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Agência para o Investimento e Comércio Externo de Portugal

CABEÇALHO

Só o Brasil, Estados Unidos e Canadá vão absorver 38% do investimento total. Israel era a nova aposta no próximo ano, mas a guerra deve invalidar a realização de eventos locais. Meta dos mil milhões de vinho português exportado passa de 2023 para 2024.

A ViniPortugal vai investir 8,34 milhões de euros, no próximo ano, na promoção internacional dos vinhos portugueses, sendo que o plano prevê ações em 22 países. A grande novidade seria a abordagem ao mercado israelita, com a realização, pela primeira vez, de eventos e provas locais, mas, com o escalar da guerra no Médio Oriente, Frederico Falcão, presidente da entidade gestora da marca Wines of Portugal , admite que possivelmente não haverá condições para o fazer.

 

Estas são as linhas gerais do plano e orçamento da ViniPortugal para 2024, que hoje foi dado a conhecer no fórum anual da instituição, que está a decorrer em Leiria. O valor a aplicar é, sensivelmente, o mesmo deste ano. Só o Brasil, Estados Unidos e Canadá deverão absorver 38% do investimento total.

 

2024 ficará, assim, marcado por "algum desinvestimento" em mercados como a China ou a Rússia, o primeiro porque, desde 2017, as compras de vinho ao exterior por parte dos chineses tem estado em quebra e não há retorno que justifique a aposta forte na promoção local, o segundo por efeito da guerra. É que, apesar das exportações de vinhos portugueses para a Rússia estarem a crescer significativamente (74,6% nos primeiros nove meses do ano, para um total de 9,1 milhões de euros), a ViniPortugal não quer, "por razões estratégicas", investir nestes mercado.

 

Vai sim investir "um pouco mais" na Ucrânia, para onde as vendas de vinhos portugueses duplicaram, num total de 3,1 milhões, um país onde, apesar da guerra, já começa a haver provas e eventos de promoção. O objetivo não é ir lá, diretamente, mas promover eventos com parceiros locais.

 

Sobre a meta dos mil milhões de euros de vendas de portugueses no estrangeiro, definida para 2023, mas que já se sabia, desde meados do ano, que era quase impossível, o objetivo agora é chegar lá em 2024. "Para chegarmos aos mil milhões este ano teríamos que crescer acima dos 6%. No acumulado de setembro estávamos a crescer 1%, não temos hipótese nenhuma de lá chegar, com o contexto mundial que vivemos. É uma meta que já não é razoável em 2023", diz Frederico Falcão, que, em junho, apontava para uma estimativa de fechar o ano nos 970 milhões e agora já duvida.

 

"Vamos ter problemas em mercados como o Reino Unido, que vai continuar a arrefecer por causa dos impostos, com Angola, por causa da desvalorização do kwanza (moeda local) e com os Estados Unidos, que não mostram tendência de inversão. É um mercado que tem estado a cair, este ano, coisa que não era habitual. Portanto, neste momento, já não acredito que consigamos sequer chegar aos 970 milhões", sublinha. Se o setor mantiver o ritmo de crescimento acumulado em 1%, até ao final do ano, terminará com cerca de 950 milhões de euros exportados.

 

Para 2024, as expetativas são positivas. Há "bons sinais" relativamente às vendas no primeiro trimestre do próximo ano, mas tudo depende de como evoluirá o contexto macroeconómico mundial.

 

O presidente da ViniPortugal recusa, no entanto, que a incapacidade de chegar à barreira mítica dos mil milhões de euros deva ser visto como uma derrota. "Fizemos o trabalho que nos competia, crescemos e tivemos um desempenho superior a muito outros, mas, de facto, a conjuntura mundial não nos ajudou nestes últimos tempos. Portanto, apesar de não atingirmos a meta, o sentimento não pode ser de falhanço, porque acho que o setor conseguiu muito, mesmo em termos de imagem internacional. A ponto de o presidente da ViniPortugal ser nomeado como homem vínico nos Estados Unidos. A nossa visibilidade lá fora está em alta e o setor tem vindo a fazer um bom trabalho", defende.

 

A edição deste ano do fórum anual dos Vinhos de Portugal será dedicada à rotulagem, cujas novas regras entram em vigor a partir de 8 de dezembro. E embora a nova legislação se aplique, apenas, aos vinhos produzidos a partir desta data, no caso dos espumantes, será aplicada já aos vinhos da vindima de 2023. "A produção de um espumante é quando se faz a segunda fermentação, o que significa que um vinho base desta colheita, que será espumantizado em fevereiro ou março de 2024, já vai ter que obedecer a estas regras. É importante ajudar a espalhar a mensagem", sublinha Frederico Falcão. Em causa a obrigatoriedade de incluir nos rótulos, físicos ou digitais, a listagem de ingredientes e a informação nutricional, nomeadamente das calorias.

 

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