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AICEP
Agência para o Investimento e Comércio Externo de Portugal

CABEÇALHO

Às muitas incertezas junta-se, no entanto, uma grande esperança. Se o processo de vacinação correr como o desejado e a imunidade de grupo for atingida entre a primavera e o verão, o 2.º semestre de 2021 pode ser já de franco crescimento económico em Portugal.

O ano de 2021 está rodeado de incertezas. Ninguém sabe ao certo quando se dará o regresso à normalidade pré-pandemia nem a que ritmo decorrerá a recuperação económica e social, tanto em Portugal como no mundo. Estamos dependentes do sucesso do processo de vacinação e da consequente imunidade de grupo, condição essencial para o fim das restrições à atividade económica. Sendo também verdade que ainda não sabemos, com rigor, como ficará a economia portuguesa e todas as outras depois desta brutal crise sanitária.

 

Às muitas incertezas junta-se, no entanto, uma grande esperança. Se o processo de vacinação correr como o desejado e a imunidade de grupo for atingida entre a primavera e o verão, o 2.º semestre de 2021 pode ser já de franco crescimento económico em Portugal. A procura vai certamente disparar por essa altura e promover a emergência gradual de novas oportunidades de negócio, fazendo crescer os números do investimento e também do emprego. Ainda não será um crescimento económico tão robusto como o previsto para 2022, mas é esperada uma significativa recuperação do PIB (5,6%) e das exportações (9,2%) no próximo ano.

 

Este meu otimismo é alicerçado, sobretudo, na resiliência que reconheço às PME portuguesas e na capacidade de adaptação que estas empresas têm demonstrado durante a crise sanitária. As nossas PME superaram várias crises nos últimos anos, revelando qualidade de gestão e condições estruturais para melhorarem a oferta, reforçarem o padrão de especialização, incorporarem mais tecnologia e entrarem em novos mercados. Por outro lado, as PME adaptaram-se expeditamente ao novo contexto pandémico, acelerando a transição digital, generalizando o teletrabalho e reinventando os seus produtos (veja-se o caso das máscaras no sector têxtil), serviços, canais de venda e estratégias comunicacionais.

 

Não obstante esta resiliência e flexibilidade, as PME ainda vão necessitar de um forte apoio do Estado até ao fim da crise. A quebra na procura e no volume de negócios irá, muito provavelmente, manter-se durante todo o 1.º semestre de 2021. Não é crível que as restrições à atividade económica desapareçam no curto prazo, dado o gradualismo do processo de vacinação.

Neste sentido, há que continuar a apoiar a tesouraria das empresas e a proteger a sua capacidade produtiva e os seus postos de trabalho. Não se trata de atirar dinheiro para cima dos problemas, mas sim de financiar criteriosamente as PME, designadamente através de instrumentos de capitalização e sistemas de solvência que protejam as organizações viáveis e competitivas.

 

Por fim, 2021 terá de ser já um ano de aceleração económica alavancada pela “bazuca” europeia. Muita da esperança na recuperação do tecido empresarial assenta nos novos fundos comunitários, que vão ficar disponíveis, espera-se, já no início do próximo ano. Conforme já aqui se disse, é fundamental que o financiamento europeu chegue rapidamente às empresas, o que exige que o novo Quadro Comunitário de Apoio seja menos burocrático, complexo e opaco do que o Portugal 2020. Convém, pois, rever os regulamentos de acesso aos fundos, melhorar a informação às empresas e tornar os processos de atribuição dos incentivos bastante mais céleres.

 

Se conseguirmos reunir todas estas condições, e considerando o nível de resiliência e flexibilidade das nossas PME, estou esperançado que 2021 será um ano não só de expressiva recuperação económica, o que já seria bom, mas também de transição para uma economia mais digital, qualificada e sustentável.

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