NewDetail

AICEP
Agência para o Investimento e Comércio Externo de Portugal

CABEÇALHO

O tema do turismo médico é daqueles que suscitam simpatia imediata e não raras vezes é referido como uma oportunidade que, por distração ou inépcia, não estamos a aproveitar.

Nestas narrativas o turismo médico e o turismo de bem-estar são normalmente apresentados como realidades semelhantes, integrantes de um todo onde também tem lugar o lazer e a fruição de atrativos como o clima, a gastronomia ou a hospitalidade.

 

Assumindo turismo médico como a prestação de cuidados de saúde a não residentes ou, dito de outra maneira, viajar para um determinado local com o objetivo primeiro de ser tratado, não tenho grandes dúvidas do seu elevado potencial de desenvolvimento, a que as novas tecnologias e abordagens que estão associadas ao que se vem chamando de smart health ou saúde digital vêm dar um importante contributo.

 

Importará, no entanto, alguma clarificação de conceitos e, em particular, um separar de águas uma vez que estas são distintas.

Do lado do turismo médico, em inglês medical tourism e também medical travel, que francamente me parece uma designação mais feliz, estamos a falar de “desamarrar” da geografia a prestação de cuidados que envolvem atos médicos. De algum modo, globalizar esta atividade com as vantagens que daí, em tese, é suposto decorrerem para o consumidor.

 

Claro que este consumidor é especial e nem todas as circunstâncias que se aplicam ao consumidor comum estão presentes. A fragilidade e debilidade de quem está doente ou as limitações de abrangência das coberturas, sejam de serviços nacionais de saúde ou de seguros, são disso exemplos.

 

São aqui elementos diferenciadores, a qualidade e a notoriedade dos profissionais de saúde, com destaque para os médicos, o state-of-the-art de instalações, equipamentos e procedimentos, e, cada vez mais importante, a capacidade de evidenciar estes e outros pontos fortes como sejam os resultados clínicos e a sua calibração pela perceção da qualidade do serviço por parte dos pacientes.

 

Já no turismo de bem-estar o registo é completamente diferente, desde logo porque não envolve, em principio, atos médicos. É uma dimensão mais lúdica, contígua às atividades de lazer, que tem vindo a ganhar forte adesão e que fica paredes-meias com a prestação de cuidados médicos na desejavelmente crescente preocupação com os estilos de vida na linha da prevenção da doença.

 

O turismo de bem-estar é uma área em franco desenvolvimento.

 

Por seu lado, o turismo médico ainda está a dar os primeiros passos, num caminho que só poderá ser de grande crescimento. O potencial da oferta portuguesa é elevado, mas as condições de contexto têm de continuar a ser muito trabalhadas. Por cá como um pouco por todo o Mundo.

 

Com dinâmicas e abordagens distintas em função das especialidades, calibradas pelas diferentes modalidades de financiamento em presença, a prestação de cuidados médicos não poderá, mais tarde ou mais cedo, deixar de evoluir para uma oferta globalizada, nomeada e particularmente no contexto europeu, e isso não pode deixar de ser uma oportunidade.

Partilhar