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CABEÇALHO

Um estudo da Boston Consulting Group e a CO2 AI indica que apenas 10% das empresas reportam as emissões libertadas ao longo de toda a cadeia de valor. A nível regional, a Europa surge em último.

O número de empresas que reporta o nível de emissões libertadas nas suas operações ainda é residual. E, embora a Boston Consulting Group (BCG) antecipe que esse valor possa vir a evoluir de forma positiva até ao final da década, certo é que o ponto de partida não é o mais promissor, nem em particular numa Europa que se diz comprometida em liderar a transição energética.

 

As conclusões surgem na terceira edição de um estudo conduzido pela BCG e a CO2 AI, uma empresa parceira de análise de dados, e que têm por base as respostas de 1850 empresas provenientes de 23 países e 18 indústrias diferentes e que, no seu conjunto, representam cerca de 40% das emissões libertadas a nível mundial.

 

No estudo, a dupla apurou que apenas 10% das empresas inquiridas a nível mundial fazem um reporte completo das emissões que são libertadas ao longo de toda a sua operação. Ou seja, as emissões de scope 1 e 2, consideradas as emissões diretas, e as de scope 3, isto é, emissões libertadas ao longo de toda a cadeira de abastecimento.

 

Os dados mudam no que toca ao reporte parcial. Aos jornalistas, durante a apresentação do estudo, Diana Dimitrova, especialista em clima da BCG, revelou que apenas 72 empresas que participaram no inquérito reporta unicamente as suas emissões do scope 1, valor que se manteve estável entre 2021 e 2023. “Não são boas notícias”, comentou Dimitrova. Por sua vez, o número de empresas que faz o reporte das emissões no segundo nível aumentou de 65 empresas para 73, no mesmo período.

 

 o reporte das emissões do scope 3, consideradas como as mais desafiantes uma vez que ocorrem fora da gestão direta da empresa, a BCG e a CO2 AI indicam que estas subiram 19% face a 2021. Em 2023, 53 empresas estavam comprometidas em dar conta desse reporte. “São dados muito animadores, ainda que abaixo do desejável“, indicou a responsável.

 

“Cerca de 35% das empresas estão a definir metas e a procurar trabalhar com a cadeia de fornecimento para reduzir estas emissões e isso é um bom sinal“, indicou a responsável da BCG, destacando os setores da saúde, bens industriais, tecnologia e telecomunicações como os que “tendem a ter mais metas definidas” neste âmbito.

 

Tanto a nível de reporte completo e parcial, a BCG e a CO2 AI revela que as empresas da Ásia Pacífico e das Américas que responderam ao inquérito é que estão a liderar esse trabalho. A Europa surge em último lugar nas quatro regiões que foram avaliadas neste estudo, seja a nível do reporte parcial ou completo.

 

Segundo o estudo, das empresas europeias inquiridas, apenas 22 (mais uma face a 2021) confirmaram reportar as suas emissões de scope 1 e 2, ao passo que no que toca ao reporte das emissões de scope 3, apenas 54 das organizações estavam comprometidas com esse trabalho (eram 36 em 2021). Já as empresas europeias que fazem o reporte completo diminuíram: em 2021, eram 12 e no estudo de 2023, eram apenas 10.

 

Os autores do estudo admitem não estar otimistas quanto à realidade Europeia, no entanto ressalvam que, em contrapartida, cada vez mais empresas do Médio Oriente e de África estão interessadas em aumentar o seu reporte, ainda que o número seja reduzido. “Vemos uma trajetória [nestas regiões] que nos deixa esperançosos”, disse a CEO of CO2 AI Charlotte Degot.

 

Uma das soluções apontadas para aumentar a capacidade de reporte das empresas, prende-se com a otimização e digitalização dos processos. Segundo o estudo, a recolha de dados através de soluções digitais e inteligentes poderá permitir que as empresas consigam medir as suas emissões com uma eficiência quase três vezes superior àquela que tem por base os métodos mais tradicionais.

 

Em ECO

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