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AICEP
Agência para o Investimento e Comércio Externo de Portugal

CABEÇALHO

"Não queremos ser os bons e os baratos da Europa" é o lema desta iniciativa que já se aproximou de Belém.

"Uma carta ao meu país." É assim que o movimento Marcas por Portugal se apresenta ao mundo de forma singela, mas sem esconder a ambição que junta os seus primeiros 21 signatários: "Estamos a definir objetivos concretos e consideramos realista sermos, no espaço de uma década, uma das dez marcas mais importantes do mundo, num ranking&m que pontuam a China e os EUA, mas também a Suíça, país com o qual nos podemos comparar em dimensão", diz ao Expresso Carlos Coelho, porta-voz do grupo e presidente da Ivity, onde trabalha precisamente com marcas.


Diversificado, assente na sociedade civil e na variedade dos seus membros fundadores onde pontuam, entre outros, António Rios Amorim (Corticeira Amorim), Paulo Pereira da Silva (Renova), Catarina Furtado (apresentadora), Rita Nabeiro (Delta/Adega Mayor), Isabel Jonet (Banco Alimentar), Isabel Furtado (Cotec/ TMG) ou Pedro Afonso (Vinci Energies), este grupo acredita que a ação "é urgente", surge "no momento certo" e irá juntar muitos mais à causa de "fortalecer a marca Portugal".


 

Marcas na mira da 'bazuca'
A aproximação ao Presidente Marcelo Rebelo de Sousa e à AICEP - Agência para o Investimento e Comércio Externo de Portugal foi feita ao que tudo indica com sucesso. Contudo, a ideia é manter a iniciativa do lado da sociedade civil, apesar da transição de uma economia de baixo valor para uma economia de valor acrescentado exigir uma ação política, a "concertação de esforços de todos" à volta de pilares que sempre estiveram ao dispor do país, da geografia à história nacional, à diversidade por quilómetro quadrado, aos indicadores de segurança ou de qualidade de vida.


E se para cumprir o desígnio, Carlos Coelho sabe que tem de "promover a afeição dos portugueses à marca do seu país, assumindo a missão de valorizar Portugal em tudo o que se faz", isto significa, por exemplo, "não vender azeite a granel para depois Espanha o colocar no mercado com um rótulo que remete para Itália".


"Não nos podemos dar ao luxo de vender barato o pouco que temos. Não queremos ser os bons e os baratos da Europa", afirma convicto de que a par de questões como a transição digital ou a transição energética, o país tem de colocar na agenda a transição para o valor acrescentado, com marcas. Tem de se usar a 'bazuca' para isso e perceber que "aumentar preços não é matemática simples".


E como fazer isto? A resposta é curta e limitada a três pontos: "aumentar o valor dos produtos e serviços exportados", "atrair cidadãos do mundo para virem estudar, trabalhar, viver ou investir em Portugal" e "promover a transição de uma economia de produção para uma economia de marcas de valor acrescentado".


Tudo começa numa constatação: "A marca de um país não é apenas uma questão de passado ou de orgulho nacional, mas também de impacto na economia que, em Portugal, teve um crescimento quase nulo." E numa certeza: "Precisamos de mudar, de aumentar o valor percebido da marca Portugal, com o objetivo de criar mais riqueza, que possa ser justamente distribuída ao longo de toda a geografia e cadeia produtiva. Só assim seremos capazes de crescer em harmonia, igualdade de género, inclusão e diversidade, contribuindo para a erradicação da pobreza no país", diz a carta.


Para este compromisso de uma década, falta continuar a mobilizar o apoio de entidades públicas e privadas e de uma faixa diversificada da sociedade portuguesa que, a exemplo dos 21 signatários iniciais, junte empresários, gestores, decisores, académicos, especialistas, em Portugal e na diáspora.

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