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AICEP
Agência para o Investimento e Comércio Externo de Portugal

CABEÇALHO

O contrato de investimento com o Estado prevê um aumento de 20% da capacidade produtiva e a industrialização de um novo produto que incorpora mais fibra reciclada.

A DS Smith Paper Viana assinou um contrato fiscal de investimento com o Estado português, através da AICEP (Agência para o Investimento e Comércio Externo de Portugal), no valor global de 107,5 milhões de euros, que prevê o aumento da capacidade produtiva da fábrica de Viana do Castelo em cerca de 20%.


Ao Negócios, a agência liderada por Luís Castro Henriques esclareceu que a gigante de origem britânica pretende ainda iniciar no Alto Minho a industrialização de um novo produto de baixa gramagem (100g/m2), "composto essencialmente por fibra virgem, mas com uma maior taxa de incorporação de fibra reciclada".


"Neste sentido, serão desenvolvidas soluções técnicas otimizadas ao nível do processo produtivo, que promovam a incorporação crescente de fibras recicladas na pasta de papel, por forma a diminuir a dependência de matérias-primas mais escassas", acrescentou fonte oficial da AICEP. A DS Smith que a Bloomberg anunciou na semana passada que pode ser comprada pela rival Mondi por mais de 6 mil milhões de euros, não respondeu aos pedidos de contacto.


A minuta aprovada na última reunião do Conselho de Ministros, a 26 de fevereiro, prevê a criação de dez postos de trabalho permanentes e também a manutenção dos atuais 265 empregos até 31 de dezembro de 2024, data final da vigência do contrato. A fábrica produz 425 mil toneladas de papel por ano, o que, convertido em metros lineares, daria para percorrer mais de uma centena de vezes a distância entre Lisboa e Moscovo.


Este acordo já tinha sido aprovado pelo Governo em junho de 2020, nessa altura sem referência ao compromisso de manter os atuais empregos, mas foi agora atualizado devido ao adiamento por um ano do prazo para a execução do projeto. Sem contabilizar o montante total, a AICEP referiu que "o incentivo consiste num crédito fiscal fixado percentualmente em relação ao investimento realizado, tendo em conta as taxas de auxílio aplicáveis regionalmente".


Inaugurada três meses antes da revolução de 1974, a antiga Portucel Viana mudou de mãos há dois anos - tal como as unidades de Sintra, Leiria, Figueira da Foz e Gondomar -, após a DS Smith comprar a espanhola Europac, que venceu com a Sonae a privatização no início do século e desde 2005 controlava em exclusivo. É uma das maiores fábricas europeias de papel "kraftliner", usado para fazer caixas de cartão canelado, e exporta mais de 80% da produção.

107,5
Investimento
A DS Smith Paper Viana vai investir 107,5 milhões de euros nos próximos quatro anos.

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