuncionalização e de requalificação mas também ao trabalho dos autarcas nomeadamente na criação de infraestruturas de qualidade que passam por parques industriais modernos, novas ligações" e pelo facto de ser uma zona geográfica com proximidade da Galiza, afirmou José Maria Costa, presidente da Câmara Municipal de Viana do Castelo. O autarca destacou o apoio da AICEP, que é "um parceiro fundamental, o braço esquerdo e direito" da autarquia, nas palavras de José Maria Costa, do IAPMEI e CCDR Norte.


Para o autarca, a articulação que existe com as instituições de formação, como o PVC, a Universidade do Minho, a Universidade do Porto e a UTAD (que é fornecedora de mão-de-obra na área dos plásticos), bem como com o IEFP, "que tem sido capaz de uma grande agilidade para montar rapidamente respostas para se avançar com projetos de formação e requalificação", tem sido essencial. A Câmara Municipal assinou com o IEFP um protocolo para a criação de um centro de formação profissional, em que também estarão Instituto Politécnico de Viana do Castelo (IPVC), na zona industrial de Alvarães Norte.


Compromisso de parceria
Na opinião de José Maria Costa, "a relação entre o autarca e o empresário é fundamental e tem de ser de confiança". Nela, "todas as questões têm de ser colocadas e, a partir daí, passam a ser nossos parceiros", explica Um aspeto importante revelado pelos estudos internacionais é que sempre que há empresas internacionais que se instalam os novos investimento são de reinvestimentos dessas empresas, cerca de 30 a 40%, afirmou. "A relação que o município tem criado com as empresas não é uma relação de venda de um terreno, é um compromisso claro de parceria", disse José Maria Costa.


Este cluster emprega 2.300 pessoas e, nos últimos nove anos, os investimentos triplicaram. "Estamos a ser um forte contribuinte para o mercado das exportações e para abalança da nossa economia e das nossas divisas, e, acima de tudo, temos um novo setor em desenvolvimento que se prende com maior qualificação e empregabilidade." Segundos o autarca, "temos mais de 17% de quadros superiores que são bacharéis e licenciados nas nossas empresas, estamos a aumentar competências e a atrairmos mais talentos".


Na área da descarbonização, a câmara tem um projeto em parceria com a Associação Empresarial de Viana do Castelo para implementar, já em setembro, na zona industrial de Neiva I e II fase, a primeira comunidade energética renovável: O projeto envolve seis empresas mais "energívoras dessa zona industrial", a que se junta a West Sea/Martifer, que construiu duas torres eólicas para a produção de energia no mar. O objetivo é aumentar a disponibilidade de energia renovável nas zonas industriais.

As discussões sobre a autonomia estratégica da Europa percorrem hoje os corredores do Executivo europeu e dos Estados-membros. Existem benefícios dos mercados internacionais abertos mas "são as condições de localização empresarial nos diferentes pontos do globo e em particular em Portugal no contexto europeu que são fatores decisivos para permitir que haja capacidade de encontrar soluções". Estas permitem que o desenvolvimento económico "se faça com crescimento, com a promoção do investimento, a criação de emprego qualificado e uma relação aberta para o mundo", referiu João Neves, secretário de Estado Adjunto e da Economia


A lógica da localização empresarial implica que haja do lado da oferta e das condições de instalação elementos que permitam que essas decisões de investimento possam ser concretizadas em confronto com outras localizações de uma forma segura "Esta trajetória de Viana do Castelo, criando condições para que ama terialização de investimento pudesse acontecer foi crucial para que nos últimos dez a quinze anos tenhamos assistido a uma mudança estonteante do que é a Viana de hoje face ao que era no passado", afirmou João Neves.


Nesta região do país há uma articulação muito forte com o que é o cluster automóvel da Galiza "A interpenetração entre o que são as dimensões mais regionais de Viana do Castelo e do Alto Minho com o que a Galiza tem vindo afazer [é positiva], mas não nos podemos dar como derrotados nessa concorrência saudável com os nossos vizinhos. E o que temos feitos deve-nos orgulhar a todos e todos os atores têm ajudado a construir esta dinâmica".


Dados esperançosos
Os dados do ponto de vista económico são "esperançosos sobretudo do lado da atividade industrial". Há atividades industriais com índices de produção acima dos valores de 2019, está-se a recuperar do impacto que teve sobre a procura em 2020, adiantou. "Estamos atentar encontrar fórmulas de recuperação mais rápida possível, como as exportações que estão a comportar-se bem, e ter-se-iam comportado melhor se as ondas de choque da pandemia não se verificassem e afetas- se as cadeias de abastecimento de matérias-primas de base ou de produtos intermédios, os custos de transporte e de logísticas muito superiores, e dos microprocessadores que afetam muitas atividades industriais", acentuou João Neves.


"Vamos utilizar os instrumentos que temos à mão como o PPR com um conjunto de apostas clara do ponto de vista económico, deixando para o Portugal 2030 os instrumentos mais tradicionais na linha da manutenção dos apoios ao investimento empresarial e de outros atores económicos. No PRR as apostas serão mais dirigidas, portanto vamos ter intervenções com dotações que não têm paralelo na nossa história Serão dobro dos recursos que são dirigidos à economia" disse João Neves.
Serão 650 milhões de euros para a digitalização e 715 milhões de euros na descarbonização que permitem um nível de investimento superior a 3 mil milhões pelo lado das empresas, conclui o governante.

Passar de 84 milhões para 266 milhões de euros em nove anos "é obra em Viana do Castelo", que tem uma posição de liderança, de "candeia que vai à frente", no Alto Minho, disse António M. Cunha, presidente da Comissão de Coordenação e Desenvolvimento Regional (CCDR) Norte. Para o responsável, muito do que aconteceu no concelho tem a ver com "trabalho meritório da Comunidade Intermunicipal do Alto Minho". Não deixou de referir as três apostas de desenvolvimento futuro desta sub-região, que são as energias oceânicas, a indústria 4.0 muito orientada para a indústria automóvel e o agroalimentar e os produtos da terra à mesa


António M. Cunha assinalou que o espaço Norte de Portugal - Galiza "é uma das regiões mais importantes da indústria auto móvel da Europa, da indústria transformadora". "O Norte é uma região fortemente exportadora, que tem um peso de população de 33%, pesa 40% nas exportações."


A indústria de componentes de automóvel vale exportações da ordem dos 6 mil milhões de euros, segundo a avaliação de António M. Cunha


O líder da CCDR-N fala com conhecimento de causa já que, como investigador, esteve ligado à indústria dos plásticos e dos moldes, ao projeto AutoEuropa e, mais recentemente, enquanto reitor da Universidade do Minho, à Bosch em Braga, "projeto que transformou a cidade, criou dois mil postos de trabalho numa empresa que em pouco criou centros de I&D com 500 pessoas, ligado à eletrónica e inteligência artificial", sublinhou António M. Cunha durante a conferência.

o futuro das quatro rodas
Em relação ao futuro, o responsável começou por referir que a maioria dos veículos que se fazem hoje, que são de combustão, "não se poderão fabricar na Europa a partir de 2035 e, provavelmente, este prazo ainda será encurtado. "Portanto, o que hoje se faz no setor automóvel tem 10 anos de vida". O desenvolvimento de veículos e de peças demora alguns anos e, por isso, "algumas coisas que hoje estamos a desenvolver terão muito poucos anos de vida", frisou.


No seu entender, há um grande desafio no salto para uma nova tecnologia, que é certamente elétrica nos carros de passageiros e de hidrogénio para os veículos pesados e coletivos. "O Norte e Viana do Castelo estão numa posição interessante, o que fabricam são sistemas eletrónicos, e mesmo que o automóvel seja um computador de quatro rodas continuarão a ser quatro rodas de borracha, interiores e eletrónica, por isso com exceção dos sistemas de escapes

da Faurecia em Bragança, que merece a nossa atenção, tudo o resto é tecnologia que pode ser do automóvel do futuro".
Há uma grande experiência colaborativa entre centros de I&D das empresas, fruto de investimento estrangeiro, e os politécnicos e as universidades neste desígnio tecnológica que supõe I&D, formação e qualificação dos recursos. "As pessoas vão ser um material, vão ser disputadas, por isso terá de haver uma política de imigração."


Apegada de carbono da atividade industrial vai ser também um fator de localização e Viana do Castelo poderá ser um dos primeiros sítios em Portugal com "um mix de energia, com uma grande carga de sustentabilidade a aproximar-se dos 100% sobretudo quando os três moinhos eólicos passarem a 50 ou a 100, quando se multiplicarem e se tiver uma das maiores estações offshore da Europa".


O líder da CCDR-N referiu ainda a importância da robotização, da digitalização e da indústria circular, tendências que transformarão não só as empresas e o emprego mas os parques industriais.

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