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Agência para o Investimento e Comércio Externo de Portugal

CABEÇALHO

A Mexto quer diversificar para o segmento de segunda habitação.

O grupo de promoção imobiliária suíço Mexto mantém o foco no mercado residencial em Lisboa, mas já está analisar projetos de segunda habitação, na orla costeira a sul da capital. Vai investir mais €20 milhões no mercado português até ao fim do ano. Especializada em reabilitação de luxo, a Mexto acaba de investir €8,5 milhões num projeto de habitação no centro de Lisboa.

 

“Mantemos o foco de investimento de forte componente residencial em Lisboa em zonas prime, mas estamos a analisar a zona costeira a sul de Lisboa até ao Algarve para projetos de segunda habitação”, diz Augusto Homem de Mello ao Expresso.

 

O diretor de marketing e de vendas da empresa não adiantou, porém, mais pormenores sobre as localizações, que estão a ser alvo de grande procura.

 

A Mexto vai também reforçar o investimento. “Prevemos investir mais €20 milhões em 2021, e provavelmente mais €20 milhões no próximo ano”, adianta Homem de Mello.

 

Novo perfil de compradores

 

O responsável destaca que neste período pós-pandemia e à medida que acabam as restrições à circulação existe um aumento muito expressivo na procura de habitação de luxo e superluxo por parte de clientes internacionais, sobretudo dos EUA, e mesmo portugueses.

 

O perfil do comprador também se tem alterado. “Há uma procura por habitações com grandes áreas, entre 200 m2 e 300 m2, mas que não são para investimento, mas sim para pessoas que querem viver em Portugal”, acrescenta.

 

Para responder a este tipo de procura, Homem de Mello dá como exemplo a Maison Eduardo Coelho, o mais recente projeto da empresa cujas obras já estão a decorrer e deverão ficar concluídas em julho de 2022. O responsável adianta que se trata de uma “reabilitação profunda” de um edifício da viragem do século com projeto de arquitetura de João Tiago Aguiar, o mesmo do Avencas Ocean View, o condomínio de luxo da empresa, na avenida Marginal.

 

“Mantivemos a fachada. O interior é todo construção nova, mantendo o núcleo original das escadas”, afirma. O projeto integra sete apartamentos, um T1, quatro T2 e dois T3, com áreas entre os 84 m2 e os 203 m2, todos com estacionamento. Os preços propostos vão de €910 mil para a tipologia mais pequena até aos €4,5 milhões para um T3 duplex com um jardim de 268 m2.

Quanto à repetição de projetos destinados às famílias nacionais com rendimentos médios, como o O’Living — duas torres de apartamentos nos Olivais — que a empresa está a desenvolver, Augusto Homem de Mello diz que a empresa mantém-se “muito atenta” a este segmento.

 

CONSTRUÇÃO ACESSÍVEL MUITO DIFICULTADA

 

Porém, o contínuo aumento dos custos de construção e dos materiais conjugado com uma não descida dos preços dos terrenos está a impedir a construção a custos mais reduzidos e acessíveis. “A margem do promotor fica muito estreita ou mesmo inexistente no atual contexto”, explica.

 

Adianta que a descida do Imposto sobre Valor Acrescentado (IVA) para 6%, à semelhança do praticado em Espanha, faria “toda a diferença” na promoção de habitação acessível. Lembra ser mais difícil repercutir os elevados custos de contexto na construção mais acessível.

 

O mesmo não acontece com a oferta destinada ao segmento médio-alto, em que a empresa está a desenvolver o Ajuda Garden Residences — 40 apartamentos — e o Prior do Crato, um projeto residencial de 20 apartamentos que representa um investimento de €20 milhões e cujas obras arrancam este ano. “Para estes dois empreendimentos, falamos dos valores praticados nas respetivas zonas que vão dos €5500 aos €7000 por metro quadrado”, diz. Valores que contrastam com os €3800/m2 praticados no empreendimento dos Olivais.

 

Presente há três anos e meio em Portugal, a empresa tem uma carteira de investimento imobiliário que ronda os €200 milhões, repartida por 10 projetos e 242 apartamentos.

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