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AICEP
Agência para o Investimento e Comércio Externo de Portugal

CABEÇALHO

Pedro Reis, responsável pela banca institucional do BCP, foi o convidado desta semana do "Money, Money, Money". Há que apostar noutros sectores para reduzir a dependência face ao turismo, defende.

Pedro Reis considera que "qualquer dependência é sinal de risco", e Portugal tem no turismo 20% do produto interno bruto. É por isso necessário diversificar a economia, sem menosprezar o turismo. O responsável pela banca institucional do Millennium bcp aponta os serviços, "como um todo", como capazes de arrastarem o investimento industrial. Sector onde "o país já mostrou competência". E defende que é "crucial" o país "ponderar" se os "mesmos" fatores que nos dão competência no turismo "não serão aproveitáveis" noutras áreas.


O ex-presidente da Agência para o Investimento e Comércio Externo de Portugal (AICEP) exemplifica com os centros de competências das multinacionais que estão no país e que "acabaram por trazer" investimento industrial. "Apostar noutros sectores não significa tirar valor estratégico ao turismo." Pedro Reis assume que Portugal "é bom no diagnóstico", mas falta-lhe a implementação de uma estratégia que traga "materialidade" e "robusteça" a economia.


O ADN de Portugal "salta à vista" e está nos centros de serviços partilhados, que "arrastam formação especializada". Como sucedeu com a Autoeuropa e outros clusters industriais, como as celuloses ou a saúde.


E os centros de competências que nos últimos anos se instalaram em Portugal "são fundamentais" para o próprio turismo. Porque arrastam viagens, mobilidade, estadias, congressos...


A "criatividade" é outro dos eixos onde a economia "pode ganhar escala", a par do mar. "Somos balofos nas discussões", desabafa, sem deixar de apontar soluções para diversificar a economia. Algarve e Açores como "base de investigação" do mar e da biotecnologia. "Engenharias" em Aveiro e Guimarães. Ideias que "não são utopias". Essencial é "focar" a estratégia e escolher do "cardápio" sectores onde Portugal se pode diferenciar.


Pedro Reis defende o aproveitamento dos programas europeus para "dar fôlego" a um horizonte estratégico de "reciclagem" da economia europeia, que "está a perder o pé na inovação". Mostra, por outro lado, a "firme convicção" de que, se o país apresentar "projetos solidificados", o investimento estrangeiro "acabará por chegar", diversificando a economia. "Robustecer a economia não significa tirar valor ao turismo", diz.


Insiste nos estrangulamentos que Portugal enfrenta na burocracia, fiscalidade e justiça, que devem ser eliminados com "reformas estruturais", para facilitar a vinda das multinacionais e "lutar" com a concorrência dos países do Leste europeu e do Norte de África. "Se o país não se mover como um todo", as pessoas só se vão lembrar de Portugal "quando vierem de férias", alerta. Para contrariaressa ideia é preciso seguir uma estratégia de internacionalização e atração de investimento externo. Um "soltar de axiomas", capaz de construir uma estratégia que diversifique a economia, tirando partido dos fatores que "tornam Portugal um país diferenciado". Segurança, clima, quadros com formação e línguas fazem de Portugal um país "fantástico" na inovação.


Pedro Reis avisa que é preciso "materializar" essas competências. Um dos exemplos dados pelo antigo presidente da AICEP está na Administração Pública, "que tem qualidade e é inovadora". Fator que pode tirar partido da lusofonia, com "formação e troca de experiências  área".

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