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Agência para o Investimento e Comércio Externo de Portugal

CABEÇALHO

Portugal exportou, em novembro, 5,8 milhões de pares de calçado, no valor de 142 milhões de euros, registando o terceiro mês consecutivo de crescimento face a 2019.

As exportações portuguesas de calçado aumentaram 30% em novembro face ao mesmo mês de 2020 e quase 12% relativamente a 2019, acumulando desde janeiro um acréscimo de 10,7% face ao ano anterior, para 1.551 milhões de euros.

 

Segundo a Associação Portuguesa dos Industriais do Calçado, Componentes, Artigos de Pele e Seus Sucedâneos (APICCAPS), Portugal exportou, em novembro, 5,8 milhões de pares de calçado, no valor de 142 milhões de euros, registando o terceiro mês consecutivo de crescimento face a 2019, período pré-pandemia.

 

“Face a 2019, o ano imediatamente anterior à pandemia, assinala-se um acréscimo de praticamente 12%. Relativamente ao período homólogo do ano anterior, assinala-se um acréscimo de 30%”, salienta a associação.

 

No acumulado até novembro, Portugal exportou 64 milhões de pares de calçado, no valor de 1.551 milhões de euros, o que significa um acréscimo de 10,7% face ao ano anterior.

 

De acordo com a APICCAPS, “a Europa voltou a ser o mercado de referência para o calçado português”, absorvendo 54 milhões de pares (mais 12,4%), no valor de 1.264 milhões de euros (crescimento de 11,1%).

 

“Nota de franco destaque para o bom desempenho na Alemanha, com um crescimento de 27,1% para 362 milhões de euros”, salienta, acrescentando que, “pela primeira vez desde o início do ano, o mercado francês regressa a terreno positivo, com um acréscimo de 2,4% para 308 milhões de euros”.

 

Fora do espaço comunitário, a APICCAPS aponta o aumento de 11,7% das vendas para o Reino Unido, para 96 milhões de euros, enquanto as exportações para os EUA aumentaram 14,4%, somando 68 milhões de euros.

 

Segundo a associação, a Austrália (mais 39,7% para oito milhões de euros), a China (mais 7,3% para 17,6 milhões de euros), Hong Kong (mais 36,2% para três milhões de euros) e Israel (mais 71,5% para 2,4 milhões de euros) “também revelam sinais de recuperação”.

 

Citado no comunicado, o porta-voz da APICCAPS afirma que “o ano de 2021 foi já, como se esperava, de recuperação do setor”.

 

“Em vários mercados foi já possível chegar a níveis anteriores aos da pandemia”, nota Paulo Gonçalves, embora admitindo que “a recuperação será mais lenta” do que o desejado, já que “todos os indicadores sugerem que o setor do calçado a nível internacional só recupere plenamente em 2023”.

 

Ainda assim, acrescenta, “no caso português há a expectativa de que conseguir atingir esse desiderato mais cedo, já em 2022”.

 

“Ainda que estejamos dependentes da evolução do processo de vacinação e, mesmo, da pandemia, os sinais do setor são animadores”, considera o porta-voz da associação.

 

E se o aumento dos custos das matérias-primas, as dificuldades nos transportes e a escassez de mão de obra qualificada são, nesta fase, “as maiores preocupações” do calçado, Paulo Gonçalves aponta a “capacidade de resposta integrada (dos materiais ao calçado final), as pequenas séries e a proposta criativa de valor, nomeadamente no domínio da sustentabilidade”, como “alguns dos principais argumentos que têm aumentado a procura pelas empresas portuguesas”.

 

De acordo com o Boletim de Conjuntura da APICCAPS, “a indústria portuguesa de calçado viveu, no terceiro trimestre, o período mais favorável dos últimos dois anos”, com todos os indicadores – produção, encomendas, preços, emprego – a evoluírem “de forma muito positiva, superando as expectativas existentes e, em vários casos, estabelecendo novos máximos históricos”.

 

O inquérito revela ainda que o foco das preocupações da indústria “inverteu-se, passando das questões comerciais, que habitualmente predominam, para os fatores de produção”, designadamente o abastecimento de matérias-primas, que “é agora a principal limitação enfrentada pela indústria, seguida de perto pela escassez de mão-de-obra”.

 

De notar ainda que “as empresas fazem agora uma avaliação positiva do estado de negócios, o que acontece pela primeira vez desde o início da pandemia de Covid-19”.

 

As empresas inquiridas no Boletim de Conjuntura acreditam que “este estado de coisas se prolongará para o último trimestre do ano, com um crescimento adicional das encomendas e da produção que permitirá continuar a aumentar o emprego na indústria”.

 

De acordo com o inquérito, “embora a apreciação positiva da conjuntura seja generalizada, as perspetivas são tanto mais favoráveis quanto maior a dimensão e a vocação exportadora dos inquiridos”.

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