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Health tech lança solução digital dirigida aos consumidores e empresas. Tem um plano "agressivo" de internacionalização. Em 2024 quer duplicar a equipa para 60 pessoas.

Começou como uma espécie de personal trainer para os médicos, mas agora a Uphill quer chegar diretamente aos pacientes com a aplicação Liber: um serviço digital de saúde disponível 24 horas por dia. Vinte empresas, na sua maioria do setor tecnológico, já aderiram na fase piloto à nova solução na área de health tech. A startup tem um plano “agressivo de internacionalização”: em dois anos, o mercado externo deverá ter um peso de 40% no volume de negócios. Em 2024, quer duplicar a equipa para 60 pessoas.

 

Eduardo Freire Rodrigues, cofundador e CEO da UpHill, explica os objetivos da startup com esta nova solução: “Pretendemos, com a criação deste serviço, colocar no mercado uma alternativa que trouxesse os cuidados de saúde para fora dos locais onde habitualmente estão concentrados, de forma a aproximar a experiência e a relação das pessoas com a aquela que temos enquanto utilizadores noutros setores — como o entretenimento, a banca, ou os transportes — isto é, cada vez mais personalizada e on demand.

 

Eduardo Freire Rodrigues descreve o Liber como “um serviço de saúde pessoal e digital que permite tratar, acompanhar e prevenir problemas de saúde comuns e relativamente frequentes, em minutos”. E destaca a sua simplicidade — “qualquer pessoa, entre os 18 e os 65 anos, pode ativar todos os dias, a qualquer hora, através da app Liber no seu telemóvel” –, bem como acessibilidade — a aplicação está “disponível 24 horas por dia, todos os dias”.

 

A Liber junta-se a outras aplicações que oferecem, por via digital, serviços na área de saúde. O cofundador destaca as mais-valias oferecidas face a outras soluções health tech no mercado: “Numa única app, os utilizadores têm a acesso a tratamentos imediatos para 85% das condições clínicas mais frequentes, o que corresponde a mais de 50 condições clínicas (por exemplo, amigdalite, gripe, infeção urinária, entre outros sintomas respiratórios, dermatológicos, gastrointestinais e músculo-esqueléticos) que constituem o principal motivo de consulta nos cuidados de saúde primários”, descreve o cofundador da Uphill.

 

A aplicação oferece ainda “programas de prevenção e bem-estar dirigidos a pessoas que não têm uma queixa ou doença diagnosticada, mas que querem apostar na prevenção, uma área cada vez mais valorizada, sobretudo pelas gerações mais novas, como, por exemplo, cessação tabágica, contraceção, saúde mental, combate ao sedentarismo, prevenção cardiovascular, preparação da gravidez”, continua Eduardo Freire Rodrigues. E, por fim, responde a “pedidos clínicos para necessidades pontuais”. “Neste grupo incluem-se, por exemplo, a renovação de receitas, atestados médicos, consulta do viajante, entre outros“, refere.

 

Face a soluções, como chatbots ou teleconsultas, a aplicação apresenta também vantagens, acredita o responsável da UpHill. E explica porquê: “Um chatbot limita-se a avaliar sintomas e sugerir um diagnóstico. Pelo contrário, este serviço é autossuficiente — estabelece um diagnóstico, define um plano de cuidados e emite as receitas ou requisições de exames inerentes ao plano. Isto acontece porque o Liber tem uma equipa clínica dedicada, aumentando assim a abrangência das respostas que podem ser dadas ao utilizador, bem como a personalização do serviço“, destaca.

 

Quanto às teleconsultas, o serviço oferece “uma triagem inicial que garante que estão reunidas as condições clínicas necessárias para haver uma resposta adequada por via deste serviço, ao contrário do que acontece, por exemplo, nas teleconsultas”, realça.

 

A equipa clínica da Uphill é ainda “apoiada por algoritmos de suporte à decisão” que já “são utilizados nos principais hospitais em Portugal, e que garantem a uniformização das boas práticas e a qualidade dos cuidados prestados”.

Eduardo Freire Rodrigues exemplifica como a aplicação funciona. “Imaginando o contexto de uma pessoa com amigdalite, que indica dor de garganta como sintoma, é questionada acerca da duração da dor, intensidade localização, sintomas adicionais, medicação habitual, etc. Posteriormente, é atribuída uma equipa clínica a cada utilizador que vai estabelecer o diagnóstico e desenvolver o seu plano. Numa questão de minutos, a pessoa recebe no telemóvel um plano completo que inclui prescrições de receitas ou exames (conforme necessário), recomendações e explicações sobre como proceder, e a monitorização da evolução do estado de saúde ao longo do tempo”, descreve.

 

A mesma lógica aplica-se aos utilizadores que adiram aos programas. “O utilizador escolhe aquele a que quer aderir, é feita uma avaliação inicial, desenvolvido um plano personalizado tendo em conta as características de cada pessoa (por exemplo, faixa etária, género, fatores de risco, objetivos, etc.) e depois há acompanhamento regular por parte da equipa clínica da evolução de cada utilizador”, diz.

 

O arranque público da solução ocorre esta semana, mas em novembro a Uphill teve a decorrer uma campanha de acesso antecipado com oferta de alguns benefícios. A recetividade do público-alvo — jovens adultos habituados a usar serviços digitais — foi “excelente”. “Temos já um grupo na ordem dos milhares de utilizadores que demonstraram interesse e temos a expectativa que continue a crescer com a mesma pujança durante os próximos meses“, diz Eduardo Freire Rodrigues, sem revelar valores concretos.

 

Com uma vertente B2B, a solução também já angariou parceiros empresariais. “Lançamos um programa de early partners que tem, neste momento, perto de 20 empresas, maioritariamente do setor tecnológico”.

 

Trata-se de um serviço premium. “Para as empresas, o modelo de negócio é baseado em subscrições, isto é, as empresas pagam um valor fixo consoante o número de colaboradores abrangidos pelo serviço. No caso do utilizador final, o pagamento é feito por ato“, explica o responsável. “Os planos para doença aguda variam entre os 5 euros e os 20 euros; os programas de prevenção e bem-estar variam entre 15 euros e 30 euros”, diz.

Internacionalização com plano de expansão “agressivo”

 

“A internacionalização do Liber faz parte dos planos a médio prazo. Nesta fase de lançamento a nossa prioridade é o mercado português”, admite o cofundador da UpHill.

 

Fundada em 2015, a startup, cinco anos depois, já estava presente na Suécia, Noruega, Holanda e Grécia, “maioritariamente com projetos de simulação e parcerias com a indústria farmacêutica”. Três anos depois o processo de internacionalização continua, mas agora com um novo foco, quer a nível de produto, quer de mercados.

 

A nível de mercados, a empresa tem um “plano de expansão agressivo, que passa por ter equipas de caráter local, distribuídas em localizações chave”, revela o cofundador. O foco passa assim por “consolidar o processo de internacionalização em Espanha, Reino Unido e Europa Central”, em particular o mercado ibérico.

 

“O nosso objetivo primordial está concentrado no mercado ibérico pela similaridade existente entre os dois países, no que diz respeito ao funcionamento dos sistemas de saúde e aos desafios enfrentados quer pelos profissionais de saúde, quer pelos pacientes”, aponta Eduardo Freire Rodrigues.

 

Ao nível de produto, há também diferenças em relação à fase inicial de expansão. “O tipo de trabalho que desenvolvemos em conjunto com os hospitais é totalmente diferente: o serviço que estamos a internacionalizar envolve a sua automação de cuidados através do nosso software que engloba suporte à decisão clínica, comunicação e automação de tarefas. Neste momento, já estão vários projetos em fase de implementação, nomeadamente com o Institut Guttmann, um centro de referência em neuro-reabilitação”, revela.

 

Hoje o mercado externo já pesa 25% no volume de negócios da startup. “E a tendência é crescer, tendo em conta a escalabilidade do produto em mercados muito maiores, nos quais os hospitais servem populações de doentes muito superiores. Estimamos que o mercado internacional venha a representar 40% do volume de negócios em dois anos“, adianta.

 

Para isso, não faltam planos para aumentar a equipa. Atualmente, a Uphill tem 30 pessoas, concentradas nas áreas de desenvolvimento de negócio, desenvolvimento de produto e engenharia, desenvolvimento de conteúdo médico e implementação de projetos. “Neste momento temos várias vagas abertas em todas as áreas, nomeadamente para developers, designers, account managers e financial analysts. No próximo ano, o objetivo é duplicar a equipa e chegar aos 60″, avança Eduardo Freire Rodrigues.

 

“Nos próximos meses” poderá haver novidades ao nível de angariação de capital para dar músculo aos planos de crescimento. “Em 2021 fechámos uma ronda de 3,5 milhões e um projeto de I&D [Investigação e Desenvolvimento] no valor de um milhão. Os planos de expansão da UpHill são extremamente agressivos, o que exige, naturalmente, também capitalização agressiva. Teremos novidades muito positivas sobre este tema nos próximos meses”, conclui.

 

Em ECO.

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